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Caixa Zero

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 04/05/16 6:26:00 PM

Por Chico Marés, interino

O Ministério Público do Paraná (MP) ingressou com uma ação contra o vereador de Curitiba Zé Maria (SD) por prática de racismo. No entendimento do MP, o deputado ofendeu a toda a comunidade negra ao fazer piada com o vereador Mestre Pop (PSC). Na Câmara, porém, processo disciplinar contra o vereador foi arquivado pelo Conselho de Ética pelo esgotamento do prazo regimental.

Em novembro do ano passado, Zé Maria e Pop, que é negro, estavam na chamada Sala dos Vereadores, anexa ao plenário, conversando com outros quatro parlamentares. O vereador do SD fez uma piada racista: disse que negros entram em igrejas evangélicas para chamar os brancos de “irmão”.

Ofendido, Pop registrou boletim de ocorrência por crime de racismo e acionou, também, o Conselho de Ética da Câmara. Posteriormente, Zé Maria pediu desculpas ao vereador, da tribuna da Câmara. Ele argumentou que tinha apenas lido uma piada que mandaram por WhatsApp e que não era uma pessoa racista.

Na ocasião, Pop disse que, apesar de aceitar o pedido de desculpas, a postura de Zé Maria ofendeu não a ele, mas a toda a população negra. Por isso, manteve as ações contra o colega. O MP teve um entendimento bastante parecido: apresentou denúncia por crime de racismo, e não de injúria racial. Segundo a promotora Mariana Bazzo, isso significa que a ofensa não foi ao vereador, e sim a “toda a comunidade negra”.

O crime de racismo é passível de um a três anos de reclusão. Entretanto, Zé Maria pode optar por fazer um acordo, pagar uma multa e não ir a julgamento. Caso seja condenado, ele não perderá seu mandato.

Conselho de Ética

Já o Conselho de Ética arquivou a ação contra Zé Maria. Acionada por Pop, a corregedora-geral da Casa, Noêmia Rocha (PMDB) apresentou ação contra o vereador no Conselho de Ética, e sugeriu a pena de censura pública. Entretanto, o processo sequer foi admitido no Conselho. Pelo regimento, há um prazo de 60 dias para que o processo seja admitido e que um relatório seja apresentado.

Inicialmente, a primeira etapa era de responsabilidade de uma junta de três vereadores: Carla Pimentel (SD), Professora Josete (PT) e Valdemir Soares (PRB). Entretanto, Soares renunciou ao mandato após ser flagrado votando em nome da vereadora Julieta Reis. Isso atrasou o processo. Geovane Fernandes (PTB) assumiu seu lugar.

O prazo venceria nesta quinta-feira (5). Entretanto, o processo já foi arquivado nesta quarta-feira (4) porque não haveria quórum para a reunião – dois vereadores da comissão estão viajando.

Pimentel, relatora da junta, chegou a preparar seu parecer pedindo a não admissão do processo. Segundo ela, o principal motivo é de que o processo não teria viabilidade de tramitar – visto a proximidade do prazo final. Ela alegou, ainda, que a questão não seria de competência do Conselho, visto que o fato não ocorreu em plenário. Por fim, a relatora argumentou que já há ação judicial tratando do assunto.

Josete apresentou um relatório em separado, pedindo que a denúncia fosse acatada, mesmo que o prazo para apuração fosse inexequível. Para ela, seria uma forma de sinalizar à sociedade que a Câmara não tolera racismo. “Ficou um vácuo, não houve resposta [por parte da Câmara] para uma situação que é muito grave”, afirma.

Com o arquivamento por questão de prazo, Pop pode reapresentar a denúncia contra Zé Maria, uma vez que foi prejudicado pelo descumprimento dos prazos por parte da comissão. A reportagem tentou entrar em contato com os dois vereadores, mas não teve sucesso.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 04/05/16 12:58:42 PM


Por Chico Marés, interino

A Câmara de Curitiba aprovou na manhã desta quarta-feira requerimento de urgência para projeto que repassa todo o dinheiro do Fundo Especial da Câmara de Curitiba (FEC) para a prefeitura. Com isso, o projeto será votado na terça-feira (10) – o repasse deverá ser feito duas semanas após aprovação. Foram 25 votos favoráveis, nove contrários e duas abstenções.

A proposta permite que a direção do Legislativo empreste R$ 53 milhões “economizados” ao longo dos últimos para a prefeitura, com o compromisso de que uma nova sede seja construída, com recursos do Executivo, em 2018.

