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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 24/04/14 4:11:21 PM
Albari Rosa / Gazeta do Povo

Cacá Pereira.

Dificilmente vai passar. E pode ser que seja apenas uma ação para que o vereador ganhe vitrine e votos com base em uma proposta sem chance de prosperar. Mas o fato é que a ideia faz sentido. Projeto do vereador Cacá Pereira (PSC) defende que quem não conseguir vagas nas creches de Curitiba tem direito a receber um auxílio em dinheiro para bancar uma creche privada com o valor.

O auxílio, segundo o projeto, seria de R$ 350 por criança. E serviria para aliviar o drama de quem não consegue a vaga no sistema público (reconhecidamente deficitário), nem tem dinheiro para pagar pelo serviço privado. Vários casais passam pela situação e, sem ter com quem deixar os filhos pequenos, são prejudicados no trabalho, justamente a fonte de renda necessária para pagar o restante das coisas.

A prefeitura há anos vem lutando contra o déficit de vagas, que na última eleição foi estimado em 15 mil. E a atual gestão conseguiu ampliar a oferta. Mas ainda não é suficiente. Como se trata de um direito dos cidadãos, faria todo sentido que houvesse uma indenização que garantisse que o direito fosse obtido de outras maneira.

No entanto, como a proposta cria custos para o Executivo e isso sempre impede a aprovação de projetos originados na Câmara, certamente o destino da proposta será a gaveta. Resta ver se a prefeitura verá a ideia com bons olhos e a assumirá, apresentando proposta semelhante. Do ponto de vista social, seria excelente. Do potno de vista financeiro, um problemaço a mais para a gestão de Gustavo Fruet (PDT).

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 24/04/14 7:06:51 AM

Muritiba

O cineasta Aly Muritiba e sua trupe pretendem trabalhar a partir de hoje na antessala do secretário de Estado da Fazenda, Luiz Eduardo Sebastiani. Segundo eles, a ocupação da sala é um protesto pacífico pelo fato de o governo estar devendo meio milhão de reais à produtora do grupo, que venceu em 2012 o edital estdual de cinema. A equipe recebeu a primeira parcela, mas não o restante, e está sendo protestada por dever a mais de cem pessoas. Veja a entrevista de Muritiba ao blog:

Por que ir trabalhar na sede da Secretaria da Fazenda?

O governo do estado vem nos devendo esse dinheiro e uma satisfação há um bom tempo. O edital teve o resultado publicado em dezembro de 2012. Foram meses para fazer o contrato e outros meses para liberar a primeira parcela. Recebemos R$ 200 mil em novembro de 2013, para a pré-produção. Fizemos a pré-produção com esse dinheiro. Elaboramos o relatório para liberar a segunda parcela e pagar as filmagens. Recebemos um empenho em 17 de dezembro, e o dinheiro sairia em 10 dias. Em janeiro, começamos a filmar. Fizemos as filmagens em cinco semanas. Foram adiando e disseram que o dinheiro da segunda parcela, R$ 500 mil, sairia em março. Pedimos para todo mundo esperar, fornecedores, atores, outras empresas. Mas agora nossa produtora foi até protestada. E ainda não recebemos.

Por que foi escolhida essa forma de protesto?
A nossa mudança para a Secretaria da Fazenda é um protesto contra o descaso do governo com o nosso caso e com a cultura. Não é justo. Vamos passar a trabalhar lá. Vamos para lá de maneira muito política, polida, educada. Pretendo entrar, sentar numa mesa, usar meu computador e minha internet.

E se tentarem te barrar?
Tenho direito de estar num prédio público. Pagos os meus impostos em dia. Não vou atrapalhar ninguém. Ficaremos sentados no décimo sexto andar, trabalhando. Pretendo tomar até o cafezinho deles. Espero que seja bom.

