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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 30/10/14 3:03:11 PM
Foto: Reuters.

Foto: Reuters.

O Banco Central, quem diria, foi um dos assuntos mais importantes da eleição que passou. Isso graças ao pessoal de Marina Silva, que acabou nem passando para o segundo turno. Será que teve a ver com sua proposta de independência do BC? Pode ser. Não que a população em si repudie a proposta (novidade para muita gente, e assunto um tanto esotérico), mas isso levou a candidata a passar por amiga de banqueiros, graças à agressiva campanha petista. Ironicamente, agora cogita-se que o presidente do Bradesco seja ministro da Fazenda de Dilma. A presidente não confirma mas já disse que “gosta muito” dele.

A tese petista (endossada por Requião, aqui no Paraná) é de que o BC independente cairia inexoravelmente nas mãos do mercado e tenderia a defender o lucro de meia dúzia, ao invés dos interesses da maioria. Pode ser, pode não ser. Se você indicar pessoas sérias, não há porque crer que elas se venderão assim tão fácil. E o BC continuará atrelado a metas, só terá independência para decidir como atingi-las. No calor da hora, porém, vá explicar isso…

O problema, me parece, da tese do BC independente é outro. É o de querer dizer que a economia é algo tão importante que não pode depender de simples mortais como nós. Deve ficar restrita às decisões de adultos responsáveis e inteligentes capazes de compreender coisas que nós não compreendemos. Eles, os economistas. Eles, os sábios. Como se a economia fosse intrinsecamente algo diferente do restante das áreas em que a política atua. Uma ciência inatingível.

É óbvio que conhecimento de especialistas é algo muito útil e que eu e você, e a maioria dos brasileiros, não temos condições de disputar com profissionais da área em temas mais áridos. Eles certamente sabem mais do assunto e, falando francamente, fosse eu o ministro da Fazenda e este país já teria ido à bancarrota facilmente. Várias vezes. Mas não é esse o ponto.

Saúde pública também é assunto para poucos. O mesmo vale para educação. Ou para turismo. E, no entanto, ninguém advoga que se coloque um pedagogo com independência do presidente no Ministério da Educação. Nem vi alguém dizendo que seria fundamental ter um sanitarista com mandato fixo e alternado com o do presidente no Ministério da Saúde. Turismólogos, então, nem se fala.

Claro que alguém poderá dizer que a economia é algo mais complicado. Debêntures, derivativos, mercados financeiros, investimento estrangeiro direto etc são coisas que exigem realmente muito estudo. Mas, e aqui vai o mais importante, não são uma ciência que deveria estar separada da decisão política. Principalmente porque não há a “ciência econômica”, esse monolito em que os técnicos simplesmente fazem cálculos e usam leis universais para chegar a conclusões unânimes e sem falhas. A economia é uma ciência, mas não uma ciência exata.

Há diversas escolas de economia, e cada uma trata uma crise, trata a inflação, trata o crescimento econômico de um jeito. E nenhuma delas está “certa” 100% das vezes. Porque não existe isso. Não é assim que funciona. Economistas podem errar como qualquer outro. E as decisões podem ser melhores ou piores mesmo seguindo as boas práticas. E, portanto, não se pode confiar que é só deixar na mão do especialista que ele resolver.

Claro: não é o caso de fazer um plebiscito a cada vez que for se decidir a Selic. Mas tratar isso como se fosse algo em que não podemos nem devemos dar palpite é o que o economista Ha-Joon Chang, sul-coreano, em seu Economics, the User Guide, ainda inédito no Brasil, a insistência em teses do gênero vem da desconfiança de que políticos são pessoas de má fé, que a política sempre se curva aos interesses errados e, mais, da certeza de que os economistas, pelo contrário, são pessoas de boa fé e incapazes de errar.