Vereadores de oposição consideraram que a aprovação da urgência foi um “tratoraço” por parte do Executivo. Já a liderança do prefeito defende que o assunto foi discutido o suficiente na Câmara e que não há necessidade de que o projeto tramite nas comissões.

O que é?

Desde 2009, há um fundo gerido pela Câmara para a construção de uma nova sede para o Legislativo. O dinheiro desse fundo vem das sobras orçamentárias da Câmara, que recebe, anualmente, um repasse de dinheiro da prefeitura maior do que o necessário para manter a sua estrutura.

A ideia dos vereadores é repassar o dinheiro que está nesse fundo – R$ 53 milhões – de volta para a prefeitura, com o compromisso de que o Executivo retribua construindo a nova sede.

A devolução do dinheiro não é o problema, muito pelo contrário. Com a crise econômica pela qual o país passa, a prefeitura tem sérias dificuldades de arrecadação. Com menos receitas, é preciso que o poder público seja criterioso com os seus gastos – e construir um prédio novo para os vereadores, ainda que o atual esteja, de fato, em situação precária, está muito longe de ser uma prioridade.

A questão é que, com esse projeto de lei, a Câmara está jogando um abacaxi no colo do prefeito que será eleito (ou reeleito) em outubro – e, claro, de todos os contribuintes. Será que, daqui há dois anos, a prefeitura terá condições de bancar a construção de uma sede nova para a Câmara? Uma crise econômica não se resolve por mágica, do dia para a noite.

Outra questão importante: há um projeto de construção da nova sede? Onde ela vai ser? Quanto ela vai custar? Sem isso, não é possível sequer iniciar um debate sério sobre essa obra – imagina então determinar que a próxima gestão tire uma obra da cartola.

Além disso, novamente a Câmara foge ao debate de que a quantidade de dinheiro destinado ao Legislativo é exagerada. É verdade que, nos últimos anos, alguns cortes de gastos importantes foram feitos – mais de cem comissionados e as verbas de publicidade, por exemplo. Mas a sobra de recursos não é exatamente uma economia, e sim uma sobra. Não seria mais sensato, ao invés de estabelecer um percentual fixo do orçamento municipal à prefeitura, trabalhar com um orçamento de verdade?

Todos esses pontos poderiam ser levantados pelos vereadores nas comissões. Mas não vão. Com o “tratoraço”, o projeto será debatido e aprovado às pressas no plenário. E, em 2018, estaremos de volta discutindo este assunto – esperamos que, dessa vez, de uma forma séria e aprofundada.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 02/05/16 7:27:50 PM

Por Chico Marés, interino

A vereadora Professora Josete (PT) não conseguiu coletar assinaturas suficientes para iniciar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades cometidas pelo ICI – ex-Instituto Curitiba de Informática, hoje Instituto das Cidades Inteligentes. Segundo a vereadora, quatro vereadores retiraram as assinaturas sob orientação da bancada de apoio ao prefeito Gustavo Fruet (PDT).

Para que uma CPI seja criada na Câmara de Curitiba, são necessárias 13 assinaturas – um terço dos vereadores. Como o pedido não atingiu o número suficiente de assinaturas, Josete teve de começar o processo do zero. Ela voltou a coletar assinaturas na Câmara já nesta segunda-feira.

Até o momento, Cacá Pereira (PSDC), Carla Pimentel (PSD) e Noêmia Rocha (PMDB) já assinaram o novo pedido. Jorge Bernardi (Rede), que deixou a base de apoio a Fruet e é um dos críticos mais ferrenhos ao ICI na Casa, é uma assinatura considerada certa. Com isso, faltam ainda oito assinaturas para que o pedido prospere.

Segundo Josete, desde o princípio havia pressão por parte de vereadores do grupo político do ex-prefeito Luciano Ducci (PSB) para que a CPI não saísse do papel. Entretanto, nesta segunda-feira, foi a liderança de Fruet quem orientou seus parlamentares para que não assinassem o documento. A reportagem procurou o líder do prefeito, Paulo Salamuni (PV), mas não teve resposta.

“É uma coisa inexplicável. Não sei se o prefeito quer evitar fazer esse enfrentamento. Mas acredito que não é por conta disso que devemos deixar de investigar possíveis irregularidades no ICI”, afirma a vereadora. Josete diz, ainda, que a prefeitura se tornou “refém” do ICI, relembrando dos atrasos no Refic supostamente causados pelo instituto.

