Assinaturas Classificados

Seções
Anteriores
Publicidade

Caixa Zero

Quem faz o blog
Seções
Posts
Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 24/11/14 12:52:03 PM
O Livre.Jor é um recente e interessante fenômeno da política paranaense. Não para quem acha que política é só fofoca e bastidores. Mas para quem entende que cobertura de política é algo muito mais minucioso e que depende de olho atento aos detalhes.
Dois jornalistas de Curitiba, José Lazaro Ferreira e João Guilherme Frey, passaram a acompanhar de perto os diários oficiais dos órgãos públicos locais e a divulgar as informações via Facebook. Em pouco tempo de trabalho, mostraram a relevância dessa iniciativa simples, pautaram a imprensa e conseguiram mais de mil “curtidas” em sua página. Veja aqui uma entrevista com os dois.
De onde surgiu a ideia de fazer a página? Por que é importante?

Até fevereiro deste ano não havia uma iniciativa dedicada a acompanhar sistematicamente dados públicos relacionados ao Paraná, a exemplo do que já acontece em nível federal. Organizações não-governamentais como a Associação Contas Abertas e a Transparência Brasil há anos se dedicam a fiscalizar atos e gastos públicos em Brasília, nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário – e o esforço deles complementa as notícias factuais, do cotidiano. No Paraná, isso não ocorria.

Outro fato importante na gênese do Livre.jor foi a série Diários Secretos. Ela mostrou claramente a quantidade de informação que os diários trazem e os efeitos que estas publicações têm. E, como o nome diz, os diários são publicados todos os dias, então não nos resta outra saída senão o acompanhamento sistemático. Dá para dizer que aquilo que era uma lacuna antes dos Diários, por algum motivo, continuou pendente depois do arrasa-quarteirão dessa série de reportagens.

Ao mesmo tempo, não se pensou em mais um blog de política, ou mais um portal de notícias. Localizar documentos e informações, disponibilizando-as junto com o caminho para a pessoa checar, por conta própria, os dados, parecia geneticamente incompatível com esses modelos. Jogar isso tudo numa rede social, “para ver no que vai dar”, passou a ser uma ideia irresistível. Primeiro, por ser a linguagem do agora. Segundo, por soar como uma provocação positiva ao jeito como estamos acostumados a ver as coisas.

Nós dois somos jornalistas, e defendemos a transparência como um princípio da administração pública – nunca um favor dos governantes aos cidadãos. A entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação, em 2012, é uma das maiores vitórias na história recente da democracia brasileira. Só que não basta ter a lei à disposição, é preciso usar e abusar dela. Sem isso, as estruturas não se adaptam. Logo, é muito importante que as pessoas percam o medo de pedir informações, e comecem a requisitar, a incomodar. O Livre.jor é um incentivo nesse sentido.

Quanto tempo isso toma de vocês? Vocês pensam em ter algum tipo de remuneração com isso no futuro?

Nós dois lemos os documentos e fuçamos nos bancos de dados nas nossas horas vagas. Isso quer dizer que em um dia temos meia hora disponível, em outro mais tempo. Pode acontecer de começar algo hoje e terminar na semana seguinte. Ou no mesmo instante, se a história for muito boa. Os dois trabalhamos, temos namoradas, vamos ao cinema. Em média, dá para dizer que gastamos de uma a duas horas por dia, cada um, atrás dos dados que publicamos.

É possível que o Livre.jor tenha algum desdobramento, em termos de jornalismo, como atividade monetizada. Só que esse modelo de negócio ainda não está claro para nós. O jornalismo como profissão e como atividade lucrativa está em mutação neste momento. Oportunidades surgem e desaparecem no cenário internacional: sponsorships, crowdfunding etc. Estamos atentos a elas, lógico, pois seria uma forma de dedicar mais tempo à atividade. Contudo, não se tem a pretensão de isso virar uma startup de sucesso do dia para a noite. Não dá para ter pressa ou pensar o Livre.jor como o Porta dos Fundos, o Mundo Canibal ou o Jovem Nerd.

Vocês esperavam ter esse retorno, com tanta gente demonstrando interesse e usando as informações?

