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Rodrigo Constantino

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Mesmo se fossem verdade os tais “avanços sociais”, Fidel continuaria sendo um senhor de escravos

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Já cansei da turma que fala dos tais “avanços sociais” em Cuba para justificar a mais longa e cruel ditadura do continente. Em outras ocasiões, mostrei que esse papo é pura falácia, embuste, e considero inaceitável a concessão que muitos fazem a esse “lado bom” da tirania comunista em Cuba.

Mas como fico muito indignado com essa canalhice, o tom pode sair um pouco acima do necessário para abrir os olhos de algumas pessoas. Para isso temos Leandro Narloch, sempre com sua forma mais suave de abordar os assuntos. Em artigo de hoje na Folha, Narloch mostra claramente que mesmo se tais avanços fossem verdadeiros – e não são – Fidel ainda teria de ser considerado um cruel senhor de escravos:

Imagine se historiadores descobrissem que um barão do café do Brasil Imperial fornecia saúde e educação de qualidade a seus escravos. Uma tese de doutorado mostraria que a taxa de analfabetismo e mortalidade infantil dessa fazenda era a menor do país e que os escravos ainda tinham acesso aos melhores tratamentos de câncer disponíveis no século 19.

No entanto, como em qualquer fazenda de café da época, todos ali eram obrigados a trabalhar. Quem tentasse fugir, se recusasse a servir o fazendeiro ou reclamasse das condições recebia punições e castigos.

O sistema dessa fazenda deixaria de ser escravidão? Deveríamos reverenciar o barão escravista porque tomou a atitude revolucionária de garantir saúde e educação aos escravos, apesar das restrições de liberdade? 

Peço que o leitor adicione só mais um detalhe a essa história. Considere agora que esse senhor de escravos não viveu no Brasil do século 19, e sim em Cuba, no século 20.

Narloch não aceita a premissa de que houve mesmo avanços, lembrando que falta até sabonete na ilha, luz elétrica, e as condições são precárias em todo lugar, inclusive nos hospitais. Mas seu argumento é forte pois independe dessa premissa. Ou seja, mesmo se aceitarmos a falácia dos indicadores sociais, isso não inocenta Fidel em nada.

“Mas se fosse verdade, se o governo comunista tivesse de fato criado boas escolas e um eficiente sistema de saúde, isso faria de Fidel menos assassino, menos escravista?”, pergunta o autor. E sabemos a resposta. Quem poderia dizer que sim? Só mesmo alguém que admite publicamente não ligar para a democracia, para a liberdade, para os direitos individuais. Só mesmo um defensor do regime escravocrata!

O eufemismo, a mudança de rótulo, não altera o fato. Podem chamar Fidel de “líder revolucionário”, como fazem os intelectuais latino-americanos. Mas isso em nada muda a realidade: Fidel não passava de um senhor de escravos perdido no século 21. E se você defende esse tirano, então saiba que você não é um defensor dos pobres, da democracia, do povo ou da igualdade; você é tão somente um bajulador de senhores de escravos.

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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