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Rodrigo Constantino

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Aumentam indícios de que houve conluio entre Trump e russos, ainda que legal: nada de impeachment

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Não é a CNN que diz. Não é alguém ligado ao Partido Democrata. É Charles Krauthammer, um respeitado formador de opinião conservador. É verdade que Charles tem sido crítico a Trump desde o começo, mas nem por isso sua opinião deve ser descartada como enviesada ou com interesses partidários obscuros.

E Charles Krauthammer rejeitou uma nova teoria da conspiração de que o governo Obama permitiu a entrada no país de uma advogada russa para armar para cima de Donald Trump Jr. a acusação de conluio. Ele fez os comentários na Fox News nesta quinta-feira.

“Bem, não estou impressionado com a história sobre a advogada”, disse ele, “acho que é uma cortina de fumaça do tamanho de uma baleia. Ela era um peão. Não altera o fato central no escândalo”. “O escândalo é que o email recebido de um intermediário por Donald Trump Jr. disse que uma advogada do governo russo – o presidente está errado que não era uma advogada -, uma advogada do governo russo estaria vindo com sujeira sobre Hillary”, acrescentou. “E que o Kremlin estava apoiando sua campanha, e que o promotor da Coroa, que é um nome errado, o procurador do Estado no Kremlin tinha uma série de documentos que eles ofereceriam”. “Essa é a história”, ele disse enfaticamente.

“Eu não acho que seja ilegal”, continuou ele, “eu não acho que alguém afirme que seja ilegal, mas sim, a única coisa que isso faz, isso mina totalmente uma narrativa de seis meses da Casa Branca, à qual eu fui simpático, de que não havia nenhum conluio”. “Este foi um conluio incompetente”, explicou. “Este foi um conluio amador, mas isso não altera o fato de que foi uma tentativa de conluio”. “E desfaz completamente a história da Casa Branca”, concluiu.

Krauthammer continuou depois, lembrando que Hillary não é o foco aqui, que ela é hoje uma cidadã privada, que não tem nada contra prendê-la, mas que o alvo hoje é o presidente: “O fato é que o presidente é o Sr. Trump. E esta é uma acusação que foi feita contra ele. Seu próprio nomeado para [diretor do] FBI disse que o que Donald Trump Jr. fez, o que a campanha fez, essencialmente, os três principais funcionários da campanha, era algo que estava errado e eles deveriam chamar as autoridades. Esse é o fato saliente”.

O entrevistador Bret Baier pressionou Charles sobre onde estava o crime e Krauthammer reiterou que não achava que havia um crime, mas que havia seis meses de enganação na campanha de Trump. “Estou disposto a admitir que não é um ato criminoso, mas certamente é um ato antiético”, concluiu.

Alguns defensores do presidente encontraram detalhes sobre Natalia Veselnitskaya, advogada russa que se encontrou com Trump Jr., para insinuar que ela fazia parte de um esforço da administração Obama para atrapalhar o filho do presidente. As revelações do New York Times sobre a reunião levaram o conselheiro especial Mueller a expandir sua investigação sobre o conluio russo para incluir os emails de Trump Jr.

Trump alega que esse tipo de conversa é a coisa mais comum na política, que nunca foi o negócio mais limpo do mundo. Várias pessoas ligam para oferecer informações sujas sobre oponentes, e conversar com elas é normal. O presidente apontou, ainda, para o fato de que a entrada da advogada russa no país tenha sido aprovada diretamente por Loretta Lynch, a advogada-geral do governo Obama, a mesma que recebeu Bill Clinton numa conversa suspeita num aeroporto.

Política, de fato, não é para amadores. O jogo é pesado. Reagan dizia que se parecia muito com a profissão mais antiga do mundo. Mas uma coisa parece certa: esse caso, até aqui, não dá sustentação para um pedido de impeachment, o sonho dos democratas que não sabem perder. Vão ter que continuar procurando alguma bomba e, até lá, se entender com os russos…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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