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Samia Marsili

Samia Marsili

Hora do detox

Que propósitos?

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Sem nos livrarmos do vício em internet e mídias sociais, nenhum propósito de ano novo se tornará realidade. (Foto: Imagem criada utilizando Whisk/Gazeta do Povo)

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Ano novo, vida nova! Momento perfeito para avaliar nosso desempenho e nosso crescimento no ano que passou, traçar novas rotas, estabelecer metas, firmar os bons propósitos, e... Não sejamos ingênuos. Seria uma tolice reunir forças e preparar uma lista de propósitos de Ano Novo, muito parecida com a do ano anterior, a qual não cumprimos, só para nos frustrarmos mais uma vez, fazermos piada e deixarmos tudo para trás antes que finde o mês de janeiro. Estamos perto do meio do mês. Você fez propósitos, à luz dos fogos e com a taça de espumante na mão? Já os descumpriu, por acaso? Ou ao menos sente reduzirem-se suas energias, drenadas pelo repuxo dos velhos hábitos, todo aquele ideal remodelado começa já a parecer distante, estúpido, pueril? Imagino que talvez você tenha estipulado algumas quantidades. Ir à academia tantas vezes, ler tantos livros, fazer tais ou quais aprimoramentos de trabalho; pode ter, generosamente, incluído na lista quantidades para seus familiares: fazer tal ou qual gesto pelo seu marido, ler tantas vezes para os filhos, fazer este ou aquele programa com eles. E por que, eu lhes pergunto, por que os nossos propósitos são tão frágeis? Porque somos arrastados rapidamente para a perda de tempo, para a rotina da preguiça, para a dispersão?

Penso que o problema da nossa dispersão, a agitação, a ansiedade generalizada da nossa geração, e mais ainda das gerações que vêm vindo, seja bastante grave, e bastante mais grave do que a cultura do meme pode supor. Às vezes rimos para não chorar, é verdade; mas talvez devêssemos mesmo chorar. Essa liquidez, essa fragilidade geral tem dois lados como uma moeda: a ansiedade, de quem precisa de mais, de muito, e a toda hora, e a procrastinação, de quem deixa para depois, de quem não consegue sustentar um esforço ou um propósito nem por 15 dias – e já tudo virou vapor outra vez. A essa doença do espírito os antigos talvez chamassem de acídia ou de tibieza, feitas as devidas adaptações, e a tibieza, segundo eles, é muito mais grave do que pensa o tíbio. As tecnologias e as redes sociais, e quase tudo o mais da cultura contemporânea, são o metrônomo que marca o compasso dessa ansiedade generalizada. Como escapar disso? – é o que queremos saber, é o que você talvez esteja se perguntando. Bem, eu tenho cá minha pequena sugestão. Em suma, devemos fazer propósitos fundamentais, básicos, mas qualitativos, que salvarão nossa sanidade e possibilitarão qualquer avanço quantitativo posterior. É este o tempo que vivemos, paciência: temos de fazer um grande esforço para permanecermos normais.

Não é de hoje. Vários autores já explicaram, com precisão, que a era moderna viveu sob o signo da ansiedade. Ela foi intensificada e complexificada pela sociedade urbanizada e industrial. Um número crescente de pessoas passou a sofrer de neuroses, medos difusos, irritabilidade crônica, distúrbios psíquicos e até enfermidades somáticas, como úlceras, coisas que não se viam antes. Talvez não estivessem simplesmente “esgotadas”, mas feridas em seu íntimo. Poucos podiam dizer, como dizia antes o camponês de outrora: “Quando trabalho, trabalho de verdade; quando paro, descanso”. É claro que o homem sempre teve problemas. Mas outrora os homens se inquietavam sobretudo com a alma; hoje, a preocupação dominante recai sobre o corpo. Segurança econômica, saúde, aparência física, prestígio social, riqueza e sexualidade tornaram-se os grandes polos de inquietação. Além do mais, essa ansiedade moderna distingue-se também por ser subjetiva. Já não se trata do medo de perigos objetivos e naturais – como feras, tempestades ou a fome –, mas de um temor vago, difuso, do que poderia acontecer caso certas circunstâncias se configurassem.

Uma das consequências mais visíveis do uso intensivo da internet e das novas redes sociais é a erosão progressiva da nossa capacidade de prestar atenção e de nos concentrar em algo por um período prolongado

Por isso, é tão difícil lidar com essa nova ansiedade: não adianta assegurar que não há perigo externo real, pois o perigo que se teme está dentro da própria pessoa e, por isso mesmo, é experimentado como intensamente real. A condição é agravada por um sentimento de impotência diante desse suposto inimigo interior. O ansioso percebe constantemente uma desproporção entre as forças de que dispõe e aquelas que julga necessárias para enfrentar a ameaça. Assim, torna-se semelhante a um peixe preso em uma rede ou a um pássaro enredado em armadilha: quanto mais se debate de modo desordenado, mais se aprisiona, multiplicando suas próprias angústias.

