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Efraim Rodrigues

Débito de extinção

Texto publicado na edição impressa de 20 de julho de 2012

Na semana passada um aluno usou uma expressão que não ouvia há algum tempo: Débito de extinção. Mais tarde, no mesmo dia, me chegou a notícia de um artigo recente na revista Science sobre o mesmo assunto. Seria porque o universo conspira ou, talvez, ainda mais fantasiosamente: Será que meus alunos andam atualizados com o que sai na Science semana a semana ?

De toda forma, o complexo termo débito de extinção diz respeito a uma ideia simples. Quando voce altera um habitat, extingue um monte de espécies diretamente: pode ser um recife de coral como este aqui na minha frente ou um trecho de floresta amazônica, à qual se refere o artigo. Porém, ao longo do tempo extinguirá outras tantas espécies mais, que, mesmo não tendo sido extintas diretamente, perderam espécies das quais dependiam, ou suas populações ficaram tão pequenas que agora são inviáveis. O termo “espécies mortas-vivas” é menos científico, mas a analogia é talvez mais clara com o fato de que o desmatamento tem um efeito de longo prazo além do direto, de curto prazo.

A grande mensagem deste artigo científico é que, como a Amazônia ainda mantém grande parte de seu território mais ou menos conservado, a extinção de muitas espécies ainda pode ser trazida de volta da beira do abismo da extinção, que é para sempre.

O débito de extinção também pode ser comprovado nas bordas de floresta, meu interesse de pesquisa quando não estou diante de recifes de coral. Na Amazônia, quando uma área é desmatada e se forma uma borda entre a floresta e a área aberta, morre ali um monte de árvores. É uma morte adicional e de curto prazo, da ordem de meses, às que ocorreram na área desmatada. Mas o débito não termina aí. Pelo que sabemos das bordas de floresta do Norte do Paraná, estas com mais de 80 anos de idade, muitas espécies de árvore continuam a extinguir-se na borda porque só conseguem manter-se ali talvez por seu tamanho, mas não conseguem reproduzir-se. Então, quando morrem, mais que morrem: extinguem-se.

No caso destas bordas, o aumento de habitat restabeleceria a reprodução de muitas espécies evitando sua extinção iminente, e isto é mais provável de ocorrer na Amazônia que nos locais onde o custo da terra é alto e já se instalou uma agroindústria com uso intensivo de capital.

Ainda é tempo de evitar na Amazônia os erros que cometemos no Sul/Sudeste, onde extinguimos antes mesmo de conhecer. Será necessário mais que artigos científicos e termos complicados para chegarmos lá.

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