Entenda o caso
O ICI é a Organização Social responsável pela gestão da área de Tecnologia da Informação (TI) da prefeitura de Curitiba desde 1998. O pedido de CPI foi motivado por um relatório preliminar do Tribunal de Contas que apontou 490 irregularidades na relação contratual entre o instituto e a prefeitura. A maioria dessas supostas irregularidades apontadas no relatório ocorreu durante a gestão de Ducci – ainda assim, Fruet, Beto Richa (PSDB) e Cássio Taniguchi (DEM) também são citados.

Entre as questões citadas estão a aquisição irregular, por parte do ICI, de códigos-fonte de propriedade da prefeitura, a “quarteirização” de serviços e até mesmo supostas irregularidades na eleição de conselheiros – nesse caso específico, secretários de Fruet foram responsabilizados, ainda que tenham entrado com ação contra a eleição em questão.

No final do ano passado, vereadores acusaram o ICI de promover um boicote contra a prefeitura na questão do Refic. O presidente do instituto, Luís Mário Luchetta, foi convidado formalmente a prestar esclarecimentos sobre o assunto. Entretanto, ele não compareceu.

Apesar de tudo isso, a prefeitura renovou o contrato com o ICI por um ano no final do ano passado. A solução é vista pela administração municipal como transitória, enquanto um novo programa de investimento no setor de TI está sendo licitado.

Que haja pressão por parte do próprio ICI e de vereadores ligados à antiga administração, é normal e até previsível. Agora, é estranho que, após passar três anos metido em brigas políticas com o instituto, Fruet aja nos bastidores para evitar que uma CPI seja realizada.

Seja qual for o motivo, é uma pena. Uma CPI do ICI seria uma ótima oportunidade para a população de Curitiba saber como é gasto uma parte bastante relevante do seu dinheiro. E, para o próprio ICI, abrir os dados de sua relação contratual com a prefeitura seria uma boa maneira de se livrar da incômoda pecha de caixa preta da prefeitura – a não ser, é claro, que a pecha esteja correta.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 02/05/16 4:03:36 PM
Dilma vai tentar, mas chance de novas eleições é pequena

Foto: Uéslei Marcelino/Reuters

Chico Marés, interino.

A grande novidade estava no terceiro parágrafo. Matéria do jornal O Globo, publicada na manhã desta segunda-feira, dizia que, no metafórico bunker do vice-presidente Michel Temer, chegou a informação de que Dilma Rousseff renunciaria na próxima sexta-feira – e, em pronunciamento em rede nacional, incitaria seu vice a seguir o exemplo.

Segundo Rodrigo Rocha Loures, assessor especial da vice-presidência, não é essa a informação que corre nos círculos mais próximos de Temer. A informação por lá é a de que Dilma deve enviar ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição convocando novas eleições para outubro – ideia citada e destacada na mesma matéria. A posição de Temer é a de que novas eleições seriam um “golpe” – algo já dito em entrevista na semana passada.

Se é golpe ou é democracia, é um bom debate. Ao meu ver, é uma saída válida. Dilma já não tem sustentação política que garanta um governo minimamente estável. Pior que isso, a maior parte de seu eleitorado já admite que comprou um terreno na Lua em 2014, e quer seu “dinheiro” de volta.  Por outro lado, se Temer tem, como Dilma, a legitimidade do voto, sua Ponte Para o Futuro não tem.

O fato concreto, porém, é que essa saída tem pouquíssimas chances de prosperar. Para uma PEC ser aprovada, são necessários os votos de 308 deputados e 54 senadores – e, pior, a tramitação teria que ser em velocidade recorde. Há duas maneiras de se conseguir isso: com ampla maioria política ou com massivo apoio popular.

O primeiro, é evidente que o governo não tem – ou não estaria propondo novas eleições. A proposta, entretanto, poderia ter: a oposição poderia achar a perspectiva de adiantar as eleições favorável, visto que Aécio Neves (PSDB) seria um dos favoritos. Mas o governo chegou tarde demais: hoje, a oposição e a ex-base de apoio de Dilma já estão encontrando seu cantinho no futuro Brasil de Temer, e tem pouco interesse em adiantar 2018.

Já a segunda opção seria um apoio popular massivo às novas eleições. E por massivo entenda-se por uma quase unanimidade – incluindo coxinhas, mortadelas e isentões. Manifestações de apenas um lado não devem gerar grandes comoções em Brasília. Agora, com grandes protestos nas ruas, algo como uma “Diretas Já”, o Congresso poderia sair de sua acomodação.