Quantas pessoas participarão do protesto?
Nossa equipe é pequena. Estamos devendo dinheiro para mais de cem pessoas que trabalharam conosco, mas são free-lancers. Funcionários da produtora mesmo são seis. Um está viajando, então estaremos lá em cinco pessoas. E ficaremos lá até nos pagarem.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 23/04/14 4:14:50 PM

Petraglia AR

O presidente do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, defendeu o secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, nesta terça-feira, em Curitiba, quando os dois estavam saindo de uma visita à sempre inacabada Arena. Numa entrevista coletiva, o repórter André Pugliesi, desta Gazeta do Povo, fazendo seu trabalho, questionou Valcke sobre uma denúncia de salário duplo. Coisa que tem mais é de ser explicada mesmo.

Valcke falou, negou, criticou a imprensa pelo interesse no assunto. Depois veio Petraglia. Com seu estilo autoritário, não apenas defendeu o homem da Fifa como deixou claro que acha que a imprensa não tinha nada que ficar fazendo perguntas difíceis para Valcke. Disse mais: que se envergonha da imprensa local por estar fazendo seu trabalho.

“Eu me envergonho como paranaense que a mídia faça esse tipo de pergunta destrutiva, que não tem nenhum objetivo a não ser criar mais um clima de destrutividade que temos vivido. Me perdoe, Jérôme”, disse Petraglia.

Qual o motivo da vergonha? O fato de que a imprensa está querendo saber da lisura de Valcke? De um homem que está comandando uma Copa bilionária, que está à frente da gestão de um evento caríssimo e recheado de dinheiro público, que em última instância é responsável pelo bom uso de bilhões de reais dos contribuintes?

Petraglia é o arquétipo do sujeito autoritário, que não tolera liberdade de expressão e de imprensa. Está mostrando ao mundo que por aqui tipos como ele ainda têm espaço para mandar e desmandar. Está revelenado para países civilizados o que a imprensa local ainda tem de aturar.

Petraglia se envergonha dos jornalistas paranaenses? Ok. O sentimento é mútuo.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 23/04/14 2:21:57 PM
Judith Jarvis Thomson.

Judith Jarvis Thomson.

A declaração de Eduardo Campos sobre o aborto (disse que é contra) levou o colunista Hélio Schwartsman, da Folha de S.Paulo a publicar nesta quarta-feira um artigo interessante sobre o tema. O colunista diz que vê nessa época eleitoral uma espécie de “concurso de coroinhas”, já que todos os candidatos querem ficar de bem com o eleitor religioso. E trata do tema do aborto.

Sempre elegante, Schwartsman faz menção a um argumento que tem sido bastante citado pelo pessoal da filosofia. O argumento é de Judith Jarvis Thomson e é a favor do aborto. Reproduzo a descrição feita na coluna da Folha.

“Uma bela manhã você acorda e constata que foi cirurgicamente ligado a um famoso violinista. É que ele sofre de uma doença fatal dos rins e você é a única pessoa do planeta com tipo sanguíneo compatível com o dele. Por isso, a Sociedade dos Amantes de Música o sequestrou e realizou o procedimento que coloca os seus rins para filtrar o sangue de ambos. A boa notícia é que, após nove meses, o virtuose terá condições de viver por conta própria e vocês serão separados.”

O objetivo da analogia é óbvio. Assim como a pessoa não tem obrigação de dar nove meses de sua vida a um violinista para salvá-lo (mesmo que ele seja importante, que sua vida seja valorizada etc) ninguém tem obrigação de ser altruísta o suficiente para gestar uma vida por nove meses se não tem desejo ou interesse de fazê-lo.

O argumento tem circulado e parece fazer sucesso entre os que são favoráveis à legalização do aborto. No entanto, é obviamente bastante frágil. E por um motivo evidente. No caso do experimento do violinista, a pessoa “acordou” assim, ligada a ele, sem ter feito nada que a levasse a imaginar que isso ocorreria. Mas no caso de uma gravidez, não é assim que as coisas ocorrem. Todo adulto capaz sabe das consequências possíveis da atividade sexual. A pessoa não simplesmente “acorda ligada a alguém” ser ter feito nada para isso. Pratica um ato de cujas (possíveis) consequências está ciente.

