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Thiago de Aragão

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Negociação entre Estados Unidos e China ganha uma nova dinâmica

  • PorThiago de Aragão
  • [29/03/2019] [20:00]
O vice-primeiro-ministro da China, Liu He, aperta a mão do secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin. Os dois estão acompanhados do diretor do banco da China, Yi Gang, e o representante para o comércio dos EUA, Robert Lighthizer (Foto: Nicolas Asfouri/ Pool/ AFP)
O vice-primeiro-ministro da China, Liu He, aperta a mão do secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin. Os dois estão acompanhados do diretor do banco da China, Yi Gang, e o representante para o comércio dos EUA, Robert Lighthizer (Foto: Nicolas Asfouri/ Pool/ AFP)| Foto:

A negociação liderada por Robert Lighthizer, pelo lado dos Estados Unidos, e Liu He, pelo lado chinês, caminha para mais um round. Lighthizer está em Pequim conversando particularmente sobre três pontos. Na semana seguinte, Liu He deverá ir a Washington prosseguir essa conversa. O diálogo entre os dois países se mantém ao redor de três temas, divididos em subcategorias. O primeiro versa sobre as importações que a China deve aumentar, visando diminuir o déficit na balança comercial. Esse foi o argumento base de Trump para iniciar todo o processo de negociação com a China. Para seus assessores, e até para seu secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, essa questão é relevante, embora não chegue perto da relevância dos outros dois pontos.

O segundo tema é relacionado à propriedade intelectual e à participação direta do governo chinês para privilegiar suas empresas, uma forma de competição vista como desleal pelos americanos. Este tema é muito mais complexo, pois mexe com a estrutura geral da política de estado chinesa. Um modelo que vem funcionando para eles há décadas.

O terceiro tema dentro do pacote de negociações diz respeito a quais mecanismos poderão ser utilizados para que os EUA sintam segurança de que a China honrará os compromissos enquadrados no segundo tema.

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O primeiro tema que é disparado o mais fácil a ser solucionado, é o que impacta mais diretamente a países como o Brasil. Liu He, em visita anterior aos EUA, deixou claro que a China está disposta a aumentar importações americanas, visando equilibrar a balança comercial entre eles. Soja, carne e frango estão entre as principais opções para crescer nas importações. Nesse sentido, vivendo uma desaceleração na sua economia, a China dificilmente aumentará a quantidade total de importações globais de soja, ou seja, muito provavelmente, ela deixará de comprar de algum outro mercado para arrematar tudo nos EUA.

Hoje a China importa US 20 bi por ano em produtos agrícolas. Para satisfazer o acordo proposto por pelos EUA, teria que ampliar em mais de 100% essa quantidade e chegar a US 50 bi de dólares por ano. Nesse ponto, o Brasil poderá ser um perdedor, já que não oferece condições vantajosas, tais como infraestrutura de escoamento, logística, burocracia simplificada para manter o fluxo de exportações que os EUA podem oferecer. Além disso, a China não tem capacidade de absorver tudo o que importa do Brasil mais o que terá de importar dos EUA.

Caso passe a comprar carne bovina dos EUA, a China certamente terá de diminuir ou colocar em valores simbólicos o que importa do nosso país.

O segundo tema destaca-se por sua complexidade. Envolve questões de segurança nacional para ambas as partes e afeta políticas públicas de médio e longo prazo por parte dos chineses. Investindo pesadamente em Inteligência Artificial e computação quântica, os chineses sabem que sua vantagem nessas áreas se deu pela forma como encaram o aspecto da propriedade intelectual. Um ambiente similar ao ocidental para competição entre empresas não faz parte do repertório deles.

A intervenção direta que praticam no avanço e regulação de certas tecnologias provoca que empresas como Huawei sejam vistas pelos EUA e por vários países ocidentais como privada e estatal ao mesmo tempo. A prisão da herdeira da empresa no Canadá, Meng Wanzhou, diminuiu bastante a intenção chinesa de flexibilizar esse ponto até o minimamente aceitável pelos americanos. Como contrapartida, concordam em importar ainda mais e em buscar alguma flexibilização, porém dentro do setor privado no país.

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O terceiro ponto, que trata da aplicação e monitoramento dos pontos anteriores, depende, decididamente, de um acordo no segundo. Esse é o aspecto onde Lighthizer se mostra um forte negociador e a razão pelo qual o Presidente chinês Xi Jinping ter escolhido Liu He como contraparte. Duro nas negociações, He vem sendo capaz de segurar com a mão firme a regulação da propriedade intelectual.

O timing está em aberto. Em fevereiro, os dois países sinalizaram que poderiam estar perto de um acordo. Apesar de um rascunho do documento circular entre altas-rodas de Washington e de Beijing, por enquanto o tempo está a favor dos dois lados. Com a ausência de culpabilidade recém-comprovada pelo relatório do procurador geral Robert Muller, Trump vive um momento de tranquilidade inédito desde que assumiu a presidência. Obter um acordo com a China mais ao fim do ano pode trazer resultados positivos para seu pleito presidencial em 2020.

Pelo lado chinês, enquanto não se mexer na área de propriedade intelectual, melhor. Quanto mais conseguirem enrolar a finalização desse acerto, mais tempo essa área se conserva protegida.

No que se refere ao Brasil, a Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, irá a China no próximo mês. Por sua vez, o Presidente Bolsonaro visitará o país no segundo semestre. Nosso setor de agribusiness já se encontra tenso com os possíveis impactos das negociações entre os dois grandes. Um acordo finalizado a curto prazo, mesmo sendo acompanhado há muito tempo, traria um impacto negativo para o Brasil. A demora em chegar a um entendimento poderá nos beneficiar.

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