Mas, reparem, estou descrevendo uma ansiedade “moderna”. Falo da Revolução Industrial, das décadas subsequentes, do século 20, falo dos nossos anos 90 e de quando os computadores pessoais começaram a habitar as casas. E nos últimos 15 anos? Quando os smartphones passaram a habitar os bolsos, as mãos, as casas, os restaurantes, o trabalho, as escolas... os celulares passaram a habitar as mentes – digo melhor, quando todas as pessoas passaram a habitar os seus celulares. Acaso exagero? Não exagero, minha gente. Quinze anos atrás e nossas vidas eram completamente diferentes, e todo mundo parece ter se esquecido, ou, imersos na coisa, parece que ainda não nos demos conta dessa gigantesca transformação. As novas gerações, então, mal imaginam um passado diferente, assim como nós imaginamos um mundo sem eletricidade, sem automóveis. E, creiam-me, são muitos desses nossos hábitos contemporâneos que, minando-nos desde a base, impedem-nos de fazer propósitos, de executá-los, de perseverar neles.

Uma das consequências mais visíveis dos novos hábitos contemporâneos, especialmente do uso intensivo da internet e das novas redes sociais, é a erosão progressiva da nossa capacidade de prestar atenção e de nos concentrar em algo por um período prolongado. O fluxo constante de informações, mensagens, imagens e notificações disputa incessantemente a nossa atenção. Como só somos capazes de nos concentrar verdadeiramente em uma coisa por vez, essa multiplicidade de estímulos força o indivíduo a deslocar o foco continuamente entre diferentes fluxos de informação, enfraquecendo, com o tempo, a capacidade de atenção sustentada. O problema atingiu tal proporção que, mesmo em ambientes universitários, tornou-se cada vez mais raro encontrar estudantes que consigam ler um livro inteiro do início ao fim! As redes sociais, em especial aquelas baseadas em vídeos curtos, agravam ainda mais esse quadro. O fluxo incessante de imagens reduz a capacidade de ignorar distrações e de manter o foco em algo concreto, o que afeta negativamente diversas funções cognitivas. Plataformas como o TikTok operam com algoritmos desenhados para maximizar a retenção do usuário por meio de estímulos rápidos e sucessivos, produzindo descargas frequentes de dopamina e criando um ciclo de uso cada vez mais viciante (não deixem de ler o livro do pesquisador argentino Pablo Muñoz Iturrieta, aliás. É esclarecedor – e exasperador).

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Explica ele em seu livro que o próprio uso cotidiano do computador já envolve, por si só, a realização constante de múltiplas tarefas: alternar entre programas, mudar de telas, abrir diversas abas no navegador, responder mensagens, escutar áudios, acompanhar notificações que surgem sem cessar. Inevitavelmente, esse modo de funcionamento adapta o cérebro a deslocar o centro da atenção de uma atividade para outra em frações de segundo, treinando-o para responder a estímulos contínuos. O resultado é uma habilidade aparente de “pular” rapidamente de uma coisa para outra. O problema é que essa suposta habilidade interfere diretamente na capacidade de manter o foco em uma única tarefa cognitiva por mais tempo, justamente porque enfraquece uma competência essencial: a de ignorar distrações. Em termos práticos, isso significa que a capacidade de concentração tende a ser inversamente proporcional à frequência com que realizamos múltiplas tarefas no ambiente digital. Quantas vezes, por exemplo, alguém começa a ler um livro com a intenção de concluir ao menos um capítulo e, poucos minutos depois, uma mensagem no celular interrompe completamente esse propósito? O que se costuma chamar de “multitarefa” não corresponde, na verdade, a uma nova e sofisticada capacidade cognitiva, mas a um padrão superficial de comportamento, frequentemente associado a mecanismos de dependência. Estamos nos treinando, a cada dia, para sermos levianos e manipuláveis.

A situação se agrava quando consideramos o fluxo contínuo de imagens e sons que capturam nossa atenção e nos obrigam a processar novas experiências a cada poucos segundos. O impacto do algoritmo do TikTok sobre a atenção de crianças e adolescentes tem sido amplamente documentado. Executivos da própria empresa admitiram que, em 2021, vídeos com mais de 60 segundos geravam estresse em cerca de metade dos usuários. O motivo alegado era simples e alarmante: muitos não conseguiam manter a concentração por tanto tempo. Esse fluxo constante de vídeos afetava diretamente a capacidade de atenção, razão pela qual o algoritmo passou a privilegiar conteúdos ainda mais curtos... Considerando que o principal grupo demográfico do TikTok engloba pessoas entre 13 e 40 anos, os problemas de atenção também afetam os adultos, inclusive aqueles com cérebros plenamente desenvolvidos, uma vez que o fluxo contínuo de estímulos influencia os processos cognitivos, o comportamento e até a arquitetura neural. Falávamos sobre propósitos para um ano inteiro?

