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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Argumentar com defensores de Fidel é perda de tempo e degrada o próprio intelecto

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Você perderia tempo dialogando com um defensor de Hitler, caro leitor? Não seria um tiro no pé, uma perda de tempo, um atestado de sua própria irracionalidade, uma vez que do outro lado há alguém indisposto a pensar, defendendo um monstro assassino?

João Pereira Coutinho, em sua coluna de hoje na Folha, constata que o mesmo vale para defensores de Fidel Castro, o tirano comunista que morreu recentemente. Como no filme “Feitiço do Tempo”, com Bill Murray, aquele que insiste em debater com um defensor de Fidel está preso no passado, incapaz de seguir adiante. Diz Coutinho:

E, nos dias que sucederam a morte, lá veio o cortejo de delírios e falsidades. Fidel, o resistente. Fidel, o anti-imperialista. Fidel, o herói. E a pureza do ideal, e mais isto, e mais aquilo.

Sem esquecer as “estatísticas”: aqueles que desprezam o sucesso econômico de Pinochet no Chile (e muito bem: um ditador é um ditador) gostam de falar de saúde e educação em Cuba (que, aqui entre nós, é mais mito que realidade).

Mas o mais estranho não são os elogios a Fidel. São aqueles infelizes, como eu, que sentem uma vontade instintiva de tentar expor a sua monstruosidade. Os fuzilamentos. Os naufrágios. Os presos políticos. A miséria insuportável. O bordel a céu aberto em que a ilha se tornou. E, depois, a pergunta angustiada: como é possível tolerar tudo isso? Branquear? Fazer de conta?

Entram as explicações –e Nelson Rodrigues, que escreveu a respeito antes de nós, só via duas hipóteses: idiotia ou canalhice. Tinha razão. E, se tinha razão, a pergunta fatal: para que perder tempo com idiotas e canalhas?

Boa pergunta. Aos “moderados” que alegam que devemos respeitar quem “pensa” diferente, Coutinho rebate de forma direta e fulminante: não é “pensar diferente” quem prega o fuzilamento do adversário. Não é mais diálogo quando acaba em pelotão de fuzilamento, em paredão.

Ninguém “respeitaria” o nazismo, então não há motivo para respeitar o comunismo. São ambos o oposto do diálogo civilizado, do debate de ideias, do respeito ao contraditório. São a própria barbárie. Continho conclui: “em 2016, argumentar com um defensor de Fidel é uma degradação do nosso intelecto e da nossa dignidade. É como levar a sério um demente que acredita ser Napoleão”.

Debater com malucos denota certa maluquice do próprio debatedor. Coutinho está certo. Mas eis o ponto: quando falo de Fidel, não estou nunca a debater com comunistas que defendem o assassino, e sim tentando mostrar aos neutros o que é o comunismo na prática e como seus adeptos abandonam qualquer critério lógico e moral para defender o indefensável.

Dos que defendem Fidel quero apenas distância. Mas dos que podem ser ainda vítimas dos mitos e falácias disseminadas por essa corja, desses eu quero a atenção, para demonstrar a canalhice da esquerda jurássica e impedir a proliferação de mais idiotas úteis.

Em tempo: vale notar que essa esquerda jurássica passa por moderada ou mesmo “direita” em nosso país doido. Basta ver que os caciques tucanos também elogiaram o ditador cubano. Está cheio de gente achando que é Napoleão por aí…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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