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Thiago de Aragão

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Guerra não-linear: o poder destrutivo da narrativa

  • Thiago de AragãoPor Thiago de Aragão
  • 08/05/2020 20:00
O presidente russo, Vladimir Putin, é um dos líderes que se utiliza da chamada “guerra não-linear”.
O presidente russo, Vladimir Putin, é um dos líderes que se utiliza da chamada “guerra não-linear”.| Foto: Mikhail Klimentyev/AFP

O documentarista britânico Adam Curtis fez um filme sobre Vladislav Surkov. Para quem não sabe, Surkov foi um dos grandes ideólogos do presidente russo Vladimir Putin, além de ter sido vice-primeiro- ministro da Rússia durante a Presidência de Dmitri Medvedev. Surkov explicou um pouco a Curtis como funciona a estratégia de narrativa de Putin, chamada por ele de "guerra não-linear".

A guerra não-linear não é algo exclusivo da Rússia. Ela pertence, sob diferente nomes, a todos os governantes e líderes que almejam controlar a narrativa política de um país, colocando-se como detentores da agenda de vitórias e derrotas do governo, bem como "narradores" e testemunhas oculares dos avanços do inimigo (ou oposição) contra seus governos.

Trata-se de uma estratégia de narrativa política em que o governante alerta a sociedade sobre a existência de um conflito sem identificar claramente quem é o “inimigo” (que pode ser uma ideia ou um conceito) ou o que ele quer, e também sem oferecer uma expectativa de duração para essa "guerra".

Nesse momento, o narrador é o próprio governante. É ele que se mantém definindo o status do combate para a coletividade. Estamos vencendo? O inimigo está se fortalecendo? Estão conspirando contra nós? Ex-aliados sempre estiveram contra nós para nos prejudicar?

A ausência de evidências sobre essa "guerra" faz com que parte da sociedade a acompanhe como uma série televisiva, torcendo contra ou a favor, baseando-se credulamente na narrativa dos "fatos" apresentados pelo governante.

A contradição constante gera dissociações e caos nos meios de comunicação, tornando-os não-confiáveis para grande parte da sociedade, já que a interpretação de um embate – que nunca é mensurável – não é feita de forma técnica ou empírica.

O surgimento de fatos positivos, melhoras na economia ou nos indicadores de desemprego, por exemplo, é adaptado ou moldado pelo governante, que transforma os elementos em sinais de que "a guerra está sendo vencida". Erros praticados pelo governo são apresentados como "contra-ataques do inimigo para nos prejudicar".

A vantagem para o narrador principal – o governante – é que ele atribui as vitórias à sua genial estratégia, e suas derrotas, à força e ao poder do inimigo. Assim, não existem erros cometidos por ele, apenas dificuldades em lidar com a resistência encontrada ao liderar um país em um conflito "mais difícil do que imaginávamos".

Qualquer opositor ao governo encontra uma enorme dificuldade em confrontar essa narrativa, pois não consegue atribuir a essa "guerra" nenhum aspecto de realidade.

Os argumentos da oposição se baseiam na "insanidade" ou na subjetividade da narrativa do governante. A resposta do governante para a oposição (nova ou antiga) é que suas lideranças representam “agentes” do oponente subjetivo contra o qual estamos lutando. Portanto, é natural que critiquem o governo, pois o que desejam mesmo é o seu fracasso.

O controle da narrativa dentro dessa estratégia só funciona com apoio popular. A transferência de reflexão de parte da sociedade para o governante faz com que essa parcela dos cidadãos não precise chegar, por conta própria, à conclusão alguma sobre a veracidade ou intensidade da "guerra" em questão.

Ela deixa de funcionar quando fatos inesperados surgem, tornando impossível a percepção popular sobre erros cometidos pelo governo que não poderiam, de forma alguma, ter origem na oposição ou no "inimigo".

Por mais que a negação de um problema inesperado seja a estratégia imediata – até mesmo como autodefesa –, ela não se sustenta caso esse fato inesperado e negativo se torne desproporcional perante outros temas e atinja em cheio os resultados positivos conquistados anteriormente pelo governo.

8 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
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Comentários [ 8 ]

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  • C

    claudine oliveira

    ± 2 horas

    Com mandato ou sem ele, a nossa vida é um constante exercício da influência. O grande líder dependerá do sábio relacionamento com as pessoas que o rodeiam. Ele não exige respeito. Ele administra o respeito que os outros lhe dão voluntariamente. São qualidades que o presidente não possui, porque quer impor o seu ponto de vista a qualquer custo. Da forma como age e reage, ele só tem condições de dirigir a si mesmo, um narcisista patológico. Sentir ciúme e inveja de seus auxiliares? Quanta mediocridade!

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    • I

      Isaac Zabini dos Santos

      ± 4 horas

      Excelente! Parabéns pelo texto..

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      • A

        Antônio Carlos

        ± 5 horas

        São também agentes do mal, torcem contra o governo do mito, as ONGs, o Maia, a Globo, o Mandetta, os meninos de rosa, os que acreditam que a terra é redonda, a velha política, o Doria, a Folha de São Paulo, os nordestinos, os homossexuais, as meninas de azul, os comunistas, a imprensa, os governadores, o PT, etc....

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        • C

          Cidadão Brasileiro

          ± 7 horas

          O texto é uma carapuça sob medida para Bolsonaro. Há sim método na sucessão de sandices que usa para fazer barulho todo o dia. Incautos e fanáticos lhe passaram procuração para “pensar” por eles. Porém, sabe-se, existe algo infalível para tirar da catatonia: o bolso vazio. Não por acaso, o desespero com as potenciais consequências políticas da covid19, a ponto de se legar ao secundário a própria vida.

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          • J

            Jarbas Paranhos

            ± 10 horas

            Excelente texto!!!

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            • A

              ATTILIO SALVADOR MELLUSO FILHO

              ± 10 horas

              Isto aconteceu e acontece em nosso país

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              • L

                Leonardo Ferreira

                ± 15 horas

                Na mosca, estratégia usada por Lula e por Bolsonaro.

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                • T

                  TIAGO SILVA

                  ± 16 horas

                  Ótimo texto Thiago. Vemos uma narrativa de "guerra não linear" todos os dias, várias vezes, no Gov Bolsonaro. Mas como vc comenta, até qdo e sustentável essa posição? Estamos acumulando 10k mortes hj e nosso foco é o STF, Moro, a Mídia entre outros...

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