De novo, é tarde demais. Se Dilma fizesse isso, digamos, no início de março, quando o cenário do impeachment ainda era bastante incerto, a chance de conseguir mobilizar a população era maior. Daria uma impressão de magnanimidade, de disposição em cortar na própria carne para resolver a crise política. Até mesmo detratores do PT poderiam encarar como uma boa ideia.

Pedir novas eleições quando o afastamento já é um fato quase certo, porém, dá uma impressão de desespero, de última cartada. E, com a popularidade no fundo do poço, a presença de Dilma campanha deve ajudar a afastar até o eleitor mais neutro desse debate – quem dirá opositores ferrenhos.

Ainda que 62% da população – como diz pesquisa do Ibope da semana passada – ache que novas eleições são a melhor saída para a crise, isso precisa se refletir na rua. E, hoje, a possibilidade de uma grande mobilização popular em torno dessa proposta parece muito remota. Na prática, essa proposta servirá apenas como arma retórica no interminável embate sobre quem é golpista e quem não é.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 02/05/16 2:35:56 PM

A partir desta segunda (2 de maio), o titular deste blog está de férias por 30 dias. Descanso pra uns, trabalho pra outros: quem assume interinamente a atualização é o grande repórter Chico Marés.

A quem leu o blog até aqui, um agradecimento. Mês após mês, a audiência tem aumentado, mantendo o Caixa Zero como mais visto da Gazeta e chegando a índices impensáveis até pouco tempo atrás.

Nem todo mundo lê porque gosta, alguns vêm aqui para criticar, o que é igualmente bem-vindo. Democracia se faz assim, com jornalismo, transparência, crítica. E respeito, claro. A todos, um bom maio e até a volta.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 29/04/16 3:27:37 PM

Assim como fez no ano passado, o governador Beto Richa (PSDB) se afastou do Palácio Iguaçu no 29 de abril. No ano passado, durante as negociações para a aprovação da reforma previdenciária, Richa passou a semana no Chapéu do Pensador, sede do governo no bosque da Copel, no Bigorrilho.

Neste ano, com milhares de pessoas no Centro Cívico lembrando um ano dos acontecimentos de 2015, o governador repetiu o endereço. Como mostram fotos publicadas por ele no Facebook, Richa esteve no Chapéu do Pensador, reunido com o deputado federal Luciano Ducci (PSB) e representantes da Sanofi Pasteur. Na pauta, a vacina da dengue.

“O Estado aguarda apenas a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para poder adquirir o medicamento e iniciar a imunização. O Paraná sai na frente, de forma inédita e pioneira, no fornecimento dessa vacina, que irá garantir a proteção, para o verão do ano que vem, desta doença que anualmente tem preocupado os brasileiros”, escreveu.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 29/04/16 1:36:13 PM

O deputado federal Fernando Francischini (SD), secretário de Segurança pública do governo Beto Richa (PSDB) durante o confronto do 29 de abril, postou no fim da manhã desta sexta vídeos para supostamente demonstrar que foram o PT, o  MST e a CUT os responsáveis pela violência em frente à Assembleia.

O link divulgado pelo deputado no Facebook leva a vídeos no YouTube dos momentos iniciais do tumulto em frente à Assembleia, em abril de 2015, quando a população tentou retirar grades de isolamento para entrar na Assembleia. A ideia era protestar contra a reforma da previdência que seria aprovada ainda naquele dia pelos deputados estaduais.

Os vídeos  mostram apenas isso: gente retirando as grades – coisa que ninguém jamais questionou. O que sempre se questionou foi o fato de a polícia, a partir disso, ter reagido de forma totalmente desproporcional, com cães ferozes atacando pessoas, balas de borracha disparadas contra manifestantes e bombas de gás atiradas na população.

Além de tudo, fica o extremo mau gosto de publicar isso exatamente no dia em que completa um ano o massacre e as pessoas lembram seus 213 feridos em protestos (novamente pacíficos) pelas ruas do estado.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 29/04/16 12:06:05 PM
Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo.

Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo.

Nos 12 meses que se passaram desde o 29 de abril, quando o governo do Paraná conseguiu aprovar (do modo como se sabe, ferindo centenas de pessoas) o ajuste fiscal, mais de R$ 2 bilhões do caixa da previdência ajudaram o governo a “sanear” suas contas.

A reforma aprovada permitiu que o governo usasse a “poupança” feita em governos anteriores – o Fundo Previdenciário – para pagar a aposentadoria mensal de mais 33 mil funcionários. a prática, isso significa dilapidar já o que deveria pagar aposentadorias futuras.

