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A reunião da cúpula do PL em Brasília, nesta terça-feira (12), para definir o palanque do presidenciável Flávio Bolsonaro em Minas Gerais acabou sem o anúncio de seu candidato ao governo estadual. Ainda assim, consolidou movimento ditado pelo papel crucial do segundo colégio eleitorado do país.
Flávio, dirigentes e seus articuladores em Minas enterraram de vez a chance de composição com o governador Mateus Simões (PSD) e avançaram na aproximação com o Republicanos, do senador Cleitinho Azevedo, que há meses lidera todos os levantamentos para a disputa ao Palácio Tiradentes.
A decisão foi tomada por Flávio, o senador Rogério Marinho (RN), seu coordenador de campanha, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Estavam com eles os deputados mineiros Nikolas Ferreira, Domingos Sávio e Zé Vitor, além de Flávio Roscoe, cotado para disputar o governo mineiro.
Pesou contra a aliança com Simões as complicações trazidas pelo seu apoio à candidatura presidencial do ex-governador Romeu Zema (Novo), além do fato de o PSD ter seu próprio presidenciável, Ronaldo Caiado. Antes mesmo de se assumir como candidato, Cleitinho já havia declarado apoio a Flávio.
Candidatura própria do PL ao governo de Minas ainda não foi descartada
Com a intensificação do diálogo entre PL e Cleitinho, que estava sob ataque de setores da direita descrentes de sua credencial como gestor, entra na equação, além de Roscoe, o também empresário e ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli, outra opção para ser vice na chapa ao governo de Minas.
Medioli reúne atributos estratégicos, como forte presença na Região Metropolitana, discurso liberal-conservador e histórico de boa votação em áreas industriais. Além disso, seu nome é visto como capaz de dialogar com setores produtivos e ampliar a capilaridade eleitoral no eleitorado urbano.
Em paralelo, cresceu dentro do PL a leitura de que a aliança com Cleitinho pode garantir palanque mais orgânico para a direita no estado. O senador tem grande popularidade nas redes sociais e no interior mineiro, fator tido como decisivo por integrantes do partido, além do calendário mais curto.
Por enquanto, ainda está formalmente mantida sobre a mesa a chance de candidatura própria do PL ao governo de Minas, sobretudo com os nomes já postos de Roscoe e Medioli. Porém, analistas avaliam que tal saída perdeu força diante da dificuldade de consolidar rápido um nome competitivo.
Flávio deverá anunciar seu candidato a governador até o começo de junho
O PL quer anunciar até início de junho o candidato ao governo de Minas que apoiará. A estratégia inicial era formar frente no estado subordinada ao projeto nacional, evitando acordos com o grupo de Zema ou com Cleitinho, tido como independente, apesar dos gestos de lealdade aos Bolsonaro.
O avanço das articulações e a proximidade das convenções partidárias de julho levaram, contudo, à revisão desse plano. Líderes do PL passaram a considerar inevitável compor com Cleitinho diante do receio de cristalização da vantagem de Lula em Minas, estado decisivo para a eleição presidencial.
A pesquisa Genial/Quaest realizada entre 22 e 26 de abril mostrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno em Minas, contra 33% de Flávio. No segundo turno, a diferença cai para o limite da margem de erro de três pontos percentuais: Lula aparece com 42% e Flávio registra 41%.
Na disputa estadual, Cleitinho lidera todos os cenários, variando de 30% a 37% das intenções de voto. No quadro com 10 candidatos, soma 30%, à frente de Alexandre Kalil (PDT), com 14%, e Rodrigo Pacheco (PSB), com 8%. No segundo turno, também derrota todos os adversários avaliados.
O levantamento ouviu 1.482 eleitores, tem índice de confiança de 95% e registro BR-00430/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).