Começou com jornalistas utilizando o material do Livre.jor para fazer pautas mais aprofundadas, quando o projeto tinha umas 100 curtidas no Facebook. Eles mandavam mensagem pra gente, perguntando como citar a iniciativa. “Não sabemos, é só uma fanpage no FB”, respondíamos. Dizíamos para eles citarem o documento, uai, que era público. Ninguém quer ficar famoso, pelo contrário – é até engraçado dizer isso em voz alta. Daí um amigo passou a usar “coletivo de jornalistas independentes especializados na análise de dados públicos”. Ora, isso é um elogio, mais que uma definição. Precisamos ser mais coletivos, mais independentes e mais especializados para honrar isso.

Quando o primeiro convite para conversar com alunos de jornalismo surgiu, da Universidade Positivo, nós ficamos bastante surpresos – e felizes, claro. Depois veio a Unibrasil e o Hackaton Eleições 2014, de novo na UP. Até entrevista para televisão já rolou. Estamos contentes com a repercussão, até porque ela ratifica algo que a “intuição” dizia: existem notícias passando despercebidas nos documentos oficiais e elas, de alguma forma, interessam às pessoas.

Quais são os próximos passos?

Estamos trabalhando para ter um site próprio ainda antes do Carnaval de 2015, quando o projeto completará um ano de existência. Isso nos daria a possibilidade de organizar melhor as publicações, hierarquizar as informações levantadas e criar algumas categorias de notícia – para facilitar a leitura e a pesquisa.

Enfim, sentimos falta de algumas ferramentas que nos permitam refinar, do ponto de vista jornalístico, o Livre.jor. Consideramos importante também estender nossa apuração. O que o Livre tem feito é apurar o início das histórias. Não destrinchamos o fenômeno, só dizemos que ele existe. Trabalhamos assim porque não dispomos de tempo nem de estrutura para aprofundar isso.

Podemos dizer, por exemplo, pelo portal de convênios da Caixa Econômica Federal, que a construção de uma penitenciária em Foz do Iguaçu está atrasada, mas não sabemos em que estágio exato está, se só foi feita a terraplanagem ou se faltam apenas os acabamentos. E, só pelos documentos, não conseguimos saber também quais são as implicações deste atraso, como afeta os centros de detenção provisória da cidade, por exemplo.
Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 24/11/14 10:59:57 AM
Sede sempre fechada da funerária Ômega, em Araucária. Foto: Diego Ribeiro/Gazeta do Povo.

Sede sempre fechada da funerária Ômega, em Araucária. Foto: Diego Ribeiro/Gazeta do Povo.

Governos costumam ser paquidérmicos para resolver problemas, por mais simples que eles sejam. A prefeitura de Curitiba tem se mostrado particularmente lenta em enfrentar situações em que se denunciam irregularidades (veja o caso da licitação do transporte coletivo, por exemplo).

Agora, a reportagem da Gazeta do Povo faz denúncia grave sobre a situação das funerárias da cidade. Os repórteres José Marcos Lopes e Diego Ribeiro fizeram praticamente todo o trabalho difícil: localizaram funerárias fantasmas, acharam suas supostas sedes e comprovaram que ninguém atende lá,

Aparentemente, elas servem apenas de endereços para que empresas maiores, de Curitiba, finjam que não são elas que estão prestando o serviço ao remover corpos para fora da cidade. Por que fariam isso? Há dois motivos. O primeiro é poder fazer aquilo que é conhecido como “agenciamento”: assediar a família na hora da morte para ficar com o enterro. O segundo são os impostos menores cobrados em outras cidades.

As funerárias negam as irregularidades. Têm direito de fazê-lo e de tentar provar que não fizeram nada ilegal. Podem, inclusive, em tese, ter razão. Estranho é quando a prefeitura de Curitiba parece interessada em defender os fatos antes mesmo de investigá-los. Pois é o que parece ter ocorrido.

Entrevistada pela reportagem, a diretora do Departamento de Serviços Especiais da prefeitura, Patrícia Rocha Carneiro disse que não vê ilegalidades no grosso do que foi denunciado. Apenas reconhece algo irregular na existência de uma funerária em que houve indícios mais fortes de se usar a estrutura de uma sede real em Curitiba para disfarçar a inexistência de uma sede fantasma fora. MAs é isso o que se denuncia em todos os casos.

