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Como ficou a lista dos 50 melhores restaurantes do mundo 2021
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Impossível não escrever mais uma vez sobre o The World’s 50 Best Restaurants, um dos mais importantes prêmios do universo da gastronomia. Volto ao assunto porque acabou de ser divulgada a lista dos restaurantes mais votados 2020/2021, na cidade de Antuérpia, na Bélgica.

A festa foi um momento importante para celebrar a alimentação fora de casa, setor extremamente prejudicado com a pandemia. “Todos são vencedores”, disse o chef Rasmus Kofoed do restaurante Geranium (segundo lugar na lista), em Copenhagem. No evento foram lembradas as várias casas que encerram suas atividades, com tristeza pensei nos restaurantes do grupo de Albert e Ferran Adrià. Também teve homenagem aos grandes chefs que faleceram. Um vídeo mostrou como a organização do prêmio ajudou várias casas ao redor do mundo com o 50 Best Recovery. Uma alegria ver o Baiano, do Quintana Gastronomia de Curitiba, na tela, um dos restaurantes que receberam ajuda financeira.

Melhores

Começo lembrando que quem é o primeiro colocado não é o melhor restaurante que existe no mundo. Quem afirma são os próprios donos de restaurantes que chegam ao famoso pódio. Rene Redzepi, por exemplo, do premiado Noma, em Copenhagem, na Dinamarca, disse isso mais uma vez na entrevista coletiva após a cerimônia de premiação. Ele, que já ocupou esse posto quatro vezes anteriormente respondeu a pergunta sobre qual era o segredo do sucesso de ser o número 1 mostrando no Instagram a enorme equipe que sustenta o restaurante.

Se o primeiro lugar não é o melhor do mundo, então isso vale para todos os outros postos? Sim. Mas sem dúvida, o ranking aponta uma tendência de gosto, pelo menos das mil pessoas que formam o júri. É um recorte baseado nas preferências de especialistas.

Também é uma lista respeitada, estar nela representa um movimento incrível para o local e holofotes durante muito tempo. Conheço vários restaurantes da lista e afirmo que alguns são incríveis, como o Asador Etxbarri (terceira posição), Frantzén (6), Mugaritz (14), Elkano (16), o brasileiro A Casa do Porco Bar (17), Septime (24), Quintonil (27), entre muitos outros.

Por que são melhores?

O que eles têm em comum? Boa comida, excelente em muitos casos, já o estilo é variado, destoa e gera críticas. Algumas pessoas acham que não poderiam estar na mesma lista um restaurante informal ao lado de outro sofisticado e mais caro. Mas a premiação é isso, e é totalmente diferente do Guia Michelin, por exemplo, onde a comida é apenas um dos itens avaliados, um restaurante estrelado pode ter uma comida simplesmente ok, às vezes até ruim, e não incrível como se esperaria.

Alguns restaurantes não entraram porque fecharam durante a pandemia e jamais ficariam de fora, como El Celler de Can Roca, mas seus chefs participaram da festa. Aliás, acredito que a pandemia fez a lista ficar pulverizada entre muitos países, 15 com uma indicação apenas, e bem diferente dos anos anteriores.

Brasil

Porque o Brasil não tem mais casas na lista é outra pergunta que sempre ouço. Sofremos pelas inúmeras carências, falta de apoio governamental, que opta em ajudar outras áreas, tamanho do país, sem falar que os dois últimos anos foram uma catástrofe por aqui. Teríamos que convidar jornalistas e influenciadores para visitar nossas casas, mas quem viria ao Brasil de tantos mortos pelo Covid? Neste ano, valeram também os votos em casas visitadas antes da pandemia.

Temos a impressão de que nós ficamos muito atrás dos nossos países vizinhos, não é bem assim. É preciso lembrar que o Peru e a Argentina são destinos gastronômicos, o Brasil tem as chamadas belezas naturais e praias em destaque no turismo, sem falar no futebol. O Peru investiu pesado na gastronomia e tem apenas um restaurante a mais do que nós se considerarmos a lista dos 100 melhores. Brasil tem quatro, Peru tem cinco, estão melhor posicionados é preciso admitir. Empatamos com a Dinamarca, Tailândia e Hong Kong. Um forte patrocinador local quem sabe conseguisse reverter isso.

Diluída, a maioria dos países tem apenas um representante. A Espanha continua favorita, com 10 restaurantes, seguida do Japão (8), França (7), Estados Unidos (7) e Londres (6), também considerando a relação dos 100 melhores, se minhas contas feitas rapidamente não estão erradas.

Muitos chefs brasileiros reclamam a falta de união entre os profissionais envolvidos e apoio. Agora esperamos que o ranking da América Latina seja mais justo. A festa será em três países simultaneamente no dia 22 de novembro. São Paulo sediará aqui. Este ano é o último do jornalista Josimar Melo como responsável pelo júri nacional. Rosa Moraes assume o posto a partir do próximo prêmio.

A Casa do Porco

Lamentamos os poucos brasileiros na lista e festejamos não só a permanência como a subida de 22 posições da A Casa do Porco, na 17. colocação. Um reconhecimento. “É uma honra estar nesta lista ao lado de grandes chefs do mundo. Penso que esse prêmio é para todo o Brasil, para todos os chefs e restaurantes do nosso país, que representam tão bem a nossa gastronomia. E espero que tão logo a gente possa ter mais brasileiros entre os 50 melhores do mundo”, afirmou Jefferson Rueda.

Dos 50 chefs donos dos restaurantes nomeados, 48 compareceram à cerimônia, apenas aqueles impedidos pela pandemia não estavam presentes. Os outros restaurantes brasileiros na lista dos 100 melhores são o D.O.M.; Oteque; Lasai.

A Casa do Porco
Rua Araújo, 124, República
São Paulo - SP
Telefone (11) 3258-2578.
www.acasadoporco.com.br
@acasado porco @jeffim_rueda @janainarueda1 @sitio_rueda

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