A perda da atenção, contudo, não é a única consequência negativa desse cenário. Assim como advertia Sócrates, quando mencionava aquele mito egípcio sobre a escrita, a qual traria riscos para a memória, inúmeros estudos científicos contemporâneos, trazidos ainda pelo professor Iturrieta, indicam que a internet exerce um efeito prejudicial sobre os processos de conhecimento e de memorização. Torna-se cada vez mais evidente a tendência de aceitar como verdadeiro tudo aquilo que se encontra on-line, o que é particularmente perigoso em um ambiente sujeito a manipulações constantes. E que faremos agora com as ilusões da inteligência artificial? Isto ainda está por acontecer, mais ainda por se estudar e compreender. Quando toda informação parece estar sempre disponível a um clique de distância, torna-se desnecessário lembrar. Já não precisamos guardar dados, pois podemos consultá-los a qualquer momento. Esse fenômeno é facilmente observável no cotidiano: há poucas décadas, era comum que as pessoas decorassem dezenas de números de telefone; hoje, muitos já não se lembram sequer do próprio número. E para quê? O que ocorreu não foi apenas uma mudança de hábito, mas uma alteração na forma como a memória opera.

O que se costuma chamar de “multitarefa” não corresponde, na verdade, a uma nova e sofisticada capacidade cognitiva, mas a um padrão superficial de comportamento, frequentemente associado a mecanismos de dependência

Algo semelhante ocorre, segundo aquele mesmo estudo, com tecnologias como a fotografia digital. Ao registrar uma imagem, tendemos a nos lembrar menos do objeto ou do lugar fotografado, pois, de maneira quase inconsciente, sabemos que sempre poderemos recorrer à imagem armazenada. Não guardamos mais a experiência; terceirizamos a lembrança. Ou seja, estamos alimentando uma grande massa de memórias on-line, com fotos de bons momentos no Instagram, por exemplo, só que para ninguém. Não são de ninguém, nem para ninguém, são queimadas num instante pelo fogo rápido da atenção picotada. Não guardamos nossas memórias, e alimentamos nossa mente ansiosa com o fluxo veloz de memórias dos outros, que evanescem.

E o fazemos compulsivamente, compulsoriamente, avidamente, quase desesperadamente. Qual foi a última vez que você leu o capítulo inteiro de um livro sem pegar o celular na mão para verificar as notificações? Qual foi a última vez que terminou seu treino de academia sem ver as mensagens que tinham chegado no WhatsApp? Meu Deus, qual foi a última vez que esperou numa fila (uma fila de cinco minutos, qualquer mínima espera, no caixa do mercado, por exemplo) sem recorrer ao celular, sem correr pelos stories do Instagram? Nota que, talvez, em momentos de estresse ou de tensão em casa, quando os filhos demandam cuidado ou estão chorando de cansaço, você sente um impulso de encontrar consolo e conforto abrindo o celular? Algo o chama, algo promete aplacar a sua ansiedade – e de fato aplaca, por uns instantes. Os processos químicos e cerebrais desse uso podem ser melhor compreendidos em livros como os de Anna Lembke.

Assim vivemos num estado constante de ansiedade, ansiando, desejando matar a fome com um maná pernicioso, que evanesce antes de mesmo de chegar à boca, e que só aumenta o nosso apetite. Então, antes de nos entregarmos ingenuamente, aos propósitos de Ano Novo, que serão frustrações passageiras apenas para diminuir nossa autoconfiança e autoestima, para radicalizar mais, quem sabe, nosso abandono às distrações e ao estado de coisas, eu sugiro a você que faça, para já, alguns pré-propósitos. Sim, metas a serem atingidas como que para limpar o terreno, para recuperar, como dissemos no início, a nossa sanidade básica, um pouco de normalidade. Em suma, primeiro de tudo e antes de qualquer coisa, afaste-se do vício no celular e na distração. Volte a ter algum domínio mínimo da sua atenção, da sua memória, da sua presença no ambiente – no lar, no trabalho –, tome de volta um pouco do controle da sua mente. Cuide primeiro dessa ansiedade constante, muda, corrosiva dos dias, e abra espaço para a paz. Em seguida, você poderá ler mais livros, fazer mais esportes, passar mais tempo com alguém, e assim por diante. Limpe o terreno antes de plantar.