As exceções, claro, são o estupro, ou o caso de incapazes de um raciocínio de causa e efeito desse gênero. Pelo menos no primeiro caso, a legislação já permite o aborto.

Há argumentos válidos e que devem ser levados a sério tanto contra como pró legalização do aborto. No entanto, não é possível fazer uma comparação entre uma gravidez e um ato de sequestro e união forçada com uma outra pessoa. Não se quisermos ser honestos com o modo como as coisas realmente ocorrem.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 23/04/14 11:13:30 AM

Da coluna Caixa Zero, publicado nesta quarta-feira, na Gazeta do Povo:

O filósofo Michael Sandel, professor de Harvard, diz que o debate econômico americano ficou empobrecido quando só duas questões passaram a importar: quanto o país cresce e quanto será distribuído para cada um. Nem sempre a pergunta sobre quanto dinheiro deve fixar no bolso de cada um foi a mais importante, diz ele. Na formação do país, e durante parte do século 19, os presidentes e os políticos se importavam também com outra coisa: como fazer a economia funcionar de modo a gerar uma sociedade politicamente mais justa.

Explica-se. O debate em que Thomas Jefferson e seus contemporâneos estavam envolvidos tinha a ver com a urbanização e, depois, com o tamanho das empresas que surgiam nas cidades. Era a fase depois da Revolução Industrial, e as pequenas biroscas familiares começavam a dar lugar a grandes indústrias. Alguns, como Jefferson, achavam importante manter forte a tradição agrária no país. Chegava-se a falar em frear o tamanho das corporações.

O motivo era simples. Quanto maiores elas fossem, mais influenciariam a vida do país. Mais seriam soberanas. E os cidadãos, menos. Ficariam expostos às decisões dos controladores das empresas não só no mundo no trabalho. As corporações passariam a ditar as regras, a moldar as cidades e, claro, interfeririam na política. Isso numa época em que ainda não havia a Coca-Cola nem existiam as gigantes automotivas.

Hoje seria difícil até mesmo começar a discutir economia por esse lado. Limitar tamanho de corporações ou seu poder virou uma espécie de tabu. Até mesmo porque os americanos do século 18 estavam certos: deixou-se que elas crescessem demais e hoje não só o lobby a seu favor é imenso como algumas empresas se tornaram importantes demais. E ficamos dependentes da própria existência delas.

Mas há maneiras de reduzir a influência desse fato consumado. A tentativa de impedir que as empresas doem para candidatos no Brasil é uma delas. Pode parecer algo quixotesco. Mas não. Se queremos manter a ideia do autogoverno, de que são os cidadãos que devem ser os principais autores da lei e do governo, que devem ter direito ao autogoverno e que a interferência de gigantes endinheirados pode se tornar um fator deformador da boa democracia, não é nada absurdo vedar as doações. Pelo contrário.

Nos Estados Unidos, onde a influência empresarial nas eleições, é ainda maior do que aqui, há uma pesquisa feita regularmente para explicar como ocorreu a “compra do presidente”. Exagero? Em 2010, mais de dois terços das doações para candidatos partiram de empresas. Sabe-se que muitas delas cobram depois o preço em facilidades e contratações. Mas mesmo que não o façam. Ao eleger seus favoritos e dar a eles uma tremenda vantagem financeira, já deformam a corrida desde o início. Quem tem o dinheiro, no final, decide a eleição. A não ser que se acredite ainda na ideia do tostão contra o milhão.