Na história dos ônibus, a prefeitura tem a desculpa de que, para resolver as irregularidades denunciadas nos contratos, teria de rever toda a licitação, possivelmente quebrar contratos e gastar um rio de dinheiro. Neste novo caso, basta fiscalizar. Não parece difícil.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 24/11/14 9:50:33 AM

Cafezinho - AssembleiaNão vai ser por falta de cafezinho que a Assembleia Legislativa vai deixar de fazer alguma coisa. No Diário Oficial do último dia 20, a Assembleia publica o resultado de um edital para compra de pacotes de café. Foram comprados 5,8 mil pacotes. Como cada embalagem, segundo o edital, deve ter 500 gramas, foram compradas 2,9 toneladas de pó de café, para um ano de consumo.

O edital é bastante específico, como pode se ver na imagem ao lado. É preciso que o pó venha de 100% de grãos beneficiados do fruto maduro e de 1.ª qualidade, gosto predominante de café arábica, permitida a presença de café conilon, bebida dura admitindo Rio e isento de Rio Zona, com os pontos de torra moderadamente escura, extra forte, embalados pelo processo de vácuo puro em embalagem filme duble wall (Pet + Alumínio + PEBDL), material atóxico.

Ah, e se alguém estiver preocupado: foram comprados também 3 mil quilos de açúcar. No total, a compra do cafezinho do pessoal, junto com o chá e o adoçante, saiu por R$ 36 mil.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 21/11/14 12:35:36 PM

Fernanda_Richa_2

A primeira-dama do estado, Fernanda Richa, continua tentando se livrar da multa de R$ 5 mil que a Justiça Eleitoral lhe impôs pela campanha eleitoral. Mas, espera aí. Não é a campanha deste ano. É a campanha de 2010.

Sim, o caso da multa pelo discurso eleitoral em um ato da prefeitura de Curitiba, quando Fernanda ainda era presidente da FAS, acaba de dar mais um pequeno passo no Tribunal Superior Eleitoral. Na época, Fernanda e Edson do Parolin foram multados por pedirem votos para Richa em sua primeira disputa para o governo (ela, mais disfarçadamente; ele, abertamente).

Nesta sexta-feira, um recurso contra a multa chegou à assessoria do plenário do Tribunal, para o julgamento.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 21/11/14 11:17:06 AM

Kaefer

Os jornais de Cascavel registram nesta sexta-feira que o deputado federal Alfredo Kaefer, do PSDB, pediu à Justiça que o livrasse das custas de um processo judicial por não ter condições de pagá-las. O total em disputa é de R$ 910. O que chama a atenção é o fato de Kaefer ser o deputado federal mais rico do Brasil eleito em 2014: ele declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 109 milhões.

Segundo o portal CGN, a juíze negou o pedido de Kaefer e pediu explicações. O deputado teria respondido que, como é avalista das dívidas de seu grupo empresarial, que passa por problemas, estaria tendo muitos encargos. E o salário de deputado seria uma renda insuficiente para fazer frente a todos os seus gastos.

O deputado acabou condenado a pagar as custas do processo pela juíz da 1.ª Vara Cível de Cascavel. Mas poderá dividir o valor em dez vezes.

Veja a íntegra da notícia aqui.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 20/11/14 5:02:27 PM

onibus

O sindicato das empresas de ônibus de Curitiba diz que a dívida da prefeitura fez com que algumas empresas repassassem um adiantamento menor do que o normal a seus funcionários neste mês. Como regra, as empresas pagam 40% do salário no dia 20 do mês. Desta vez, segundo o Setransp, algumas empresas pagarão menos.

“Ressalte-se, novamente, que a Convenção Coletiva estabelece que o valor tem de ser de até 40% do salário, não necessariamente 40%, embora as empresas se esforcem para pagá-lo integralmente”, diz nota do sindicato enviada ao blog.

A dívida da prefeitura com as empresas que fazem parte dos consórcios está atualmente em cerca de R$ 9,6 milhões. E os empresários nesta semana afirmaram que, se não tiverem recursos para pagar o décimo terceiro, haverá risco de paralisação.

A Justiça determinou que a Urbs faça o repasse até o início da semana que vem. A prefeitura afirma, no entanto, que já repassou R$ 16 milhões para pagamento do décimo terceiro, e que a primeira parcela, a ser paga no dia 30, custa cerca de R$ 10 milhões.