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Aqui algumas dicas básicas, para orientar os primeiros passos:

1. Em primeiro lugar, reconheça o problema. Não é verdade que você “pode parar a qualquer hora”, como diz o alcóolatra clássico. Não é verdade que esse problema é leve, que hoje em dia todo mundo é assim, e portanto tudo bem. Meu amigo, minha amiga, convença-se de uma vez: esse problema é grave, você é um viciado, muitos de nós estamos viciados e dependentes da coisa como um viciado em drogas mesmo, e as consequências têm apenas uma aparência mais leve. Desse modo perde-se uma vida. Então encare o vício e o tédio como adulto, reconheça a causa da aflição quando ela vier, identifique o seu movimento interno que busca o celular, a distração qualquer, e resista.

2. Segundo, e indispensável, interrompa o gesto automático. Não confie na sua força de vontade – é exatamente este o problema, ela está fragilizada, quase anulada. Você precisa “reconstitui-la” nesse sentido, atenuando a dificuldade. Então, delimite o tempo e a ocasião de uso do celular, e, quando não for o momento de utilizá-lo, ponha-o fora do alcance. Numa gaveta, numa caixa, no cômodo lá do fundo, no alto da prateleira, enfim: verdadeiramente longe do alcance, de modo que o gesto automático de puxá-lo e abri-lo não seja possível.

3. Apague os aplicativos que lhe fazem mal. Está disposto a um período de “detox”, como se vem dizendo? Então exclua do seu aparelho e da sua disponibilidade imediata os aplicativos das redes sociais e quaisquer outros que induzam você a essa adicção. Estou dizendo que não devemos ter redes sociais e não utilizá-las nunca? Não estou; estou apenas sugerindo propósitos para você se reerguer e começar um ano novo com a mente minimamente em paz. Fique sem eles por algumas semanas ao menos. Faça uma limpeza naquilo tudo que usa e que ocupa o seu tempo.

Afaste-se do vício no celular e na distração. Volte a ter algum domínio mínimo da sua atenção, da sua memória, da sua presença no ambiente – no lar, no trabalho –, tome de volta um pouco do controle da sua mente

4. Dica: quando estiver em apuros e a coisa apertar, quando vier a ansiedade ou o tédio, faça algo concreto. Movimente o seu corpo, faça algum gesto minimamente concreto com começo, meio e fim, com o mínimo de intenção: arrume algum foco de bagunça, lave uma louça, pique uma cebola. Não corra para grandes metas ou grandes desafios: sua atenção e sua força de vontade precisam ser recuperadas aos poucos, como num tratamento. O mesmo vale para os momentos de atenção focada, de estudo, por exemplo: cumpra com rigor e com firmeza pequenos períodos e, entre eles, recorra a outras tarefas menores como as que acabo de citar (não ceda à rolagem sem sentido, não). Para quem tem fé, fazer uma pequena oração é um gesto concreto, intencional e eficaz, que além do mais alcança do Céu uma ajuda.

E então, é esta a solução para todos os nossos problemas? Não, repito o que já disse mais de uma vez: este é apenas o começo. Estas que enumerei são meras dicas para que nos livremos um pouco, e temporariamente, do vício na satisfação fácil, do condicionamento químico-cerebral a que os smartphones e seus amigos nos submeteram. Mas eles estarão à espreita, bem como todos os muitos elementos da nossa cultura contemporânea. E sabem o que mais? Eles, na verdade, não são inimigos externos. Eles são aproveitadores e aumentadores de anseios profundos que estão em nossa própria natureza decaída. Os psicólogos modernos prestaram, sem dúvida, um serviço notável ao estudar a ansiedade e ao revelar aspectos da natureza humana antes pouco explorados. No entanto, a causa última da ansiedade não é apenas psicológica. Suas raízes são mais profundas.

A ansiedade pode assumir formas novas em uma civilização desordenada, e a nova era de adicção química é com certeza um ápice e um escândalo cultural e psicológico, mas, de um modo ou de outro, a acídia e a tibieza estiveram sempre presentes na condição humana. Como escapar da ansiedade que parece impregnar a vida contemporânea? A resposta passa por essas fórmulas rápidas e técnicas, por exercícios emergenciais. Mas e depois? Nossos verdadeiros propósitos de ano novo, de vida nova, comporão uma reordenação profunda do interior humano. Em sua raiz, ansiedades e frustrações nascem de desejos descontrolados, pois que, quando a alma não obtém aquilo que deseja, cai facilmente na tristeza e na angústia. A vida do homem é sempre uma busca pela felicidade, e não a felicidade mesma, não ainda, não neste mundo. Mas esforcemo-nos na caminhada.

Em primeiro lugar, saiamos dessa escravidão digital, desse dreno de vida que tanto se assemelha a um cenário de vícios. Limpemos o terreno, levantemo-nos, pois. Feliz ano novo!

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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