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Caixa Zero

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 26/08/16 5:31:19 PM

Richa com seu “herdeiro”, Eduardo Pimentel. Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo.

Beto Richa subiu o tom. Disse nessa sexta que Fruet é incompetente, covarde e mentiroso. Incompetente pela gestão; covarde por estar colocando a culpa no governo de coisas que Richa não acha que são culpa dele; mentiroso porque estaria escondendo que tentou fechar uma aliança com o PSDB.

As duas primeiras acusações são mais subjetivas. Fruet é incompetente? O eleitor que julgue. É covarde por estar se eximindo da desintegração do ônibus. Idem. Mas o terceiro ponto é uma questão de fato. E, nesse caso, um dos dois está mentindo. Ou, como diz quem quer evitar problemas: faltando com a verdade.

Em evento na Urca, disse o seguinte, registrado pelo repórter Euclides Lucas Garcia: “Além de incompetente, é mentiroso. Ele [Fruet] esteve duas vezes comigo pedindo o meu apoio. Por meia dúzia de vezes, ofereceu a vice para o Eduardo [Pimentel, do PSDB e vice de Greca]. Mas, eu não ia trair o povo de Curitiba, indo pelo caminho errado”.

Por partes. Richa e Fruet se encontraram antes da campanha? A resposta é sim. Pelo menos duas vezes. Nisso, o governador está certo. Fruet foi uma vez ao Palácio Iguaçu, acompanhado de um secretário. E depois os dois foram chamados a um campo neutro, a casa do vereador Pier Petruzziello (PTB).

A ideia era fazer uma aliança? Ninguém dizia isso claramente na época. Mas é difícil acreditar que o governador e o prefeito, que passaram três anos sem se falar, se encontrem às vésperas da eleição para comentar o resultado do MasterChef ou para caçar Pokémon.

Fruet ofereceu a vice para um aliado de Richa? Difícil dizer. Sabe-se que Fruet realmente deixou sua vice aberta até os 45 minutos do segundo tempo. Só depois de Greca fechar com o governador passou-se a dizer que a escolha seria entre os candidatos do PV. Houve uma oferta? Parece fazer sentido.

Richa pode ter tentado “empurrar” Eduardo Pimentel? Parece igualmente provável. Até dois dias antes de Richa e Greca juntarem as escovas de dentes, a informação no Palácio era de que Richa tinha “50% de chances” de ir com Fruet. Nada desse discurso incisivo contra a “incompetência” e o caráter do prefeito.

Segundo quem acompanhou as conversas, nada foi dito tão claramente. Os dois lados pareciam constrangidos de fazer os encontros. E pareciam até mesmo duvidar que aquilo fosse dar em algo. Como se estivessem fazendo a tentativa por insistência de terceiros.

De um jeito ou de outro, logo depois de Richa fechar com Greca, a coisa entre o prefeito e o governador desandou de novo. Fruet, que chegou a cogitar em público a aliança com o PSDB, voltou a descer a lenha em Richa. E Beto mostrou agora que vai revidar.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 26/08/16 3:26:07 PM

Buracos: arma da oposição contra Fruet. Foto: Antônio More/Gazeta do Povo.

A Petrobras acaba de criar um problemaço para Gustavo Fruet e para todos os outros prefeitos que buscam a reeleição no Paraná. Faltando pouco mais de um mês para a eleição, a Repar anunciou que não vai entregar asfalto novo no mês de setembro.

No Brasil, a Petrobras tem o monopólio do asfalto. No Paraná, as prefeituras todas compram de empresas que se abastecem na Repar, em Araucária. Agora, em cima da hora, a Petrobras anunciou que a fábrica vai passar por obras e vai ficar um mês fechada.

Em Curitiba, isso significa que as cerca de vinte equipes de tapa-buracos dependerão de asfalto mais caro e mais demorado, vindo de Paulínia, no estado de São Paulo. Cada grupo usa cerca de 300 toneladas/mês. Isso quer dizer que em setembro será preciso “importar” umas 6 mil toneladas de material.

