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No país do carteiraço
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Ao dar a sua tradicional caminhada pelas redondezas, para “tomar a fresca da tarde”, Natureza Morta passou por um cidadão que discutia com um funcionário da limpeza pública. Motivo: a cocozada de cachorro que se acumula pela calçada.
Dedo em riste, segundo descrição do solitário da Vila Piroquinha, o sujeito – nessas alturas deixou a condição de cidadão – dava uma bronca no homem da vassoura e do carrinho:
– Sabe com quem está falando?
– Não faço a menor ideia. Assim, da próxima vez não vou falar com o dono do cachorro, mas diretamente com o cachorro.

Falando grosso

De volta à mansão da Vila Piroquinha, Natureza não escondia a irritação.
– Continuamos o país do “sabe com quem está falando?” – o famoso e muito nosso carteiraço. Quando não se tem carteira de identificação funcional de algum órgão público, recorre-se ao gogó.
Beronha sabe disso. E como se defender. Revelou certa vez que, na empresa em que trabalhou (por muito muito pouco tempo, aliás), o carteiraço tinha outro formato. Descia do Olímpo em forma de crachá.
– Diretor disso, superintendente daquilo, diretor-presidente. Tinha até um tal de CEO, que eu não sabia se era chefe, um visitante ou do pessoal da faxina nos banheiros.
Depois de explicar que CEO vem a ser “chief executive officer”, o que Beronha achou “pra lá de chique”, Natureza quis saber como o nosso anti-herói de plantão enfrentava os percalços do dia a dia.
– Botei a cachola pra funcionar e criei o meu próprio crachá – explicou. Aliás, ainda trago ele comigo.
E sacou o dito cujo. Está lá, para todo mundo ver:
– Vice-treco de coisa nenhuma.
Já o Osni, um amigo do Beronha, funcionário de uma estatal na década de 1970, regime militar a galope, “adaptou” o próprio crachá. Raspou a letra O do prenome e apagou o sobrenome. Ao passar pelo corredor, todo mundo dava passagem e quase batia contingência ao ver a identificação:
– SNI.

ENQUANTO ISSO…


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