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Onde fica. E o quem foi?

A cena ocorreu, de fato. Há testemunhas. Visivelmente apavorado, rapaz pede informação a quem passa:

– Sabe me informar onde fica a Rua Marechal Malete?

– Marechal Malete? Essa eu não conheço. Serve Marechal Mallet?

Diante da dúvida do jovem, o cidadão explica que fica perto, 3 quadros de distância, pegando à esquerda na próxima esquina.

Sobre o episódio, professor Afronsius – sim, foi ele quem corrigiu e forneceu a informação quanto à rua – comentou que, sem conhecer o passado não há presente nem futuro, incluindo a chance de se chegar a um endereço, na Marechal Mallet.

– E o jovem passante, agradeceu? – quis saber Natureza Morta.

– Agradeceu, mas, ao se afastar, deixou escapar: que sujeitinho chato…

A alma que está nas Ruas

A propósito de ruas, a Seção Achados&Perdidos, exclusiva do blog, colocou em tela o livro Alma das Ruas, da professora Maria Nicolas, que mereceu, inclusive, um belo texto (novidade nisso?) do jornalista José Carlos Fernandes, na Gazeta do Povo, edição de 24 de setembro de 2010.

Diz o Zeca: “Tenho para mim que algum nobre deveria reeditar o livro Alma das Ruas, da professora Maria Nicolas (1899-1988), transformando-o numa Bíblia municipal”. E explica para quem não é de Curitiba ou ignora o assunto:

– Maria Nicolas hoje é nome de colégio na Vila Izabel e sua obra mais doce envelhece nalguma estante, debaixo das benesses da naftalina. Qualquer um que tenha folheado o texto não me deixa mentir. Acacianismos à parte, Alma é um camafeu literário. Espécie de dicionário biográfico, perfila com bico de pena os patronos de nossas principais vias e avenidas.

Ainda o Zeca com a palavra (e como evitar isso?):

– Imagino que a professorinha o pensou como um Michaelis de província. Dentro da jardineira, ao cruzar a Rocha Pombo ou a Mateus Leme, os passageiros o folheariam, com o peito em chama, ufanando-se da terra em que nasceram.

Entranhas e estranhezas da cidade

O jornalista sugere mais:

– Cá nos meus delírios, imagino a nova edição em versão multiplataforma: um audiolivro acoplado ao GPS dos carros. O automóvel seguiria seu destino e a maquininha explicaria, em maviosa voz sintética, não só onde virar, mas também a identidade das almas presas aos postes.

Haveria sói dificuldades, por certo. A cidade cresceu muito desde os tempos em que a autora ganhava seu pão na biblioteca da Assembleia Legislativa, onde, vale dizer, a alma de Maria não habita mais. Desde então, parece ter faltado ilustres para batizar nossas 80 mil ruas. Mas deixe quieto. O Alma das Ruas em versão digital aumentaria nossa cultura geral, dando-nos a conhecer as entranhas e as estranhezas da cidade.

De João do Rio a Aníbal Machado

Para encerrar, posto que a temperatura caiu violentamente e frio veio de braço dado com a chuva, Natureza lembrou de A Alma Encantadora das Ruas, de 1908, de João do Rio, aliás, João Paulo Alberto Coelho Barreto (1881-1921).

– Tem ainda o João Ternura, de Aníbal Machado, o único romance escrito por Aníbal Machado (1894-1964). O livro, edição póstuma, saiu em 1965. Nele, há uma rua que os moradores chamam de Rua Sem-Talher. Na verdade, Rua Saint-Hilaire, homenagem ao botânico e viajante francês.

Beronha, ainda encucado com o Mallet que virou rua, pediu detalhes:

– Émile Louis Mallet. Ficou conhecido como Marechal Emílio Mallet ou Marechal Mallet. Barão de Itapevi, nasceu em Dunquerque, 10 de junho de 1801, e morreu no Rio de Janeiro no dia 2 de janeiro de 1886. Embora nascido na França, virou militar brasileiro. Herói de muitas batalhas (combateu inclusive na Guerra do Paraguai), tornou-se patrono da Artilharia do Brasil. Em Tuiuti, a maior batalha campal da América do Sul, garantiu a vitória do Exército Imperial recorrendo a um estratagema: as peças de artilharia foram colocadas num fosso, para protegê-las e impedir o avanço inimigo. Daí a sua celebre frase:

– Eles que venham. Por aqui não passam.

Enquanto isso…

20 julho

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