As obras de tapa-buracos são essenciais para o moral dos prefeitos. Em Curitiba, por exemplo, nos últimos três meses, houve 521 pedidos de manutenção de asfalto só pelo 156. Se chover mais, a situação só tende a piorar.

A essa altura, a chuva e a Petrobras são armas poderosas da oposição a Fruet. Cada vez que cair água, Greca e companhia darão risada à toa.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 26/08/16 1:59:41 PM

O primeiro programa eleitoral na tevê mostrou o óbvio: o tempo ridiculamente curto a que foi reduzida a participação dos candidatos torna o programa cada vez mais irrelevante.

Mesmo os candidatos com maior tempo de tevê tiveram de passar uma mensagem rápida. Os menores, foram telegráficos. Dificilmente alguém conseguiu convencer o eleitor de alguma coisa.

Com o pouco tempo, os candidatos preferiram se concentrar em uma única ideia. Veneri, de que é preciso combater os empresários de certos cartéis. Maria Victória, de que é preciso retomar a inovação.

Leia mais: Veja como foi o primeiro dia do horário eleitoral gratuito

Fruet usou depoimentos a seu favor (Scalco, Osmar dias e a esposa), mas nem sequer falou. Requião Filho falou que quer ser candidato contra a violência de Richa, que não disputa nada.

Greca exibiu parte de seu emocional discurso na convenção, e Leprevost falou o quanto pôde, de maneira genérica, sobre os problemas da cidade.  Afonso Rangel só teve tempo de dizer: me procure na internet! E os outros dois, Xênia e Ademar, nem mandaram seus vídeos a tempo. Boicote?

Como apresentação, serviu de algo. Mas serviu principalmente para criar uma impressão geral no eleitor; mais do que nomes e rostos, ele deve ter ouvido o seguinte: seis candidatos dizendo que a cidade vai mal, e um dizendo que vai bem.

No geral, com seis a um, o programa foi mais contrário a Fruet do que outra coisa. Mas, paradoxo: como terão pouco tempo para se expressar, quem tem o poder, em teoria, sai na frente.

Agora, como será quando os candidatos quiserem apresentar propostas mais complexas, para saúde, educação, transporte etc? Em um minuto? Em dois? Em menos?

Em outros países não há horário eleitoral gratuito, mas os candidatos podem, por exemplo, comprar tempo de tevê. Aqui, está-se matando o horário gratuito e o horário comprado continua proibido.

No tempo em que se vende um pote de margarina, querem que se explique toda a proposta para governar uma cidade de 1,8 milhão de habitantes e orçamento de quase R$ 9 bilhões. E os filmes viraram exatamente isso: comercial de margarina. Emoção, uma ideia. E fim.

Some-se a isso que não há mais showmícios, ninguém mais faz comícios e que os debates são o mais amarrados possível. Ninguém mais tem como ouvir os candidatos. Em breve, nesse ritmo, voltaremos à lei Falcão. Nome e rosto na tela e bico fechado. Só.

Por sorte, ainda temos a internet e os jornais. Para a política, para o eleitor, foi o que restou.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 26/08/16 12:26:14 PM
Foto; Gilberto Abelha/Arquivo Jornal de Londrina.

Foto; Gilberto Abelha/Arquivo Jornal de Londrina.

É cedo para dizer com certeza o que aconteceu. Mas tudo indica que a Guarda Municipal de Curitiba errou e errou feio na prisão de um jovem negro. A denúncia é de que o rapaz estava ouvindo rap alto na rua (o que não é crime) e foi abordado. Até aí, ok.

O que aconteceu em seguida. A denúncia do rapaz (que não vai ter o nome divulgado aqui por ser candidato neste ano) é de que ele não só foi preso como apanhou. Também teria sido tratado com preconceito, vítima de injúria racial (teriam duvidado que ele poderia ser advogado por ser negro e ouvir rap).

A Guarda diz que ele foi preso por desacato (sempre o motivo mais tolo para qualquer prisão). E informou que se receber denúncias (como se as denúncias pela imprensa não fossem suficientes!) irá investigar supostos abusos.