O governo de Beto Richa (PSDB) fez a reforma devido ao estado lastimável em que herdou as finanças de seu antecessor – o próprio Richa, reeleito em 2014. Com o restante do ajuste fiscal, conseguiu tapar o déficit. Com a previdência, conseguiu superávit em relação às despesas de 2015.

Ou seja: basicamente, o que mantém hoje o estado rodando, além do pagamento de gastos fixos, como folha de pessoal e custeio, é a retirada mensal dessa poupança previdenciária.

Já em maio, depois da aprovação da lei (sancionada às pressas no dia seguinte), o governo pegou R$ 543 milhões – já que a lei era retroativa – do fundo. Depois, mês a mês, mais R$ 120 milhões. Em 12 meses, somam-se com isso R$ 2,1 bilhões, aproximadamente.

Ou seja: para cada um dos 213 feridos, o governo pôde, neste primeiro ano, usar R$ 10 milhões de dinheiro dos aposentados.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 29/04/16 11:12:09 AM
Luiz Groff. Foto: Luiz Costa/Arquivo Gazeta do Povo.

Luiz Groff. Foto: Luiz Costa/Arquivo Gazeta do Povo.

O empresário Luiz Groff, especializado na venda de vinhos em Curitiba, comprou uma briga com o governo do Paraná. Há tempos vem reclamando do imposto sobre o vinho, que estaria dificultando os negócios. Agora, partiu para nova estratégia.

Em seu minuto na CBN, o empresário passou a desancar publicamente o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, responsável pela política fiscal do estado. Em cinco textos, chega a dizer que vinho não é supérfluo, e que supérfluo é o adicional que o secretário recebe por participar de conselhos.

Veja abaixo os cinco textos:

Texto 1:
Justificar tributação elevada alegando que o produto é supérfluo é o argumento supérfluo  dos que não tem argumentos.  Cosmético, por exemplo,  usado diariamente por mais da metade da humanidade,  é supérfluo? Tirando ar e água, todos os produtos podem ser substituídos, logo são supérfluos, infere-se que  o salário que compra o  arroz  vem  da venda  de supérfluos. Quando o aumento de imposto reprime o consumo de supérfluos reprime também o  arroz. Além disto o conceito de supérfluo  é subjetivo. Eu, mero contribuinte, acho que conselhos fiscais de empresas estatais são supérfluos porque apenas aprovam o que o Governo já determinou à Diretoria. Já um Secretário que complementa seu salário com um jabá de 100 mil reais mensais, oriundo dos pró-labores dos muitos conselhos que faz parte , com certeza, acha estes conselhos essenciais.

Texto 2:
Há cem anos Bismark disse que se o povo soubesse como são feitas leis e linguiças não dormiria. Hoje, graças à ANVISA podemos comer linguiças, a insônia vem  dos decretos. O decreto que elevou  o imposto sobre o vinho em 90% diz o seguinte:

A base de cálculo para retenção do imposto será o preço máximo de venda a varejo fixado pela autoridade competente;  na falta desse preço  será usado o valor sugerido pelo importador  ao consumidor final. (sic)

Uma autoridade competente para fixar o valor máximo de venda  de vinhos no varejo? Não existe e nunca existiu. Não chegamos a este ponto. Usar obrigatoriamente o valor  determinado pelo  importador para o consumidor final?  O decreto proíbe o desconto.

Ninguém assinaria um decreto com estas bobagens, infere-se que quem assinou não leu e sugiro que  o façam sempre que promulgarem decretos que  incidem sobre nossas vidas. E, enquanto não lerem, fiquem longe das linguiças.

Texto 3:
O Secretário da Fazenda disse na  televisão que minhas contas sobre o imposto do vinho  não são verdadeiras e um técnico garantiu na Assembleia Legislativa que o aumento foi de apenas 14%.

Acontece que numa  uma planilha  elaborada a meu pedido,  pelos mesmos técnicos da Secretaria comparando os impostos de 2015 e 2016 afirmou-se o seguinte:

Alíquota de ICMS em 2015: 25%; em 2016: 29%. Aumento 16%.

Margem de  valor agregado , isto que nós leigos chamamos de Lucro Bruto, e é a  base arbitrária para cálculo do imposto:

2015: 24,92%; 2016: 93,39%. Aumento de 333%

Imposto recolhido previamente aos cofres do estado na compra  de um vinho  de R$ 100.

Em 2015: R$ 30,50; em 2016: R$ 57,90. Aumento de 90,2%.

