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Rodrigo Constantino

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Ciro Gomes faz ameaça velada e culpa oposição pela situação venezuelana

Fonte: Folha

Fonte: Folha

Ciro Gomes impressiona pela capacidade de falar besteira. É aquele que não acha fácil encontrar “um bilhãozinho” para cortar nas despesas de nosso estado obeso, enquanto o próprio PT anuncia cortes de dezenas de bilhões para esfregar em sua cara o absurdo de sua visão.

Mas dessa vez o político cearense se superou. Tentando fazer uma espécie de ameaça velada, com o alerta de que o preço de um impeachment de Dilma seria muito alto, Ciro usou como exemplo o caso venezuelano, e culpa a oposição pela situação caótica. Vejam o que disse em entrevista à Folha:

A democracia está ameaçada pelo golpismo. Está acontecendo uma escalada do golpe com apoio da oposição, que não aceitou o resultado das eleições.

Não gostar do governo não é causa para impeachment. Isso é um mecanismo raro, a ser usado em caso de crime de responsabilidade imputável direta e dolosamente ao presidente. Ninguém tem nada disso contra a Dilma.

Seria muito caro o preço de uma interrupção do mandato. É só olhar a Venezuela. Quem produziu aquele quadro lá foi esse tipo de antagonismo odiento. O país vai viver momentos tensos e graves, vizinhos à violência, por causa desses loucos.

Eu poderia jurar que a democracia brasileira está ameaça pelo próprio PT, pelo mensalão, pelo petrolão. Poderia jurar, ainda, que golpismo é usar a máquina estatal para comprar votos, para fazer campanha suja e colocar as estatais a serviço de um partido. Também poderia jurar que golpismo é o estelionato eleitoral em curso. Mas Ciro acha que golpismo é falar em impeachment, ou seja, o PT era golpista quando lutava pelo impeachment de Collor e até mesmo de FHC.

Ninguém fala em impeachment por “não gostar do governo”, e sim porque a campanha de Dilma foi bancada com dinheiro ilegal, assim como as “pedaladas fiscais” rasgaram a Lei de Responsabilidade Fiscal. Dilma, segundo juristas importantes, praticou crime de responsabilidade, e isso pode justificar um eventual e cada vez mais provável impeachment. Ciro finge ignorar isso, pois pode não ser muito honesto intelectualmente, mas é esperto.

Por fim, ele faz o alerta usando o caso venezuelano como parâmetro, e pasmem!, culpa a oposição pelo caos atual no país vizinho. Quem produziu o quadro quase ditatorial, segundo Ciro, não foi o bolivarianismo, o próprio Hugo Chávez e seu herdeiro Maduro, mas o “antagonismo odiento”, que ele joga no colo da oposição. A oposição que está presa injustamente hoje!

Para Ciro, Leopoldo López, condenado a 13 anos pelo “crime” de se opor ao regime socialista, é o culpado pelo caos, não Maduro e os socialistas, que prendem tais opositores. Talvez se a oposição venezuelana tivesse ficado mais quieta, no seu canto, sem reagir ao avanço bolivariano que foi aparelhando o estado todo, a situação venezuelana não seria tão ruim hoje, tão instável e violenta. Poderia ser mais tranquila, como a de Cuba…

É muita cara de pau mesmo, e a postura cínica de Ciro acaba justamente fomentando o “antagonismo odiento” que ele diz combater. Afinal, desperta a revolta nas pessoas decentes, cansadas dessa inversão pérfida dos fatos. Foram os bolivarianos, companheiros do PT, que fomentaram o clima de ódio e antagonismo no país, e que perseguiram opositores e destruíram a democracia.

No Brasil, é o PT que segue nessa linha, inspirado no próprio chavismo, como o próprio Lula cansou de demonstrar. Dilma é camarada de Maduro, defende seu governo ditatorial. E Ciro acha que é Aécio Neves quem ameaça nossa democracia? Acha que é a oposição ao PT, que deseja ver as leis valendo para todos, que fomenta o ódio e o clima de antagonismo?

Ciro Gomes chama de “loucos” aqueles que defendem o impeachment da presidente Dilma. Loucos são os que ainda não entenderam que o PT está destruindo o Brasil, sua economia e sua democracia. Loucos ou, claro, canalhas, que não ligam para isso, pois estarão do lado de lá, do poder, dos que se beneficiam dessa destruição toda. Como na Venezuela bolivariana…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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