O prefeito Gustavo Fruet manteve um estranho silêncio sobre o caso – pelo menos até aqui. Independente de ser ou não época de eleição, deve se pronunciar. E deve exigir uma investigação rápida e aprofundada.

A Guarda Municipal foi criada para cuidar de prédios públicos. Com o tempo, foi virando uma minipolícia. Ganhou direito a usar armas de fogo. Passou a prender. Fazer batidas. A atirar. Pouco a pouco, se transforma em uma nova polícia militar, abandonando sua função inicial.

Tendo de início um caráter mais “cidadão” e parecendo mais disposta a respeitar direitos, aos poucos a guarda também parece estar perdendo parte importante de suas essência.

Todos os dias no Centro você vê batidas da Guarda. Normalmente, parecem atrás de drogas. Param jovens. Normalmente negros. Normalmente de aparência pobre. Fazem passar pela humilhante revista.

E começa agora a apresentar os piores vícios da PM em que vem se transformando. Denúncias de maus tratos, de desrespeito aos direitos humanos. De truculência. E não foi a primeira vez. Ano passado, guardas interromperam um evento de música (rap, de novo! de novo com jovens da periferia!) na base da truculência.

O caso novo serve de alerta, para este e para os futuros prefeitos. Se o papel da Guarda for mesmo de policiar, que seja para proteger o cidadão. E não para ser mais uma fonte de violência em nossa sociedade.

A discussão ocorre no Brasil inteiro. Aqui, por exemplo, você vê um artigo mostrando a preocupação com possíveis casos de violência ligados às Guardas.

Leia mais: A truculência das autoridades em Curitiba

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 25/08/16 12:24:05 PM

Gleisi2

Gleisi Hoffmann (PT) provocou comoção no Senado. Durante a sessão de julgamento de Dilma Rousseff, disse que seus pares não tem condições morais de decidir o futuro da presidente. Deu a entender que se trata de um grupo desqualificado.

“Qual é a moral deste Senado para julgar a presidenta da República?” perguntou Gleisi retoricamente. A provocação foi respondida com ferocidade pela oposição, defendida com igual ferocidade pelo PT e acabou levando à suspensão temporária da sessão.

Ronaldo Caiado (DEM-GO), que disse não ser “assaltante de aposentado”, numa referência aos supostos desvios de empréstimos de funcionários que levaram o ministro Paulo Bernardo à cadeia. Lindbergh Faria (PT-RJ) disse que Caiado era canalha. E assim por diante.

O nível do debate mostra que o Senado realmente tem uma qualificação abaixo do esperado. E claro que a ação de Gleisi é mais retórica: se tivesse motivos para impugnar seus pares num julgamento tão decisivo quanto esse, iria à Justiça contra eles. Não foi.

Gleisi também se expôs ao contra-ataque evidente. Enrolada na Lava Jato, com o marido tendo sido preso, sabe que sua carreira está arriscada. Óbvio que diriam que ela é que não tem moral para falar do Senado.

Mas Gleisi decidiu ser dilmista até o fim. Atitude que exige certa coragem. Pena que na luta pela manutenção de Dilma, tenha exagerado. Se o Congresso realmente tem gente desqualificada, tem senadores que são belos exemplos de conduta.

E generalizar só serve à demonização da política. Não fosse por mais nada, Gleisi deveria fazer uma ressalva a seus 12 correligionários. Nem isso fez. São todos iguais?

Depois do impeachment de Dilma, se ele vier, o país precisará continuar. O Senado seguirá existindo. E detonar tudo e todos incondicionalmente é um desserviço.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 24/08/16 6:20:41 PM

O feminismo ganhou espaço no Brasil nos últimos anos. Em certo sentido, era de se esperar. Em um país onde o machismo é uma praga epidêmica que tira a vida de milhares de mulheres, uma hora as pessoas se cansam. E reclamam. E pedem direitos.

O feminismo, quase por definição, só brota quando há razões para ele: ou seja, quando as mulheres não conquistam direitos básicos e não conseguem ter liberdade para fazer de suas vidas aquilo que acham que devem.