A ideia é a da “despolitização” da economia. Dizer que aquele é um assunto sagrado, e nós, como leigos, não podemos botar a mão. Ora, eu quero saber se o BC estiver errando, e é evidente que um debate com 200 milhões de pessoas é mais rico do que um debate com um pequeno grupo de diretores fechados numa salinha com ar-condicionado. Por que não? Em nome de qual teoria isso deve sair de nossas mãos?

Chang diz, inclusive, que os próprios economistas de livre mercado são os maiores detratores da política. Fazem questão de sujar o mais possível o nome dos governantes e de qualquer um que se envolva com política. Assim, fica claro quem é que deve mandar. Faz sentido.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 29/10/14 11:03:02 AM

Da coluna Caixa Zero, publicada nesta quarta-feira, na Gazeta do Povo:

O deputado estadual Plauto Miró, do DEM de Ponta Grossa, cristalizou nesta semana em uma frase lapidar o pensamento de boa parte dos eleitores antipetistas. Anotada pela imprensa, a frase ficou assim. “Quem pensa votou no Aécio. Quem tem dificuldade no pensamento votou na Dilma.” O registro do jornal Folha de Londrina diz que o deputado foi alertado pelos jornalistas sobre “a gravidade de sua declaração”. Avisado, manteve o que disse.

Segundo Plauto, os dados estão aí para quem quiser ver. O eleitor de Dilma é menos escolarizado, “menos favorecido”. E, assim, tem “dificuldade no pensamento”. Há duas lógicas possíveis para o raciocínio de Plauto. Ou ele pensa de antemão que essas pessoas em geral têm dificuldade no pensamento. Ou foi o voto em Dilma, que não era a candidata dele, que o fez pensar assim. Pouco importa. O que importa é que pobreza, dificuldade de pensamento e voto no adversário estão aqui intimamente ligados.

Não foi a primeira vez que o deputado entra em discussão do gênero. No início da campanha, a Associação Comercial de Ponta Grossa lançou uma cartilha defendendo que os beneficiários do Bolsa Família tivessem temporariamente suspenso seu direito ao voto. Questionado sobre a ideia, Plauto ficou em cima do muro. Nem contra, nem a favor. “Acredito que as pessoas recebem esse dinheiro gratuitamente e é preciso discutir modos de impedir que isso seja usado politicamente”, disse ao blog desta coluna.

O pensamento de que o voto do povão é impensado e irracional impera nas redes sociais. Nos últimos três dias, houve um festival da esculhambação do povo brasileiro na internet. Pobres (em geral), nordestinos (especificamente) e beneficiários do Bolsa Família (com ênfase ainda maior) viraram saco de pancadas de quem não aceita a eleição de Dilma. Os mais histéricos falaram em separação do país.

Assim, o deputado Plauto, embora considere os eleitores de Dilma como fracos de pensamento, é no final das contas um moderado comparado a outros antipetistas. Para outros mais radicais, além de serem ruins de raciocínio, os pobres são um estorvo. Cortar fora as regiões “menos favorecidas” ou simplesmente se livrar deles de alguma maneira (nem que seja só como eleitores, como propôs o empresariado pontagrossense) são maneiras de se livrar desse peso morto. E o que devia ser uma mera divisão política se torna o desejo de um apartheid.

Quem estuda política a fundo explica que o voto do eleitor mais pobre (assim como o do mais rico) é bastante racional. O sujeito compara não só as propostas e os candidatos mas também a sua própria vida antes e depois dos atuais governos. Pode até não saber o que é fruto da sorte, ou do governo estadual, ou do governo federal. Mas vê se a coisa está melhor ou pior do que antes para o seu lado e toma uma decisão razoavelmente calculada.

