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Ile de France resiste e se reinventa
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Calhou de eu ir jantar com o André Bezerra, se tem alguém que não gosta dele desconheço, é como avançar casas no jogo de uma noite descontraída. Fomos ver de perto o novo Ile de France.

Depois de mais de 60 anos na praça 19 de março, o Île mudou de endereço. E tem muita história, conversa, trabalho e planejamento até o novo formato de administração tomar aquele canto refinado onde a icônica torre Eiffel em miniatura se instalou, é claro que ela foi pra lá.

Um complexo de moradias, escritórios e lojas – um boulevard no Batel – abriga o restaurante desde o final de dezembro. Até parece outra cidade. Lamento que o nosso centro não ande como o de São Paulo com vários novos restaurantes ocupando ruas e prédios históricos. A região que luta pra se reinventar perdeu pontos.

Fui recebida pelo Sílvio. O funcionário mais antigo do tradicional endereço francês de Curitiba, que já ocupou várias funções ali, agora te espera no estacionamento e abre as portas. Sorriso no rosto vai contando como gostou da mudança. Não é o único, o Ile, como é conhecido dos locais, está lotado todos os dias.


Como ficou

Quando você entra no novo espaço é andar um pouco pelo túnel do tempo até perceber o sopro contemporâneo que fez a casa sobreviver – trabalho da arquiteta Anna Letycia Loyola, acompanhada por Márcia Oliveira, que teve a ideia de não deixar o Île fechar. Já conto.

viagem começa com a música francesa de fundo no decibel adequado e com o sofá redondo na entrada que chama pra sentar; já o bar classudo convida a  fazer um drinque acompanhado de uma entradinha, sim também é possível uma passagem rápida por ali, assim como dividir algum dos pratos clássicos bem-servidos; a antiga porta da cozinha esfolada pelos pés dos garçons para abri-la enfeita uma paredes; as mesas juntinhas que lembram os bistrôs parisienses também estão ali; o corrimão da escadaria da entrada e as panelas em cima da lareira como na antiga casa idem; a sala pra pequenos grupos chama uma comemoração íntima; as paredes vermelhas e as luminárias, testemunhas de muitas conversas por  69 anos, atraem o olhar; e os anfitriões - Márcia e Bruno - estão atentos a tudo, é pista para sucesso.

Ile de FranceIle de France

Os responsáveis


Márcia Oliveira
, da agência de marketing MMO, ao lado de Bruno Lacombe Miraglia, parceiro de vida, são os responsáveis pela mudança e novo formato da casa que agora tem nove sócios, alguns que preferem sigilo. Jean Paul e Clara, da família que fundou e cuidou do restaurante até agora, entre eles.

Lembro bem quando a Márcia me contou empolgada que assumiu pra si a incumbência de não deixar o Ile de France fechar. Sim, a casa iria fechar, pois os descendentes do casal não tinham interesse em tocar.

A história do local começou com Emile e Janine Decock, franceses da Normandia, que primeiro abriram um café na Cruz Machado e logo depois o restaurante em 1953, na Alameda Muricy. Saiam de uma França em guerra. Quatro anos mais tarde, a casa que ficaria famosa chegava na chamada “praça do homem nu”, na rua Riachuelo, centro antigo de Curitiba. O filho do casal, Jean-Paul Decock, e sua esposa Clara assumem a administração na década de 70.

O colunista da Pinó, Reinaldo Bessa, contou essa história na sua coluna “Monsieur Decock segue firme”. Vale ler e também prestar atenção em algumas preciosidades nas paredes, como a foto da autorização da Polícia Federal e do Ministério da Justiça para a reprodução de músicas no recinto. Registro de tempos sombrios da ditadura militar, que muita gente acha que não existiu.

Saí sem as conchinhas de chocolate que acompanham a trajetória do Île desde o início, ah uma desculpa pra voltar, em breve estarão por lá, soube, e eu também. Não esquece de perguntar pro André Bezerra o que ele achou.

Serviço
Ile de France
Onde: Avenida do Batel, 1.550 - Batel (serviço de valet – estacionamento Estapar)
Quando: de segunda-feira a sábado, das 19h às 23h
Mais informações: @iledefranceoficial ou WhatsApp (41) 3223-9962

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