
Ouça este conteúdo
Flávio Bolsonaro (PL) gastou a maior parte dos 40 minutos de sua sabatina desta sexta-feira (16) na TV Globo para rebater conteúdos difundidos pela campanha e governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que associam a direita a arroubos autoritários e retrocessos democráticos.
A estratégia foi responder às acusações sem perder o tom moderado nem deixar que a agenda do rival ditasse a entrevista. Por diferentes frentes, Flávio mostrou compromisso com a legalidade, a ordem institucional e até com certo desapego pelo poder. As perguntas não o constrangeram.
As pressões para imputar ao candidato do PL suposta continuidade de um projeto de hegemonia iniciado pelo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cresceram desde que Flávio passou à frente de Lula para o segundo turno, somando-se a questionamentos que o perseguem desde sempre.
Com o desafio de gerir a vantagem dada pela primeira votação, contendo desgastes do vale tudo trazido por Lula e sustentando o favoritismo até as urnas no dia 25, Flávio negou que questionaria o resultado das eleições, caso seja derrotado. E ainda prometeu cumprir um só mandato até 2030.
No conjunto de respostas que deu, martelou que não dará cargos ao pai e ao irmão Eduardo Bolsonaro, visto como potencial chanceler, que não dará papel extraordinário às Forças Armadas, que tratará o acesso às armas como um direito de autodefesa e que aliados devem ser punidos se descumprirem a lei.
Além da pecha de inimigo da democracia, Flávio precisou ainda enfrentar a onda de fake news relacionada ao ajuste fiscal, reiterando novamente que programas sociais, aposentadorias e salário mínimo estão blindados. Para ele, choque de confiança, austeridade e eficiência darão equilíbrio nas contas.
Sabatina de Flávio serviu de treino para embate direto com Lula no domingo
Entrevistado na véspera, Lula deu a Flávio a vantagem de conhecer seus argumentos e explorar as suas fragilidades. O almoço do senador com a cúpula da Globo, confirmado como visita institucional, acrescentou um gesto de cortesia à disputa, sem envolver dirigentes do jornalismo da emissora.
As sabatinas funcionam como aquecimento para o primeiro confronto direto entre os candidatos, neste domingo (18), na Bandeirantes. Mais do que ensaiar respostas, elas permitem calibrar ataques e identificar vulnerabilidades. No debate, ambos terão de sustentar suas versões diante do adversário.
Lula busca a virada combinando anúncios de apelo popular, ataques à imagem de Flávio e mobilização nas ruas e nas redes. A ofensiva tenta converter medidas de governo em votos e ampliar o custo das propostas do rival. O desafio é transformar iniciativas desesperadas em adesão eleitoral.
Flávio precisa rebater acusações, moderar o entusiasmo e ajustar o discurso aos avanços de Lula no Congresso, como o fim da escala 6x1. Ao organizar manifestações públicas, busca preservar a mobilização. Sua tarefa é evitar que a cautela pareça passividade diante da ofensiva da máquina de governo.

Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