Diz-se por aí que defender o fim das doações seria beneficiar o PT e o atual governo. Pode ser que o partido se beneficie, certamente, principalmente em razão de sua imensa base sindical. E esse é um argumento a ser levado em consideração. Mas não há dúvida de que decidir que tipo de democracia queremos no longo prazo tem de ser o ponto mais importante.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 17/04/14 7:06:41 AM

Curitiba oficializou, com a abertura do viaduto estaiado, nos últimos dias, uma nova era na história das obras desnecessariamente caras. Pontes estaiadas, até dez vezes mais caras que as comuns, são construídas em locais onde não há condições de colocar pilares como base. Como aqui não havia necessidade de uma, a prefeitura resolveu fazer um viaduto na Avenida das Torres. Custou mais de R$ 80 milhões. A desculpa para o desperdício era de que a obra se tornaria um cartão postal. Nem isso: ficou feio.

Já que o dinheiro está sobrando e a ideia é fazer coisas desnecessárias, desde que isso nos deixa com cartões-postais semelhantes ao de outras cidades e países, o blog resolveu fazer uma lista de sugestões para os próximos prefeitos. Se bem que talvez fosse melhor deixar quieto. Vai que alguém leva a sério…

Nagyman/Wikimedia Commons

  1. Muralha para nos proteger dos mongóis. Não temos fronteira com a Mongólia. Em todo caso, talvez algum prefeito, vendo a Muralha da China, se inspire a fazer um cartão-postal do gênero para Curitiba. Poderia ser construída na divisa com algum município da região metropolitana, por exemplo.Buckingham
  2. Palácio real. Não sendo uma monarquia, Curitiba não tem família real. Mas quem não precisa de rio para fazer ponte estaiada talvez não precise de monarca para construir um castelo. Fica a dica.Pisa
  3. Torre torta. Se a torre de Pisa, na Itália, fosse reta, seria muito menos conhecida. Não seria um dos cartões-postais mais famosos do mundo. Já que a ideia é fazer cartões-postais, não custa encomendar obras de engenheiros capazes de fazer torres tortas no futuro próximo.eurotunel
  4. Túnel ligando Curitiba à Inglaterra. Se os ingleses precisam de uma ligação subaquática com a França, por que não nós?Ponte Rio-Niteroi
  5. Ponte Curitiba-Superagui. Algo no estilo Rio-Niterói, sabe?piramides
  6. Pirâmides. Assim como no Egito, poderíamos passar a sepultar nossos líderes políticos em grandes monumentos, junto com toda a sua família. Talvez ficasse bem no Caximba.Paranagua
  7. Porto do Rio Belém. Com terminais de carga e, claro, também de passageiros, para receber turistas.shinkansen
  8. Trem-bala Santa Cândida-Capão Raso. Seria ligeiramente mais caro do que o atual expresso, mas daria belas fotos.Stonehenge
  9. Stonehenge. Que tal uma cópia? Ninguém sabe para que serve o original mesmo. Nesse caso, pelo menos, o nosso seria tão útil quanto o deles.Lincoln_with_Inscription
  10. Memorial de Lincoln. Talvez no Tanguá, com uma estátua gigante de algum figurão local. Lá, o prefeito faria a sessão anual de anúncio de novas obras desnecessárias.
Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 16/04/14 2:28:44 PM

1964

Da coluna Caixa Zero, publicada nesta quarta-feira, na Gazeta do Povo:

Lidar com os brios do Exército é sempre complicado. Ainda na ditadura, Ernesto Geisel queria enquadrar os milicos e mostrar que ele era quem mandava. Para fazer a abertura “lenta, gradual e segura” teve de aguentar a pressão da linha dura, que queria fechar cada vez mais o regime. Terminou tendo de demitir o ministro do Exército, Sylvio Frota. Na época, segundo depoimento de José Sarney colhido por Elio Gaspari, estava claro que um dos dois tinha de sair. Frota caiu, tentou um golpe, mas Geisel venceu.