Mas há quem se incomode com o movimento. Não com apenas uma de suas lutas, não apenas com um argumento. Mas com o movimento como um todo. E aí passam a surgir contramovimentos curiosos (na melhor das hipóteses). Em tempos de internet, alguns ganham milhares seguidores.

Direitos dos homens e dos meninos

Uma das páginas de Facebook que você pode encontrar questionando o feminismo. Com 1,7 mil membros, o grupo é fechado. só vê o que tem lá dentro quem for curioso o suficiente para pedir para ser sócio.

Um representante diz que se trata de um “movimento brasileiro em prol dos direitos dos homens e meninos, que dentre outras coisas luta contra os abusos e falácias do movimento feminista atual, que finge ser igualitário mas na verdade prega a supremacia da mulher sobre o homem, criminaliza o homem e a masculinidade”.

O texto colado na imagem acima é de um sujeito chamado Peter Wright que diz basicamente que o movimento pelos direitos masculinos está em uma segunda “onda” agora, em que, entre outras coisas, foi elaborada uma “História sócio-política mais aprofundada da misandria e do ginocentrismo”.

Não Sou Obrigada a Ser Feminista

Uma página que, pelo nome, já dá a entender que tem como público as próprias mulheres. Tem inacreditáveis 608 mil seguidores e seguidoras. E vive tendo problemas com o Facebook. A cada tempo, cria-se uma nova página porque a primeira foi denunciada.

Moça, Você é Vitimista

Uma das mais antigas e esfarrapadas críticas ao feminismo (que tenta garantir direitos às mulheres) é de que as feministas se fazem de vítima. São vitimistas. Alguns acham inclusive que são as mulheres que oprimem os homens… Para reclamar do vitimismo, essa página mostra supostos exageros do vitimismo feminista.

A Voice for Men

 

Uma beleza de página que, como se vê abaixo, compara feministas e “ideólogos de gênero” a neonazistas.

Resistência Antifeminismo Marxista

Um dos grandes mitos sobre o feminismo é que para ser feminista você precisa ser não apenas de esquerda como a favor de uma esquerda totalitária. Marxista, de preferência. Muito provavelmente, stalinista defensor de Gulags para os homens.

Por isso, a página Antifeminismo Marxista revela as perigosas ligações entre esquerda e feminismo.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 24/08/16 8:24:30 AM
Gustavo Fruet. Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo.

Gustavo Fruet. Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo.

Da coluna Caixa Zero, publicada nesta quarta-feira, na Gazeta do Povo:

Rafael Greca conta que em 1996, prestes a deixar a prefeitura, tinha um favorito à sua sucessão. Era Augusto Canto Neto – e não Cassio Taniguchi. Chamou o escolhido de canto e disse que o apoiaria. Como se sabe, não deu certo. “Ele colocou o charuto na boca e ficou fazendo pose de prefeito.” Moral da história é: quem quer ser prefeito precisa trabalhar duro para isso.

Vinte anos depois, Greca está seguindo seu próprio conselho. Decidiu que quer ser prefeito e que para isso precisaria cumprir uma lista de tarefas. A primeira era sair do PMDB, onde Requião o engoliria. Saiu. A segunda era arranjar apoios. Conseguiu nada menos do que o governador do estado e o último prefeito da capital. Para isso, claro, fez o que em política sempre se faz: acordos. Nada de charutos – para ser prefeito, resolveu pôr a mão na massa.

Greca também tirou do armário as duas armas de que dispõe por conta própria. O passado e a oratória. A equação é dizer que no seu tempo a cidade era a glória, que no presente é uma lástima, mas que em breve os dias de bonança voltarão. Um discurso quase religioso, escatológico: o pecado nos levou às trevas, mas a salvação está a nosso alcance. O Ibope mostra que a conversa funciona às maravilhas.

Apostar no saudosismo (de algo real ou ilusório) é sempre uma opção fácil. O eleitor tem a tendência a acreditar numa era de ouro. Greca tem o dom de criar um passado brilhante, em que as fontes jorravam mel e o asfalto era liso como seda. Conta sempre o caso de quando um banqueiro internacional, guiado por Margarida, foi conhecer as obras sociais para os pobres. “Chega!”, teria dito. “Isso já não é uma cidade, é uma ópera!”