Mesmo que não fosse assim. Eleição não é prova de matemática, em que existe um gabarito. O que está em disputa são projetos políticos diferentes, e a eleição é justamente o momento em que o eleitor decide qual desses projetos prefere. Trata-se de uma disputa não só entre políticos, mas entre ideias diferentes de como o país deve ser gerido. Quem tem seus interesses contrariados, numa democracia, tem de saber engolir em seco e esperar mais quatro anos para provar que seu projeto é melhor. Dizer que o eleitor do outro lado não sabe pensar (ou odiá-lo, como se vê nas redes sociais) é um passo perigoso para a convivência social.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 28/10/14 11:06:08 AM

Lula_010313

A birra entre os petistas e a classe média surge já na origem do partido, nos anos 1970 e 1980. Lula e outros “companheiros” fundaram o PT durante o processo de redemocratização com a ideia de representar o operariado. Lula havia comandado greves históricas no ABC e assim virara líder político. Na base do partido, vários intelectuais davam o suporte teórico com base na teoria da luta de classes.

A classe média, vista por muitos no partido como sendo cúmplice nos sofrimentos do povo mais pobres (inclusive por ter, em parte, apoiado a ditadura militar que reprimia os sindicatos e as manifestações) era um dos alvos das campanhas dos petistas. Nas primeiras eleições, Lula e seus pares usavam um slogan parecido com o do atual PSTU. O número de urna do PT era o 3, e o slogan dizia: “Vote no 3 que o resto é burguês”.

Muito tempo se passou até que o PT chegasse ao poder, em 2002. E nessas mais de duas décadas, a crítica à classe média foi amenizada. Até porque boa parte dos votos do partido passou a vir justamente dos setores médios urbanos, principalmente em cidades como São Paulo, Porto Alegre e Fortaleza. Setores do partido, porém, mantiveram a posição de crítica à classe média, que até hoje domina o discurso de intelectuais ligados à legenda.

Mas quando assumiu o governo, no primeiro mandato de Lula, o partido se viu de situação de escolher as políticas públicas que adotaria. E, desde cedo, deu preferência aos pobres e miseráveis, que efetivamente vinham sendo historicamente relegados a segundo plano por outros governos (quem não se lembra do discurso de que primeiro era preciso esperar que o bolo crescesse, para depois dividi-lo?).

O PT apostou no Fome Zero, depois no Bolsa Família, fez uma política de valorização do salário mínimo e ganhou a simpatia de milhões de brasileiros que não tinham nada – ou tinham muito pouco. Por outro lado, como se sabe, governar é fazer escolhas. E se deu ênfase na melhoria de condições dos mais pobres, o partido acabou não dando a mesma ênfase na melhoria de condição da classe média.

Não que a situação não tenha melhorado. A manutenção da estabilidade da economia ajudou e muito. Programas como o Ciência sem Fronteiras beneficiam gente de várias faixas de renda. A política de estímulo à indústria, com redução de IPI, facilitou a compra de bens materiais. O Minha Casa, Minha Vida, facilitou a compra de casas para quem ganha até R$ 5 mil.

Mas não há como negar que parte da pauta da classe média ficou parada. E cientistas políticos veem também um lado mais complicado da relação. O PT, segundo Renato Perissinoto, da UFPR, por exemplo, quebrou três “monopólios” importantes da classe média: o do carro, o do aeroporto e o do diploma. Quem nunca ouviu gente dizendo que aeroporto virou rodoviária? E houve até comentarista na tevê que disse que a culpa do trânsito era por darem carros para o pessoal mais pobre.

Assim, ao não se ver tão contemplada e ao ver certos privilégios anteriores diminuírem (por exemplo, com a obtenção de direitos trabalhistas por parte dos empregados domésticos), a classe média teria se sentido deixada de lado pelo governo.

Ou seja: trata-se de um preconceito de mão dupla, que vai do PT (principalmente nos anos iniciais) em relação à “burguesia”, e que hoje se traduz em um preconceito da classe média contra o PT por ser um partido que dá preferência aos pobres. E daí surgem os mitos do cidadão vagabundo que não trabalha e vive só do Bolsa Família (com rendimento médio de R$ 159 por mês…), entre outros.

