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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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5 lições do caos em Espírito Santo

Quando a polícia cruza os braços, a bandidagem sai da toca.

Quando a polícia cruza os braços, a bandidagem sai da toca.

Espírito Santo vive momentos de profundo caos, anomia e cenas de terror, uma vez que a paralisação da polícia sinalizou para a bandidagem que o caminho estaria livre para todo tipo de crime. Gente comum, outrora trabalhadora, participou de atos criminosos, roubando, invadindo, pilhando. Ninguém se sente seguro, ninguém está seguro. A população é refém em suas casas, e com medo de que possam ser invadidas a qualquer momento também.

Quais lições podemos extrair desses acontecimentos chocantes, até para que não se repitam? O especialista (de verdade, não como aqueles da GloboNews) Bene Barbosa, do Movimento Viva Brasil, escreveu um artigo para a Gazeta do Povo hoje com 3 lições básicas sobre esse ambiente anárquico no ES. Segue um trecho:

A primeira lição é de que não existe lei penal se não houver alguém para fazer com que a mesma seja cumprida, e aí está toda a causa do pandemônio capixaba: a Polícia Militar entrou em paralisação. Foi o suficiente para que os ratos saíssem dos esgotos, sabendo que o gato não estará lá para persegui-los.

Onde estão, agora, aqueles teóricos que tantas vezes já afirmaram que não é a polícia ostensiva e repressiva que impede a ocorrência de crimes? A farsa cai por terra! Só em Vitória, capital do estado, já foram 51 assassinatos desde sábado; destes, 27 aconteceram apenas nesta segunda-feira! E ainda temos de ler que o problema é a letalidade policial? Que a Polícia Militar deveria ser extinta?

Junte-se a tudo isso nossa draconiana legislação sobre armas, que na prática impede apenas que cidadãos possuam e portem armas de fogo. Foi ela suficiente para impedir que criminosos se armassem com o que há de melhor e mais moderno nesse mundo? Claro que não! E aí temos os predadores que, felizes e sabedores da impossibilidade de reação, saem à caça, sem medo de qualquer possibilidade de reação de suas vítimas.

[…]

A terceira e última lição é de que a ditatorial ideia segundo a qual as armas devem estar apenas nas mãos das instituições policiais é extremamente perigosa e de fracasso inevitável. Instituições policiais são formadas – que surpresa! – por pessoas que têm suas necessidades, cometem seus erros e são tão suscetíveis a falhas como quaisquer outras. Ter a segurança única e exclusivamente nas mãos dessas instituições é tão absurdo quanto negar que sua existência é primordial para que a barbárie não se instale.

Bene Barbosa resumiu muito bem as três mais relevantes lições que podemos extrair desses tristes fatos. Polícia Militar é fundamental para impedir o crime, o desarmamento do governo em nada adiantou para tirar armas de marginais, e a incapacidade de a população se defender com armas torna todos presas fáceis desses bandidos armados. É basicamente isso.

Acrescentei ao título outras duas lições, que na verdade já estão embutidas nas demais, mas merecem um destaque também. Uma delas é sobre a tremenda hipocrisia da esquerda caviar. Ou seja, a quarta lição seria jamais levar a sério o que esses “especialistas” de esquerda falam, pois eles sempre “viajam na maionese”, seja por romantismo infantil, seja por uma agenda nefasta e oportunista.

O próprio autor já indica isso quando diz: “Os sociólogos, os ideólogos, o pessoal dos direitos humanos, os teóricos da segurança pública não sairão de suas cadeiras acadêmicas, de suas salas com ar-condicionado, para salvar ninguém”. Marcelo Freixo acha que basta iluminar praças para reduzir a criminalidade, em vez de intensificar o policiamento. Será que ele vai lá para Vitória com uma lanterna combater os assassinos agora?

A última lição é tão antiga quanto Hobbes, assim como a hipocrisia descrita acima é tão antiga quanto Rousseau: os seres humanos reagem a incentivos, podem ser bons e maus, mas não costumam ser santos, e não vão demonstrar toda a sua “pureza” se deixados em paz, ao “deus dará”, em seu “estado da natureza”. Está mais para o homem como lobo do homem, se não houver uma Lei, com a força concreta (polícia) para fazê-la valer.

Alguns tentaram culpar o brasileiro pelas cenas lamentáveis, o povo em geral. Mas em que pesem os aspectos culturais nossos, não creio que seja uma exclusividade do povo brasileiro, mas algo bem mais comum, enraizado na natureza humana. João Luiz Mauad, colaborador do Instituto Liberal, resumiu bem a coisa num debate em um grupo que participamos juntos:

Eu não acredito que exista uma tendência intrínseca à criminalidade no sangue latino, vis-a-vis os anglo-saxões.  Acredito, sim, na teoria dos incentivos.  O que os acontecimentos desta semana no ES demonstram, com enorme clareza, é que a sensação de impunidade (ausência de polícia) e de potência (certeza de que as vítimas estarão desarmadas e indefesas) torna as pessoas muito mais dispostas a correr riscos.  Claro que há um componente cultural e moral levando tantas pessoas a querer tirar vantagem da situação, mas este não é, a meu juízo, o fator principal.  Ainda me lembro de um episódio ocorrido há alguns anos, em Nova York, quando um longo apagão desencadeou também uma onda de saques pela cidade, para horror dos americanos e deleite dos antiamericanistas tupiniquins.

Claro, a probabilidade de tais cenas chocantes ocorrerem no Japão ou na Suécia é menor do que no Brasil, mas não podemos colocar tudo na conta da cultura. É um misto entre cultura e instituições, entre valores enraizados e mecanismo de incentivos. Ambos são igualmente importantes, em minha opinião, conforme sustento em Brasileiro é Otário? – O Alto Custo da Nossa Malandragem. O Brasil, infelizmente, não tem nem um, nem outro. Por isso estamos perdidos, entregues às traças, reféns dos marginais e dos “intelectuais”.

Durante um jogo de pôquer que rola às segundas-feiras, a brasileirada aqui de Weston apresentava emoções ambíguas. De um lado, consternação, tristeza, por tudo aquilo que passa o Brasil. Afinal, somos brasileiros, temos apego emocional ao lugar, familiares e amigos vivendo aí. Por outro lado, a sensação era de alívio, por estar longe de tudo isso, por viver num lugar em que a cultura não é a do jeitinho ou da malandragem, e as instituições são para valer, além da grande facilidade de cada um ter sua arma para legítima-defesa. Que diferença isso faz!

Para reverter esse quadro brasileiro, teremos que investir pesado na mudança cultural, no resgate de valores morais, e também nas instituições, no treinamento da polícia, na liberação do armamento para a população ordeira. O caos no Espírito Santo demonstrou de forma muito clara como precisamos seguir à contramão da receita esquerdista, que quer reduzir o policiamento ostensivo, desarmar o cidadão de bem, e subverter todos os valores morais com seu relativismo tosco, que coloca bandido como vítima e vítima como bandido. Precisamos justamente do contrário disso, ou seja, endireitar o país!

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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