As empresas dizem que estão tentando fazer empréstimos para garantir o pagamento. “As empresas estão se empenhando ao máximo para obter recursos junto a entidades financeiras a fim de pagar os 40%. Aquelas que conseguirem vão pagar o valor cheio; aquelas que não conseguirem vão pagar o que for possível – algumas pontualmente se encontram nessa segunda situação”, diz a nota.

A Urbs afirma que está recorrendo da decisão e que, se a liminar não for derrubada até segunda-feira, cumprirá a ordem judicial e pagará a dívida.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 20/11/14 4:06:13 PM

feliciano_8O deputado paranaense Artagão Júnior (PMDB) aparentemente está fazendo escola. O deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) acaba de apresentar um projeto de lei igual ao do paranaense no Congresso Nacional, prevendo a inclusão de “conteúdos sobre criacionismo” nas redes privada e pública de ensino.

Artagão apresentou projeto do gênero em fevereiro deste ano e, atualmente, a proposta está parada na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa. Os deputados esperam uma resposta da Secretaria de Estado da Educação Pública antes de levar o tema para votação.

O projeto de Feliciano foi apresentado na semana passada, no dia 13, depois de a polêmica sobre o projeto de Artagão vir à tona. E não só a redação do projeto como a justificativa são literalmente idênticos, repetindo palavra a palavra o projeto do deputado paranaense.

A ideia é que as crianças estão ficando “confusas” ao aprender ciência na escola e outra coisa em casa e nas igrejas. E que o ensino do criacionismo é um jeito de garantir a liberdade de crença das crianças.

Veja aqui a opinião do blog sobre por que isso não faz sentido.

E veja aqui o projeto apresentado por Feliciano.

Siga o blog no Twitter.

Curta a página do Caixa Zero no Facebook.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 20/11/14 12:35:27 PM
Trabalhador haitiano vítima de violência em Curitiba. Foto: Bruno Covello/Gazeta do Povo.

Trabalhador haitiano vítima de violência em Curitiba. Foto: Bruno Covello/Gazeta do Povo.

Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, muitas cidades brasileiras fazem feriado para celebrar a memória dos negros. Curitiba não é uma delas. A Associação Comercial do Paraná e o Sinduscon foram à Justiça contra o feriado, aprovado pela Câmara em 2013.

O tema do racismo sempre foi jogado para baixo do tapete na cidade. Mas há vários motivos para acreditar que ele continua presente em nosso cotidiano. O blog lista dez temas recentes que têm a ver com o assunto. Veja:

1- A cidade rejeitou o feriado da Consciência Negra
Os argumentos usados pela Associação Comercial e pelo Sinduscon foram meramente em torno de questões legais (a impossibilidade de a Câmara criar mais um feriado) e econômicas (o prejuízo para o comércio). Mas isso não significa que o tema do feriado, em si, não possa ter tido peso na decisão das instituições de questionar o feriado. Há uma crença forte na cidade de que não é necessário agir para trazer o tema do racismo à tona. Como se ele não existisse ou não fosse realmente tão prejudicial quanto se pensa.

2- Os casos de agressões aos haitianos
Reportagem da Gazeta do Povo mostrou no ano passado que os haitianos que aportaram na cidade (todos negros) sofrem cotidianamente com agressões verbais e físicas. Eles relatam exclusão, preconceito e até mesmo violência contra os imigrantes.

3- A repercussão dos casos de agressões aos haitianos
A brutalidade do ocorrido não evitou que muita gente nas redes sociais fizesse comentários ainda mais preconceituosos, afirmando que os haitianos não são bem-vindos e até confundindo a geografia, dizendo que eles estariam trazendo o ebola da África (!?) para o Brasil.

4- A polêmica em torno das cotas
Muito se fez para desqualificar a ideia de que as cotas raciais poderiam reduzir a dívida histórica com pessoas que, geração após geração, têm tido menos oportunidades do que as outras em função de preconceitos.

5- Nenhum deputado eleito neste ano
O Paraná não elegeu nenhum deputado federal ou estadual “preto” (para usar a terminologia do IBGE). Há alguns poucos que se consideram “pardos”, o que para o IBGE é equivalente a negro. E só. O estado tem 30% de sua população de negros.

6- Nenhum governante negro na história da cidade
Nunca houve, até agora, um negro prefeito em Curitiba.