Neste ano em que se completam 50 anos do golpe de 1964, viu-se que os defensores da ditadura, embora escanteados, continuam por aí. Isso entre os civis. Imagine-se entre os militares, que por questão de hierarquia não podem falar do assunto. Para se ter uma ideia da batalha ideológica ainda em curso, basta olhar o site oficial do Exército. Desde 2010, quando O Estado de S. Paulo noticiou que a página sobre a história da instituição classificava o golpe como “opção pela democracia”, o texto sumiu. Seria normal vê-lo substituído por outro, mas há quatro anos quem entra lá vê apenas a informação de que o conteúdo está “em manutenção”.

Quanto tempo será necessário para que o Exército chegue a uma versão sobre os fatos de meio século atrás? Parece que ainda não estamos lá. Na semana passada, depois dos pedidos do ex-presidente Fernando Henrique para que o Exército apresentasse desculpas ao país pelos erros cometidos, um general da reforma deu o tom. Rômulo Bini escreveu que quem o fizesse seria classificado de traidor, “à semelhança de Calabar”. Em miúdos, nada feito. O Exército pode aceitar que não lhe deixem falar em “opção pela democracia”, mas não aceitará que fez a opção pela ditadura.

Por isso tudo, não deixa de ser boa notícia um pronunciamento que por enquanto passou despercebido. Atual comandante do Exército, o general Enzo Peri, gravou vídeo de Ordem do Dia em comemoração ao aniversário do Exército, celebrado dia 19. É o pronunciamento da autoridade militar mais perto aos 50 anos da derrubada de João Goulart. E dá um recado indireto para os comandados – de generais a soldados. A mensagem é: chega de olhar para trás.

“Sabe-se que apenas deleitar-se com as conquistas do passado é o caminho mais curto para o desastre futuro”, diz o general. “A arrogância é o rastilho da queda.” E mais: “Preservando o imutável[...], seguimos evoluindo, mudando. Não perdemos tempo e energia decantando glórias do passado. Quando as recordações superam os sonhos, o fim está próximo”. Para não deixar dúvidas. “Sabe-se que as organizações que vivem a olhar sobre seus próprios ombros não se dão conta do trem que vem em sentido contrário.”
Numa estratégia à maneira de Golbery, o general dá uma no cravo e outra na ferradura. Fala em “conquistas e glórias”, mas diz que o melhor é deixar isso para lá e pensar na missão futura, que segundo ele é a era da tecnologia. Nenhuma relação, portanto, com política e com governos.

Mas talvez o principal recado venha mesmo em uma omissão. Ao listar os feitos do Exército em seus mais de três séculos, ele lembra de batalhas internas, de envio de tropas ao exterior, a proteção de vítimas de desastres naturais e a pacificação de áreas conturbadas. E 1964? Nada. Nem mesmo uma palavra. Não está na lista das glórias. Não poderá ser chamado de Calabar por seus comandados. Mas não podia ser mais claro. Ou precisa desenhar?

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 14/04/14 7:15:54 AM

A presidenta da Petrobras, Maria das Graças Foster, participa de audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara para falar sobre o plano de negócios da empresa

E se a CPI da Petrobras não for só da Petrobras? Qual o grande dano? Dora Kramer deu uma bela resposta a essa pergunta na semana passada. Isso pode ser um passo importante para acabar com a possibilidade de a oposição fiscalizar o governo. Qualquer governo. Pode ser inclusive um tiro no pé do próprio PT.

A regra atual (e faz tempo que é assim), é de que para começar uma CPI você precisa de um terço das assinaturas do Legislativo. A ideia é que você não precise ter maioria para formar uma CPI. Porque o governo (quase) sempre tem maioria. E a oposição, se dependesse de 50%, não sairia do lugar. Como é salutar que alguém possa fazer apurações do gênero, garante-se o direito da minoria.