Aumento no custo do vinho, 19,6%.

Afinal Secretário, qual é o aumento do imposto?  O senhor disse que ninguém deixa  de beber vinho por causa de um aumento de  14%. Então com quanto é que deixa?

Com 90% tenho certeza que não deixa. Vai comprar em São Paulo.


Texto 4:

A  matemágica tributária dos juros simples joga na cabeça de todos o pagamento da dívida federal, a maior parte devida pelos quatro estados mais ricos do Brasil.

Um absurdo, mas este golpe começou muito antes, e já recaiu em parte sobre a cabeça de todos nós com a  extensão da Substituição Tributária sobre produtos desiguais.

Produtos com grande variação de preço e forma de comercialização, como vinhos,  cosméticos, instrumentos musicais foram incluídos na ST em SP no governo José Serra  pelo inefável  secretário Mauro Ricardo.

A ST hoje aproxima-se de 90% da arrecadação do ICMS  e recai abusivamente sobre os desiguais mais baratos.

No “supérfluo”  vinho  a ST foi para 57%, que aliada ao IPI Federal elevou o imposto a 71%, (88% em vinhos do Porto, valor que corre como piada,  em Portugal) – mas não é só isto. Deve-se acrescer o rateio das ST pagas  de transações não consumadas, que atingem um valor expressivo  em produtos desiguais. Experimente distribuir um imposto previamente recolhido de um piano de cauda que não foi  vendido sobre a venda bem sucedida de  gaitinhas de boca.


Texto 5:

O cara que cuida do estoque da Invinovéritas é muito alto e gosta de colocar as garrafas de vinho nas prateleiras mais elevadas, onde eu, baixinho convicto, não alcanço.

Todo santo dia, há dois meses, eu digo  pra ele  baixar os vinhos e ele diz que o problema não está na altura das prateleiras, mas no comprimento das minhas pernas.

Não vou tolerar mais este desaforo, vou mostrar pra este cara quem  manda aqui sou eu. Ou baixa os vinhos, ou  será demitido, com aviso prévio, lógico.

Não é que ele seja má pessoa, mas  ele é  muito teimoso e  não me obedece,  mas ele vai ter que entender que alguns são eleitos para mandar e outros para obedecer. –Olha aqui, cara! Um ultimato!  Ou você baixa estes  vinhos para uma prateleira do meu tamanho ou vai pra rua.

– Doutor, não precisa mais baixar doutor, eu mandei comprar uma escadinha  sob medida.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 28/04/16 4:53:03 PM

Um ano depois do massacra do Centro Cívico, o governo do Paraná não conseguiu apresentar quaisquer provas convincentes de que tenha havido black blocs ou outros grupos violentos por trás da manifestação de 29 de abril, em frente à Assembleia Legislativa.

Esse sempre foi o pretexto do governo: a força foi necessária, e não desnecessária, porque do outro lado não estavam apenas professores, e sim pessoas perigosas, profissionais da arruaça. Já no dia 29, Beto Richa (PSDB) deu entrevista, logo após o confronto, defendendo esse ponto de vista: foi tudo uma armação contra ele.

Nos 365 dias que se sucederam, o governo manteve a versão. De início, disse ter arranjado provas. As primeiras foram evidentemente falsificações: caso do carrinho de bebê que teria servido para esconder  bombas (e que continha pamonhas) e do “soldado groselha”, um policial que postou foto supostamente sujo de sangue, mas que era evidentemente uma fraude.

Nenhum policial ferido apareceu em público. Os instrumentos mostrados como se fossem para fabricar coquetéis molotov não eram suficientes para assustar ninguém (vinagre?; garrafas de vidro?). Depois vieram as pedras, paus e bombas apreendidos e fotografados pela polícia. Mas nunca a polícia conseguiu dizer de quem tinha tirado aquilo, a quem pertenciam conforme mostrou a OAB.

O delegado Francischini, responsável pela Secretaria de Segurança à época, chegou a dizer recentemente que liberaria vídeos inéditos que mostram “ondas” de ataque dos manifestantes às quais a polícia reagiu. Nesta sexta, completa-se um ano sem que essas imagens jamais tenham vindo a público.

Tudo indica que provas não há, até porque não teria como haver. A manifestação contra o projeto foi legítima e mesmo que os manifestantes tenham forçado a entrada – como de fato ocorreu – a reação da Polícia Militar foi totalmente desproporcional e violenta. Não é qualquer um que consegue deixar 213 feridos numa manifestação. O governo do estado conseguiu.

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