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Generosidade musical é marca do violonista

Artistas da cidade são unânimes quando o assunto é Waltel Branco, instrumentista raro e generoso

  • Cristiano Castilho
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Não há quem não se renda ao maestro. Se tem alguma queixa quanto à sua (pouca) projeção em relação ao grande público ou à mídia, Waltel Branco é unanimidade entre os seus. Músicos da cidade, entrevistados pela reportagem, assinam embaixo: Waltel é único e sua “generosidade musical”, por assim dizer, uma característica essencial à sua personalidade.

“Ele é um cara extremamente musical e muito generoso, já que abre as portas de sua arte para quem se interessar”, avisa o violonista João Egashira, integrante da Orquestra à Base de Corda e amigo do maestro há dez anos. “Ele usa a música para aproximar as pessoas”, sentencia. Não à toa, Waltel rodou o mundo colecionando amigos.

Sua “invisibilidade”, infelizmente, também é atestada por Egashira, que atribui o fato à velha rixa entre música comercial e a arte pura. “Mas, no meio musical, ele é muito reconhecido. O Ed Motta, por exemplo, quando vem pra cá, sempre quer saber dele.” Paulinho da Viola é outro amigo ilustre.

Parceiro musical de Waltel desde a década de 1970, Saul Trumpet resume a carreira do maestro: ele é conhecedor de tudo por ser um músico completo. Ou vice-versa. “Ele é reconhecido mundialmente. Mas não pelo público de Curitiba”, cutuca novamente Trumpet, de 68 anos.

A cantora Rogéria Holtz é, como dizer, uma das musas inspiradoras de Waltel. Já ganhou várias músicas em sua homenagem, entre elas “Estrela” e “Bolerango”. “Ele tem um violão muito ‘limpo’ e uma criatividade instantânea. Waltel Branco é muito inteligente musicalmente”, diz Rogéria, que conhece o maestro há 17 anos. “Era o preferido de João Gilberto. Não há muito mais o que falar além disso”, conta. Distraído e engraçado também estão repertório de complementos da cantora.

Outra das moças para quais Waltel Branco fez música é Norma Cecy. A história é boa. Norma conheceu a música de Waltel ouvindo a trilha sonora da novela Selva de Pedra. A trilha a impressionou tanto que a menina, então com 6 anos, procurava nos créditos o autor daquela obra. E lá estava: “W. Blanc”, um de seus pseudônimos.

“O Waltel sempre foi referência, mas fui conhecê-lo somente em 1998, no Conservatório de MPB de Curitiba. O convidei para participar de um projeto, e ele aceitou prontamente”, lembra a cantora. Pureza, simplicidade e genialidade foram as palavras usadas por Norma para definir o que é Waltel Branco.

Em meio a sua aula de piano, o professor Waldir Teixeira atendeu à reportagem. Não queria interromper o exercício de escala que aplicava, mas, quando soube que o papo envolvia Waltel, mudou de ideia. “Ele é um arranjador fabuloso. Como instrumentista, então, um espetáculo”, diz Teixeira, que reclama do tempo que está sem ver o mestre.

Aos 76 anos, Teixeira e Waltel se encaixam naquele grupo de músicos que sonham em transformar o mundo com sua arte. Utopia ou não, vale sempre lembrar o recado.“Estamos fazendo algo que ajuda a diminuir a tensão do mundo. Trabalhamos para diminuir as coisas terríveis que estão aí, para proporcionar mais alegria, mais felicidade”, diz Teixeira. “O Waltel é dos meus.”

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