Há quem creia na frase. Há quem creia na cidade. E, segundo o Ibope, quem mais crê são justamente os eleitores mais velhos, os mais saudosos. Greca tem 22% da preferência entre os jovens de 25 a 34 anos. Mas entre os eleitores acima de 45, chega a 34%, seu melhor índice. Isso não é tudo.

Outro fenômeno curioso é a redução da rejeição à sua volta. Em 2012, no início de agosto, o Ibope perguntou quantos eleitores não votariam de jeito nenhum em Rafael Greca. O resultado dele foi o pior entre todos os candidatos: 32%. Agora, quatro anos depois, o número diminuiu para menos da metade: 15%. E não foi por mágica.

O que aconteceu nesses quatro anos foi a prefeitura de Fruet, um sujeito que passou sua gestão explicando que o mar não estava para peixe e que não seria mais possível a gastança dos antecessores. A bonança tinha acabado, em parte porque os seus antecessores tinham sido gastões – sem contar a maré pra lá de ruim da economia.

Essa eleição vai ser uma guerra dos dois discursos. De um lado, Greca diz que “se está difícil para Fruet”, ele assume e faz o que é preciso. Fruet afirma com todas as letras que o nome disso é demagogia: pelo menos por enquanto, a cidade não voltará a ser o que era. Pode até ser que Fruet tenha razão, o futuro dirá. Mas não há dúvida de que sua mensagem é a mais tediosa que um candidato jamais ousou pronunciar em frente às câmeras de tevê.

O saudosismo, por enquanto, leva a melhor. O curitibano está apostando que a fonte dos anjos, no fim da Sete de Setembro, passará a jorrar mel em 1º de janeiro.

A pesquisa contratada pela RPC ouviu 602 eleitores de 19 a 22 de agosto. A margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.  Registro no TRE nº PR-04300/2016.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 23/08/16 2:35:35 PM

A primeira parcial das contas dos candidatos em Curitiba já mostrou dois dos principais problemas do novo sistema de financiamento. Se por um lado a regra nova tirou as empresas (em tese) da equação, mas colocou outros elefantes na sala.

O primeiro é que os candidatos com mais dinheiro passaram a ter uma vantagem imensa sobre os demais. Antes, alguém sem grana podia recorrer a empresas para compensar seu caixa baixo. Agora, tem uma opção a menos.

Em Curitiba, isso fica evidente pela situação de Rafael Greca. O candidato pegou do próprio bolso R$ 600 mil já nos primeiros dias de campanha. Tirou um checão e mandou torrar tudo para elegê-lo. Tem todo o direito. Mas e quem não tem os R$ 600 mil?

O outro modo de financiamento favorito até aqui tem sido o dos fundos partidários. Mas todo mundo sabe que essa grana é controlada com mão de ferro pelos caciques de cada tribo. E nem todo mundo vai receber a mesma chance.

Exemplo: o PMDB está espalhado pelo estado inteiro. Mas quem é que acredita que todos os candidatos a prefeito terão a mesma colher de chá que Requião Filho, herdeiro do grande timoneiro da legenda?

Não é à toa que as duas maiores doações de partidos na capital foram para filhos de caciques. Maria Victoria, do PP, tem a chave do cofre por ser filha de Ricardo Barros e Cida Borghetti, capitães do partido.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 23/08/16 12:36:56 PM

O primeiro debate da Band foi um teste para ver como cada candidato se sai em público nesta curta campanha pela prefeitura. Veja um resumo do dia.

Gustavo Fruet

Apanhou como um professor diante da Assembleia Legislativa. A pancadaria foi comandada por Rafael Greca, mas vários candidatos aderiram.

Quando tinha a chance de se defender, usava seu minuto e meio de modo um tanto desesperado, tentando rebater tudo – e inclusive rebater alguns dados absurdos que outros tinham dito.

Para um candidato que tanto fala em serenidade, pareceu nervoso demais com as provocações.