Mas se a maioria tiver o direito de ficar enfiando assuntos na CPI criada pela minoria, nunca ocorrerá a investigação. Cria-se a CPI da Petrobras mas ela vai investigar qualquer outra coisa, menos a Petrobras. Investigará até resultado possivelmente fraudado de torneio de bolinha de gude, se isso aliviar a barra do governo, mas não o que realmente interessa.

Aqui é preciso pôr um parêntese. As denúncias que o governo quer incluir na CPI, sobre o metrô de São Paulo, por exemplo, são sérias. E poderia ser investigadas em outra CPI. E se o governo de São Paulo não agisse com métodos tão truculentos quanto o equivalente federal, poderia ter sido tudo investigado na Assembleia de São Paulo.

E esse é o tiro no pé do PT. A valer a regra nova, onde e quando o partido for oposição, não conseguirá investigar nada. Estará fadado a ver suas CPIs virarem apuração de concurso de Princesa da Festa do Ovo e do Pêssego. E nem poderá reclamar.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 11/04/14 8:28:09 AM
Antes...

Antes…

... e depois.

… e depois.

Estávamos vendo a TV Senado na redação do jornal (uma das agruras de quem cobre política), quando apareceu Renan Calheiros (PMDB-AL), empoleirado mais uma vez em seu posto da presidência, comandando a sessão. O ângulo da câmera, posta no alto, mostrava não só o rosto do senador (que não moveu mil navios, mas foi suficiente para conquistar a Monica Veloso), mas também algo mais. Mostrava sua nova cabeleira.

Quem segue política se lembra. Se no primeiro mandato como presidente do Senado Calheiros foi descoberto recebendo dinheiro de quem não devia (para pagar a uma amante e sua filha), depois da volta por cima foi pego em estripulia bem menos picante. Descobriu-se que ele usou avião da FAB para ir a Recife e realizar um implante de cabelos.

Pois há quem diga que a TV Senado não tem atrativos? Veja só: neste caso, foi lá que se pôde perceber aquilo que talvez seja o mais eficiente uso de recursos públicos da carreira de Renan. A cabeleira, antes rala, agora se vê basta, espalhada por toda a cabeça. O penteado ainda é baixo, decerto para que os fios novos se equiparem aos antigos. Mas está tudo lá.

Pela conta já feita pelo colunista Elio Gaspari, dividindo os R$ 27 mil da passagem da FAB pelos 10 mil fios implantados, cada fio saiu ao contribuinte por R$ 2,7. Será que alguém logo estará apontando essa como uma obra de sucesso? Fizemos o registro no jornal impresso desta sexta, mas queria abrir a discussão com vocês também.

Ah, sempre lembrando: Renan disse que devolveria os R$ 27 mil. Claro.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 10/04/14 3:54:36 PM

praca espanha

A prefeitura de Curitiba e os vereadores não param de anunciar coisas boas para o Batel. Este blog já mostrou que a Câmara apresenta mais propostas para a praça do que para o Osternack inteiro. A prefeitura de Luciano Ducci e Beto Richa chegou a prever calçadas de granito na região. Depois da grita (não antes), Gustavo Fruet mandou baratear tudo.

As obras na Praça Espanha, previstas para os próximos meses, foram previstas por causa da Copa. A praça não fica perto do estádio da Arena, não tem nenhuma relação com coisa alguma. Mas será beneficiada para a Copa. A atual gestão, que herdou o pacote e, admita-se, pagará a conta, pode dizer que não tem nada com o pato. Está apenas aproveitando convênios que herdou, cujo dinheiro não poderia ser remanejado.

Ok. Mas nesse caso, seria preciso jogar claro na divulgação das obras. Algo do gênero “isso se deve à administração anterior”. Ou então assumir que concorda com a proposta. E que o Batel anda mesmo precisando de uma mão, ao contrário dos bairros mais afastados.

Segundo o texto do site oficial, a praça terá “reforma no piso, mudança no calçamento, aumento do palco, além de melhorias na Casa da Leitura Miguel de Cervantes e dos outros equipamentos do local”.

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