7- A ausência de monumentos em homenagem aos negros
Há praças da Ucrânica, da Espanha, do Japão, da França nas região central da cidade. A praça que tem a homenagem aos negros só ganhou um monumento há pouco tempo e fica longe das vistas de turistas e de boa parte dos curitibanos, no Pinheirinho.

8- A fantasia da cidade europeia
Durante muito tempo persistiu o mito de que éramos um “Brasil diferente”, sem muito uso de escravos e com poucos negros. A historiografia e a sociologia vêm desmentindo isso pouco a pouco.

9- Os ataques de skinheads e neonazistas
A cidade registra ocasionalmente ataques racistas, inclusive com mortes, e teve recentemente um surto de grupos neonazistas descoberto.

10- A ausência dos negros em cargos de alto escalão
É o que se chama de “invisibilidade”. Você não vê muitos negros nem mesmo atendendo em lojas de shopping, o que dizer de ocupando postos altos na administração pública, por exemplo.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 20/11/14 8:36:52 AM

Sabe quem pode ser decisivo na definição da presidência da Câmara de Curitiba? Luciano Ducci. O PSB tem três vereadores atualmente, o que pode ser fundamental para favorecer qualquer dos lados no momento. E a bancada diz que está esperando o ex-prefeito voltar de viagem à Itália para ver o que ele tem a dizer sobre o assunto.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 20/11/14 7:56:03 AM

onibus2

Os próximos dias deverão ser de guerra fria entre a prefeitura de Curitiba e a Comec. Os dois lados tentarão provar, com ou sem dados, que estão fazendo a sua parte e que o furo nas contas depende da outra parte. O que está em jogo é um sistema de R$ 1,1 bilhão por ano.

A escalada do conflito começou nesta semana quando a Comec divulgou a informação de que sua pesquisa de origem-destino mostra que a região metropolitana, cujos custos devem ser cobertos pelo estado, é superavitária. Ao contrário de tudo que havia sido dito até então.

A Comec não apresentou dados, alegando que eles são “complexos demais”. Nós não entenderíamos, dizem eles. Mas juram de pés juntos que 31% dos passageiros que pagam passagem na Rede Integrada são metropolitanas, e que isso equilibra as contas da RMC. A prefeitura diz que o número certo é 21%.

Segundo a Comec, com isso a tarifa técnica da região metropolitana é de R$ 2,85, o que seria perfeitamente coberto pelas passagens. O furo, fica implícito, é da parte da prefeitura – e o subsídio pode ser diminuído, ou extinto.

A prefeitura diz que a tarifa técnica da metropolitana é de R$ 4,07 e que ainda não recebeu um estudo decente da Comec que diga o contrário. Roberto Gregório, da Urbs, diz que recebeu apenas planilhas soltas e sem nem explicação da metodologia usada.

Os dois lados pressionarão para dizer que estão falando a verdade porque ambos estão sem caixa. E preferem usar o dinheiro para outras coisas, deixando o subsídio para lá. Mas o fato é que as contas de alguém estão erradas, e o sistema pode parar.

As empresas, que de bobas não têm nada, não abrem mão da atual tarifa técnica (que atualmente é de R$ 3,18) só porque os dois lados dizem que ela devia ser mais barata. E a Urbs não faz nada com as investigações que dizem que a licitação que entregou o sistema aos três consórcios teve problemas.

Quem paga a conta, no fim? A resposta é evidente. É o passageiro, que anda em ônibus mais cheios e mais escassos do que devia. E paga caro por isso.

Páginas12345... 401»
Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
Publicidade
Publicidade
Publicidade
«

Onde e quando quiser

Tenha a Gazeta do Povo a sua disposição com o Plano Completo de assinatura.

Nele, você recebe o jornal em casa, tem acesso a todo conteúdo do site no computador, no smartphone e faz o download das edições da Gazeta no tablet. Tudo por apenas R$ 69,30 por mês no plano anual.

SAIBA MAIS

Passaporte para o digital

Só o assinante Gazeta do Povo Digital tem acesso exclusivo ao conteúdo do site, sem nenhum custo adicional ou limite.

Navegue com seu celular ou baixe todas as edições no tablet - um novo jeito de ler jornal onde você estiver.

CLIQUE E FAÇA PARTE DESSE NOVO MUNDO

»
publicidade