Rafael Greca

Deixou de ser o clown de 2012 para se levar um pouco mais a sério. Talvez por acreditar que dessa vez a coisa vai.

Apelou o tempo todo para a emoção, mas de modo mais comedido, sem recitar poemas nem fazer gestos mais teatrais.

De resto, disse ter feito tudo o que os outros prometiam, pensavam ou cogitavam. É um mistério que a cidade não tenha todos os problemas resolvidos depois de uma gestão dessas.

Maria Victoria

Aos 24 anos, não é surpresa que a candidata se atrapalhe. Ficou em muitas generalidades e no discurso da boa vontade. Platitudes, muitas vezes.

Se deu especialmente mal quando Xênia Mello, militante feminista e negra, perguntou à candidata as propostas para as minorias, como gays, por exemplo.

Disse que tem amigos e parentes gays, , mas que preferia falar sobre as demandas da população de Curitiba. Ué? E isso não é uma demanda? Porque o wi-fi é mais relevante?

Ney Leprevost

Normalmente no papel de bom moço, arriscou um discurso mais agressivo, principalmente em defesa de seu grande cabo eleitoral, Ratinho Jr.

Tentaram lhe colar a imagem de apaniguado de Beto Richa e ele reagiu. Mas continua tendo o principal cabo eleitoral dentro do Palácio.

Teve um momento curioso quando Greca perguntou qual era o tamanho da conta de luz da prefeitura e ele disse que era uma “pegadinha”. Não respondeu.

Requião Filho

À maneira do pai, foi irônico e combativo. Mas ainda falta muito para ter a fama de bicho-papão que o ex-governador conquistou.

Como ele mesmo diz, é uma versão “Marlboro lights” do senador.  Se posicionou claramente à esquerda, fez até tabelinha com Tadeu Veneri. E citou o papa Francisco, obrigatório.

Fez uma proposta meio tirada do chapéu de municipalizar o Teatro Guaíra.

Tadeu Veneri

Participação discreta, com um ponto alto quando chamou Greca a se explicar sobre proposta, dizendo de onde tiraria dinheiro para tudo aquilo.

Coisa rara num debate em que só faltou prometerem que vão dar um passeio pela fantástica fábrica de chocolates a cada curitibano.

De resto, foi cobrado pela Lava Jato, como tinha de ocorrer. E fez um estranho ataque à prefeitura de Fruet – que tem como vice uma petista.

Xênia Mello

Foi a mais incisiva. Mas também a menos responsável. Acusou a tudo e a todos. Generalizou quando disse que era a única que não estava na Lava Jato e a única sem parentes na política.

O que conseguiu com isso foi dar direito de resposta a todo mundo, enquanto ela teve de permanecer quieta. Para quê?

Fez o papel de incluir algumas causas relevantes no debate.

Ademar Pereira

Empresário, não está acostumado ao ritmo maluco dos debates. Trinta segundos para isso, 40 para aquilo.

Se perdeu no tempo e dava impressão de que precisava de bem mais para poder se explicar. Um problema para quem vai ter tão pouco espaço na tevê.

Afonso Rangel

Apesar de ter experiência como gestor, pareceu um pouco ingênuo na solução para problemas complexos. Como se bastasse boa vontade, parecia.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 22/08/16 6:42:59 PM

A pesquisa Ibope marcada para ser divulgada nesta terça-feira na RPC está sendo contestada na Justiça. O candidato Ademar Pereira, do Pros, entrou com um pedido de liminar na Justiça Eleitoral para que os números não sejam divulgados.

A previsão é de que a pesquisa seja divulgada no Paraná TV 2ª Edição, às 19h10. é a primeira pesquisa realizada em Curitiba depois que as candidaturas foram confirmadas e registradas. Nove candidatos disputam a prefeitura.

Segundo os advogados de Ademar Pereira, a metodologia da pesquisa, registrada pelo Ibope na semana passada, não atende os requisitos legais, especialmente na definição da amostragem, que não seria representativa da população da cidade.

É o mesmo tipo de argumento que derrubou várias pesquisas de intenção de voto em 2010, na disputa entre Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT).

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