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A Secretaria de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia fez uma minuciosa pesquisa em 2019 e encontrou 698 empresas entre estatais, suas subsidiárias, coligadas e outras nas quais a União mantinha investimento direto ou indireto. Isso é o que chamamos de estado empresário gerenciando, incompetentemente, ineficientes empresas de toda espécie e natureza, dos mais diversos segmentos de negócio e burlando o artigo 173 da Constituição: “ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei”. O Estado é por natureza um infrator.
Não faz sentido o estado competir com a iniciativa privada, muitas vezes deslealmente, em produtos e serviços cuja presença estatal é absolutamente injustificável como nos setores financeiro, de cartões de crédito, corretoras de valores, bancos de investimento, seguros, produção de chips, código de barras, selos, extração e refino de petróleo, geração e distribuição de energia, armas, pólvora, processamento de dados, transporte marítimo e em dezenas de outros segmentos. Quando há presença do estado em um setor, naturalmente, a iniciativa privada fica ausente ou se retrai porque a concorrência pode se tornar muito difícil devido à força e os instrumentos à disposição das empresas nas quais o estado participa.
Essas estatais nunca foram empresas “do povo” de fato. Ao longo dos anos presenciamos essas empresas serem saqueadas, usadas para fins políticos, moeda de troca e barganha por apoio legislativo aos governos de plantão que foi denominado pela grande mídia de governo de coalizão, palavra pomposa e com ares de republicana, mas para o atual governo o nome foi alterado pejorativamente para “toma lá dá cá”. Dá no mesmo. É apenas uma questão de viés político.
O governo precisando de dinheiro decidiu, anos atrás, vender parte de seu capital no Banco do Brasil e na Petrobras, para ficar apenas nestes dois exemplos, objetivando levantar recursos para o caixa da União. Foi uma abertura de capital forçada, não ideológica. Foi por necessidade, por falta de alternativas e não por interesse de tornar pública e listada aquelas empresas que, a partir daquele momento, se tornaram reféns das leis de mercado dificultando assim a ação e a interferência do governo devido à governança necessária imposta pelo mercado.
No entanto, nem a abertura de capital foi suficiente para blindar as estatais de ingerência política e corrupção. Tantas falcatruas aconteceram nas estatais, principalmente durante os governos petistas, cujos grandiosos assaltos às empresas estatais ficaram conhecidos como “mensalão” e “petrolão”, que foi necessário fazer uma lei para proteger as empresas estatais dos próprios governantes. Assim, a Lei 13.303 de 2016, foi aprovada para se ter um mínimo de governança e blindar as estatais contra os governos de plantão devido ao histórico passado de tantos desvios, malversação de dinheiro e corrupção. Já que a lei está dificultando a ingerência governamental estão por decidir sobre alterações para “flexibilizar” e permitir que “a mão invisível do estado” se sobreponha “à mão invisível do mercado”.
O correto seria vender todas as estatais, suas subsidiárias, coligadas e investidas e assim, nem de lei se precisaria mais. Essa lei existe e foi implementada pelo governo contra si mesmo. O governo sabe que ele se torna perigoso com suas decisões pois não deseja seguir as leis de mercado. Agora o governo ao se sentir algemado e impossibilitado de interferir na administração e no seu gerenciamento busca então uma solução final: flexibilizar a lei.
Melhor seria vender todas as estatais mesmo!

Salim Mattar, é um dos maiores defensores da causa liberal e tem apoiado muitos dos mais de 100 institutos existentes no Brasil. Membro ativo do Instituto Liberal fundou os institutos de Formação de Líderes hoje presentes em Belo Horizonte, São Paulo, Florianópolis, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Curitiba, Fortaleza e Lajeado.