Perissinoto aposta que até mesmo o discurso antipetista baseado na crítica à corrupção vem daí. “Não é a corrupção que separa o PT de outras legandas. Mas isso é usado para dar vazão a essa insatisfação”, diz. Adriano Codato, da UFPR e Fábia Berlatto vão mais longe e dizem que isso traduz um “racismo de classe”.

Agora, resta a Dilma tentar afagar a classe média e conquistá-la. Primeiro, para evitar que seu governo seja marcado por protestos e críticas azedas demais. Segundo, para tentar fazer o seu sucessor, daqui a quatro anos. O que não vai ser fácil.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 27/10/14 3:49:17 PM

bolsa familia

O Bolsa Família vem se tornando há tempos um dos assuntos mais discutidos da política nacional. Em parte, porque (algumas) pessoas que não recebem o programa se revoltam por estar tendo de contribuir para a manutenção do programa. Mas, afinal, quanto custa o Bolsa Família para cada brasileiro.

O programa custa hoje cerca de R$ 2 bilhões por mês. Isso significa cerca de R$ 24 bilhões por ano. Considere que somos quase 200 milhões de habitantes no país. Fazendo a conta, isso significa um custo de aproximadamente R$ 120 por ano por pessoa. Ou, se você preferir, R$ 10 por mês.

Isso, no entanto, não significa que mesmo esses R$ 10 estejam saindo diretamente de seu bolso para a manutenção do programa. Primeiro, porque não existem só impostos sobre pessoas físicas no país. Existem tributos sobre pessoas jurídicas. Vamos supor que a arrecadação seja em média de dois para um. Quer dizer que cada pessoa física contribuiria com pouco menos de R$ 7.

Mas o Estado não tem só impostos como fonte de arrecadação. Tem também os títulos, os dividendos de estatais etc. Isso quer dizer que, para chutar alto, em média cada brasileiro gastaria R$ 5 por mês com o programa.

A contribuição não é igualitária. Se você estiver no alto da pirâmide, poderá pagar mais do que isso. Se estiver abaixo, contribuirá com menos do que os R$ 5 mensais.

E, é preciso lembrar: cobram-se impostos sobre esses R$ 24 bilhões, o que significa que boa parte volta para o caixa do governo, mantendo estradas, universidades, aeroportos e outros serviços que você também utiliza.

Ou seja: o dinheiro a fundo perdido que sai do seu bolso é bem pouco. Principalmente se você pensar nos benefícios que isso traz para o país e, inclusive, para você que vive num país menos desigual com isso.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 27/10/14 12:38:28 PM

Marcelo_Crivella_16-09

A derrota do senador Marcelo Crivella (PRB) nas eleições do Rio de Janeiro deixaram clara uma coisa sobre o voto evangélico no país: os eleitores de candidatos da Universal, da Assembleia de Deus e de outras denominações têm conseguido bastante sucesso para o Legislativo, mas ainda não conseguem (ênfase no “ainda’) formar uma maioria para se elegerem para cargos de Executivo.

Neste ano, por exemplo, o mesmo PRB de Crivella, ligado à Universal, aumentou sua bancada para 21 deputados federais. A maioria, de religiosos. O PSC elegeu Feliciano e, apesar da saída de Ratinho (que arrasta gente com ele), conseguiu manter a maioria de seus deputados. No total, a bancada evangélica aumentou.

No entanto, nas majoritárias, a população ainda parece ver com reservas candidaturas que se baseiam em propostas morais e com fundo religioso. No Rio, isso ficou claro com a derrota de Crivella (sobrinho do bispo Edir Macedo) e de Garotinho. E nem PRB nem PSC conseguiram eleger governadores.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 27/10/14 11:20:46 AM

dilma

Eleição não é só o resultado final: um ganhou, o outro perdeu. Tem uma infinidade de detalhes para discutir. No caso de uma disputa apertada como essa de Dilma e Aécio, mais ainda. Então, para colaborar com o bom debate (e existe o bom debate político, embora as redes sociais às vezes façam crer no contrário), lá vão dez considerações sobre a disputa entre PT e PSDB. Até pensando nos próximos anos. Ou alguém duvida que em 2018 os dois lados estarão lá de novo?

