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A sucessão de grandes empresas em crise e as revelações da Polícia Federal (PF) sobre negócios suspeitos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, envolvendo o governo de seu pai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), começam a mudar a percepção de eleitores e estratégias de campanha.
Para a coordenação de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), a tendência é de o candidato crescer mais nas pesquisas, reduzir sua rejeição e minar o favoritismo da reeleição de Lula. Apesar de ainda não consolidar reviravoltas, as pesquisas indicam um início de tendência, que o PL chamou de "onda Flávio".
Pesquisas reforçam essa visão. No BTG/Nexus, Lula tem 41% e Flávio 37% no primeiro turno e 46% a 45% no segundo. Foram ouvidos 2.006 eleitores de 21 a 23 de agosto, com margem de erro de dois pontos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como BR-09028/2026.
Já o Datafolha aponta Lula 39% e Flávio 33% no primeiro turno e 47% a 43% no segundo. Foram entrevistados presencialmente 2.058 eleitores, de 18 a 20 de agosto, com margem de erro de dois pontos. Contratado por Folha de São Paulo e O Globo, o levantamento tem registro BR-04496/2026 no TSE.
Desgaste com investigações contra Lulinha cresce com crise empresarial
Esse ambiente foi sacudido pelo desgaste provocado pelas revelações da PF sobre Lulinha. A investigação apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência e aponta pagamentos feitos pela lobista Roberta Luchsinger, além de tratativas que teriam o filho do presidente como beneficiário indireto.
A polícia investiga um repasse de R$ 50 mil a uma agência de viagens que teria emitido passagens para Lulinha e Roberta, segundo divulgou o jornal Estado de S.Paulo. O alvo da investigação é uma sociedade oculta entre Lulinha e Roberta que tinha como objetivo firmar contratos milionários com órgãos do governo federal. A defesa de Lulinha nega cometimento de crimes e critica supostos vazamentos seletivos de conversas encontradas no celular de Roberta, cuja defesa não deu declarações.
O desgaste político coincide com outro flanco explorado pela oposição: a crise de empresas símbolo do Brasil. A Casas Bahia pediu recuperação judicial e a Braskem entrou em recuperação extrajudicial para renegociar passivo de R$ 54 bilhões, entre outras. O assunto já acendeu um alerta na campanha petista.
A associação de juros elevados, endividamento das famílias e empresas em apuros dá munição eleitoral à direita. Flávio tenta converter os casos em provas inequívocas de economia sufocada e à beira do colapso. Contra isso, promete austeridade, menos impostos e mais liberdade para empreender.
Temor com futuro da economia faz setor produtivo abrir portas para Flávio
Em paralelo, Flávio procura reduzir resistências do setor produtivo. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, promoveu encontros para aproximar o candidato do empresariado paulista. Sem declarar apoio explícito, o conhecido líder da indústria dá sinais de que teme pela aceleração da deterioração econômica.
Nesta semana, na Fiesp, Skaf afirmou que a agenda econômica apresentada por Flávio está alinhada a valores defendidos pela sua entidade, ressalvando o caráter apartidário. A campanha do PL já incorporou Adolfo Sachsida, Adriano Pires e outros nomes ligados ao mercado, energia e infraestrutura.
A aproximação alcança as áreas de óleo e gás. Daniella Marques e Adriano Pires participaram de almoço com empresários do setor, enquanto Flávio prometeu tirar o imposto sobre exportação de petróleo. No agronegócio, reforçou pontes em Barretos (SP), afastando o risco de nomes alternativos.
Ainda é cedo para falar em virada. Lula segue numericamente à frente na maioria das pesquisas e o mercado muda rapidamente de humor. Mas pesquisas apertadas, Lulinha, crises empresariais e sinais do setor produtivo recompuseram a percepção perdida há meses de que Flávio voltou à competição.

Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




