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Baque Solto e sua cinematerapiareligiãoecarnaval
| Foto:
Miriane Figueira
A banda Baque Solto lança o primeiro disco com shows por Curitiba

A expressão “cinematerapiareligiãoecarnaval” significa algo como “tudoaomesmotempoagora”. É a multiculturalidade somada à instantaneidade das informações, características das sociedades modernas (esclareço aqui que, para mim, o pós-moderno não existe além dos bancos acadêmicos). Ou a cultura líquida, para emprestar o termo tão bem cunhado pelo polonês Sygmut Bauman, que deriva de Marx e a frase “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. Mas isto é muita viagem para um primeiro parágrafo que trata da música popular brasileira feita pelo grupo curitibano Baque Solto. Vamos tentar descer ao chão onde devemos dar vez ao corpo e dançar. Sejamos mais dionisíacos e menos apolíneos, como nos ensinou Nietzsche (é mesmo possível separar as duas coisas? Yin e Yang, recolhimento e expansão?).

Baque Solto nasceu em 2002 se apresentando em shows de bares e pequenos espaços tocando músicas de gente famosa. De uns cinco anos para cá, a experiência e a personalidade do grupo foram alforando e ele passou a compor suas próprias músicas. Já participou de diversos projetos e festivais e, para comemorar os dez anos de estrada lança o primeiro disco cujo nome, voltemos ao começo tal uróboro, é justamente “cinematerapiareligiãoecarnaval”.

O baque é solto, os sons são múltiplos, as influências diversas. Mas o caldo cultural resultante do cardápio antropofágico é uma saborosa delícia sonora. Colcha de retalhos feita de rendas.

Os músicos Doriane Conceição (voz), Marina Camargo (acordeom e teclado), Marcelo Pereira (baixo, guitarra, violão e programações) e Alexandre Rogoski (bateria e percussão), cozinham esse guizado “neotropicalista contemporâneo” (definição do texto de apresentação da banda) com muita técnica e paciência, que desaparecem sob uma roupagem entre divertida e bucólica.

No disco, aparecem ainda os músicos convidados Davi Sartori (piano e teclado), Oliver Pellet (guitarra), Candiê Marques (percussão) e o grupo Eu, Você e Maria.

As músicas, embora bem trabalhadas e executadas, transmitem uma naturalidade de água em riacho (é a água que desenha o riacho, ou o riacho é que conduz a água? Ah, o que importa?).

Na capa, uma ilustração mostra um manequim, sem rosto, mas com cartola e óculos escuros femininos, vestido de fraque e calcinha, luvas postas em um lado e um radinho seguro pela mão que falta do outro lado. Nas costas, colocado feito uma espada, aparece o braço do que parece ser um sangen, espécie de instrumento de corda tradicional japonês.

As músicas, voltemos, liquidificam ritmos e influências, mas com a predominância da sonoridade brasileira (que desde sempre foi uma mistura). Algumas com muito humor, como é o caso da letra de “Forrózen”, de Marcelo Pereira:

“Fim de semana pega fogo no forró do bem
Todo mundo iluminado
Todo mundo zen
Fim de semana pega fogo no forró do bem
É Hare Krishna Hare Hare-Vishnu também

O porteiro da festa diz pra multidão
Tenham “karma”
O garçom sai do corpo
e quebra um copo de “Shiva’s”

Iogues por todos os lados
Entram em transe
Desapego aos sentidos
Gurus chegam reencarnados
As moças dançam
Tremulantes vestidos

Mas de onde é que eles veem?
Do pico do Himalaia
Da sombra de uma naja
De tempos ancestrais
Aqui não tem ciúme
Nem ouro nem perfume
Nem bens materiais
Hare Krishna Hare Krishna Hare

E o forró foi tanto que levitou”

A referência à expressão “cinematerapiareligiãoecarnaval” aparece na bela canção “Boteco da Vila”, também de Marcelo Pereira. É mais simples do que a “filosofice” com que iniciei o texto. É mais pé no chão, ou melhor, mais pé-sujo, como o nome e a letra mostram:

“Tem um boteco lá na vila
Que é um reduto cultural
Se discute muita coisa
Papo de intelectual
Futebol, filosofia, religião e carnaval
Música, magia, meditação transcendental

E cerveja bem gelada sim senhor

Cinema, terapia, coca-cola e berimbau
Ilusão, fotografia, realidade virtual
Outras formas de energia, política habitacional
Folclore, ufologia
Esse boteco é bem legal

E cerveja bem gelada, sim senhor”

Pois o Baque Solto nesta quarta-feira (07/11/2012) se une à cerveja bem gelada sim senhor para o primeiro de uma série de shows que fará para o lançamento do disco. Esta primeira será no Wonka (Trajano Reis, 326 – Fone: 41 3014-6252). E, como se não bastasse e precisasse de um reforço, ainda terá a presença da banda Sincopé.

Os shows continuam pelo mês adentro. Nesta quinta (08/11/2012) a apresentação será no Bar Realejo (Rua Coronel Dulcídio, 1860, Água Verde, Fone: 41 3342-6072). No domingo (11/11/2012) estará na Virada Cultural dentro do Espaço Cultural Terreirão do Mundaréu (Rua Domingos Nascimento, 149, próximo ao Cemitério Municipal). E no dia 21, volta ao Wonka, desta vez acompanhada de Thayana Barbosa.

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