1- O PSDB ganhou terreno. O PT levou a eleição. Mas levou mais apertado do que nas disputas anteriores. Pela primeira vez desde que chegou ao poder, o partido de Lula e Dilma realmente tomou um susto. E, se o crescimento do PSDB continuar nos próximos anos, a derrota do petismo em 2018 parece quase certa. O partido, se pretende continuar onde está, terá de conquistar mais gente.

2- Retórica não ganha eleição. Aécio foi melhor do que Dilma em todos os debates. No entanto, não ganhou a parada. Apesar disso, o PSDB há de ter percebido que lança um candidato mais jovem e de boa aparência (e retórica) cola mais com a imagem de “mudança”. Ou seja: não há como saber se Aécio seria melhor presidente do que Serra ou Alckmin, mas como candidato certamente funciona mais.

3- O risco do PT é de perder para si mesmo. Pelo que se percebe, muita gente que votou em Marina e em Aécio, nos dois turnos, votou mais “contra o PT” do que a favor de alguma proposta específica. Isso pode ter relação com muita coisa (há quem fale até em racismo de classe), mas certamente também deriva dos vários escândalos de corrupção recentes.

4- A caneta de Dilma não está tão cheia. Dilma em seu primeiro discurso depois de reeleita, neste domingo, faliu em reformas, especialmente na reforma política. A questão é: ela terá cacife para bancar isso num Congresso autocentrado e dividido? O PT tem uma bancada que equivale a menos de 15% da Câmara. E a vitória apertada não facilita a vida de Dilma para fazer reforma alguma.

5- O PSDB ainda não aprendeu a fazer oposição. Aécio perdeu a eleição por muito pouco. Deixou para tentar causar todo o desgaste no PT às vésperas da eleição. Durante quatro anos no Senado ficou basicamente mudo. Terá sido uma estratégia inteligente? O PT, em seu tempo de oposição, era mais eficiente na cobrança do governo, não há dúvida.

6- Dilma terá de acenar para a classe média. Boa parte dos eleitores que preferiram Aécio (e uma parte imensa do movimento antipetista) vem da classe média. O partido criou a seguinte imagem para si: de que cobra muitos impostos, transfere o dinheiro para o Bolsa Família (e para Cuba), cobra muito, entrega pouco e ainda põe corruptos em estatais e ministérios. Se não fizer um afago na classe média (revisando a tabela do IR,. revendo regras de aposentadoria, sabe-se lá), a imagem tende a se deteriorar ainda mais.

7- A luta agora é pelo Congresso. Segundo a conta do repórter Chico Marés, se Dilma ficar só com quem esteve a seu lado na eleição, terá 304 votos na Câmara. É insuficiente para aprovar emendas constitucionais e ter votações qualificadas. Além do mais, é uma margem muito pequena que expõe o partido a chantagens o tempo todo. Mas como conquistar mais apoios sem aumentar a imagem de fisiologismo (e sem fazer concessões impublicáveis a partidos)? Eis o drama que está diante da presidente.

8- Aécio ficou fortíssimo para 2018. Disso dificilmente alguém discordará. Se não for pego em nenhuma blitz ou não fizer algo tremendamente burro, tem imensas chances de ser o sucessor de Dilma.

9- O PT precisa de um candidato. Em 2018, Dilma não poderá se reeleger. Lula estará com 73 anos. Quem será o candidato? Haddad? É preciso criar um candidato desde cedo, como se fez com Dilma. Mas Lula terá o mesmo poder para fazer isso agora que teve em 2010 com Dilma?

