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Sílvio Ribas

Sílvio Ribas

Eleições 2026

O que as 47 apostas de Flávio Bolsonaro revelam sobre o novo Senado

Filipe Barros e Flávio Bolsonaro
Filipe Barros (PL-PR) é uma das apostas de Flávio Bolsonaro para as eleições de senadores em 2026, que seguem estratégias diferentes conforme a realidade regional. (Foto: Alan Santos/Imprensa FB)

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Os 47 candidatos apoiados por Flávio Bolsonaro (PL) ao Senado espelham a estratégia do presidenciável e de seu partido para conquistar uma maioria conservadora para a Casa da Federação em 2027. Com 29 nomes, o PL lidera a lista, que com o restante revela esforço para garantir apostas competitivas.

A relação inclui nomes próximos ao senador e presidenciável, como Carlos Jordy (PL-RJ) e o irmão Carlos Bolsonaro (PL-SC). Mas também consagra alianças estratégicas com figuras bem diferentes entre si, como Arthur Lira (PP-AL), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Angelo Coronel (Republicanos-BA).

Os 18 candidatos que não pertencem à mesma legenda de Flávio e de seu vice Alfredo Gaspar (AL) estão distribuídos entre Republicanos, PP, PSD, União Brasil, PSDB, Podemos, MDB e Novo. O leque reflete uma política de alianças para ampliar a base direitista, mas com foco nas questões locais.

A predominância do PL confirma a meta da cúpula do partido de fortalecer a própria bancada, mas sem ignorar as limitações e os acordos regionais. Em estados onde outro partido apresenta candidatos mais fortes, a família Bolsonaro preferiu somar forças e não dividir votos de um mesmo campo.

A composição também evidencia identidade ideológica e ligações pessoais. Cerca de três quartos dos candidatos são explicitamente identificados com a direita, enquanto quase todo o restante se apresenta como centro-direita. Apenas casos isolados ocupam espaço mais moderado no espectro político.

Lista de candidatos aponta dois caminhos distintos para conquistas

Nos estados considerados mais inclinados à direita liderada pelo sobrenome Bolsonaro, a estratégia é agressiva, investindo em duplas de candidatos do PL para brigar pelas duas cadeiras abertas no Senado. É o caso de Distrito Federal, Santa Catarina, Goiás, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima e Sergipe.

Nas demais unidades da Federação, a prioridade recai sobre as alianças. Nos casos de São Paulo, Ceará, Tocantins e Pará, nomes do PL fazem dobradinha com os de partidos aliados, evitando a dispersão do eleitorado conservador e maximizando chances de vitória numa eleição majoritária de um só turno.

Há ainda a realidade dos estados historicamente mais difíceis para a direita, concentrados no Nordeste, como Bahia, Maranhão, Pernambuco e Alagoas. Neles, a lista de Flávio aposta em líderes de partidos parceiros por razões táticas ou com perfil mais amplo para melhorar a competitividade eleitoral.

A montagem que começou a ser feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) logo após o fim das eleições municipais de 2024 mostra que a estratégia da direita não tem padrão rígido. Ela alia fidelidade partidária e pragmatismo, adaptando alianças conforme o potencial do candidato e o cenário regional.

Meta do PL é confirmar as maiores bancadas na Câmara e no Senado

Boa parte dos apoiados por Flávio Bolsonaro para o Senado é vista como favorita nas eleições ou ocupa posições muito competitivas nas disputas estaduais, formando base sólida a partir de 2027. A lista tem figuras intermediárias, que ajudam a formar um bloco conservador multipartidário.

Se esse desenho se confirmar nas urnas e se Flávio for eleito presidente, ele poderá contar com uma bancada de senadores expressiva e ideologicamente alinhada. O tamanho dela poderá provocar e definir votações estratégicas, como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Com os 17 senadores alinhados à direita que continuarão no mandato até 2031, esse campo político iniciaria a próxima legislatura com força histórica. Se elegerem 25 dos 54 senadores em disputa, os direitistas alcançarão 42 cadeiras, a maioria absoluta, capaz de fazer o presidente do Senado.

Nesse cenário, o PL poderá conquistar a maior bancada de sua história no Senado, com 28 representantes, repetindo a maioria que deve manter na Câmara. Esse rearranjo daria a um eventual governo Flávio Bolsonaro o controle da agenda do Congresso logo a partir de fevereiro de 2027.

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