10- Marina ainda está no páreo. Apesar do terceiro lugar um tanto frustrante para quem chegou a liderar a corrida, Marina está viva. E seu partido está prestes a sair do forno. Seria a única ameaça possível aos dois partidos maiores daqui a quatro anos.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 26/10/14 11:02:34 PM

Curitiba foi um dos grandes redutos aecistas no país. Na cidade como um todo, Aécio Neves fez 72% dos votos. Quase três quartos do total. Dentro da cidade, porém, houve índices ainda mais altos. Na zona 177, que inclui bairros como Champagnat (o popular Bigorrilho) e o Batel, Aécio chegou a mais de 83% dos votos válidos, e Dilma ficou com 16%.

 

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 26/10/14 9:38:51 PM

Dilma Beto

O governador Beto Richa havia dito que só consideraria sua vitória completa neste ano se Aécio Neves vencesse a eleição presidencial. No estado, levou tudo (governo, Senado, Assembleia, bancada federal…). E se empenhou realmente pela vitória de Aécio no nacional. Não deu. Que peso tem isso para o projeto dele?

Há três consequências. A primeira delas, é que Richa, embora tenha um apoio gigantesco dentro do estado, o governador terá de continuar negociando com o PT. Não terá um aliado próximo (e Aécio é muito próximo) para pedir aquilo que considerasse necessário.

Nesse sentido, Richa também não tem mais por que protelar a formação de seu secretariado. Dizem que o governador paranaense estava esperando sair o resultado da eleição nacional para ver se emplacava alguém em Brasília antes de montar sua nova equipe. Esse trem já passou.

O terceiro significado é a possibilidade de Richa continuar tendo (alguma) oposição dentro do Paraná. Com a vitória de Dilma, aumenta a chance de Gustavo Fruet, prefeito de Curitiba, continue ligado ao PT. Em caso de vitória de Aécio, aumentava a possibilidade de ele se bandear novamente para o lado do PSDB. Agora, isso fica muito difícil.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 26/10/14 8:53:31 PM

dilma_aecio_061014

Um dos resultados da eleição deste domingo é a de que muita gente dirá que o país está “dividido”, já que um candidato fez mais votos em alguns lugares e outro venceu em alguns estados (ou regiões). Fala-se, por exemplo, que Dilma seria presidente por causa do Nordeste, onde foi muito bem. mas não há nem de longe a divisão do país que se diz.

A região Sul, por exemplo, deu 40% dos votos para Dilma Rousseff. Foram 6,3 milhões de votos. Ok: Aécio ganhou nos três estados, e somou 9,6 milhões de votos na região. No total, ficou com cerca de 60% de votos na região.

No Sudeste, Dilma ganhou a eleição no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, estado natal dos dois candidatos.

Mesmo que não fosse assim, a eleição seria legítima, já que o que conta é o país como um todo, e não uma votação num lugar específico. Mas é importante perceber que os dois candidatos conseguiram muito apoio em todos os lugares.

Até porque tem havido (inclusive hoje) gente dizendo coisas horrorosas sobre uma possível divisão (legal) do país. E fazendo atos terríveis de preconceito por motivos eleitorais.

 

Confira a apuração dos votos em cada município do Brasil

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 26/10/14 6:08:34 PM

Os índices de brancos e nulos no Paraná foram baixos, segundo mostra a apuração feita pelo Tribunal Superior Eleitoral. Com 96% das urnas apuradas, havia 151 mil votos nulos (2,4% do total) e 78 mil votos em branco (1,2%) do total.

O índice de abstenção ficou pouco acima de 18% no estado. Foram 1,4 milhão de pessoas que deixaram de comparecer às urnas neste domingo.

Em Curitiba, com 100% das urnas apuradas, foram 170 mil eleitores que deixaram de votar, o que equivale a 13% do eleitorado local. Houve 15 mil votos em branco e 35 mil votos nulos. Somando, isso chega a 4,7% dos votos.

Os resultados do estado só serão divulgados a partir de 20 horas.

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