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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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O mais revoltante nisso tudo é mesmo o acordo camarada com os donos da JBS

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Os irmãos “ésley”, que poderiam ser uma dupla sertaneja, montaram um gigantesco esquema de corrupção no governo petista, que fez com que sua empresa de porte médio se tornasse uma gigante… mundial! Tudo graças ao seu, ao meu, ao nosso dinheiro desviado pelo BNDES.

Aí os caras são pegos na Lava Jato e resolvem negociar um acordo. Gravam até presidente, fazem uma delação entregando inúmeros políticos, escrevem uma cartinha com pedido de desculpas, e acham que fica por isso mesmo? Pior: talvez fique!

O acordo oferecido aos irmãos é a questão mais estranha, sombria e suspeita nessa história toda. Nada justifica uma oferta tão camarada, não importa quem o corrupto tenha entregado à Justiça. Os crimes cometidos por sua empresa são impressionantes. Qual recado o Ministério Público Federal pretende transmitir ao país, às crianças? Que o crime compensa?

Míriam Leitão comentou sobre o caso:

A informação que eu obtive agora de manhã é de que na negociação para o acordo de leniência com o Ministério Público, o empresário Joesley Batista está tentando reduzir o valor da multa que tem que pagar. Argumenta que a empresa sempre foi grande, a maior da América Latina antes de começar o esquema de corrupção. Não é verdade.

O JBS foi mesmo um caso de sucesso, mas cresceu devagar. O salto que multiplicou por 17 vezes seu patrimônio e a levou a ser a maior produtora de proteína animal do mundo foi nos governos Lula e Dilma. Para se ter uma ideia, a primeira empresa que comprou no exterior foi na Argentina em 2004. Daí para diante comprou uma série de companhias, em vários países, principalmente nos Estados Unidos, sempre com dinheiro farto e barato do BNDES, e se tornou maior lá fora do que aqui dentro. Isso sem falar na suspeita de que tenha lucrado no mercado de câmbio comprando dólar e vendendo antes da delação. Não basta o grupo e os empresários, Joesley e Wesley, pedirem desculpas. Eles precisam pagar o que devem à Justiça.

Não é suspeita: as fontes do mercado confirmam que a JBS foi a grande compradora de dólar mesmo. Ou seja: um novo crime em cima dos demais, justo no momento em que negocia sua delação – e liberdade. “Insider information”, com um lucro que já paga a leve multa cobrada pelas autoridades, depois de bilhões desviados e da nação lançada no abismo da incerteza.

Enquanto isso, o sujeito segue para os Estados Unidos, com sua jovem esposa, para desfrutar de seus bilhões todos? Sério? Leandro Ruschel desabafou:

Ninguém teve termos de uma delação premiada mais favoráveis que os irmãos que comandam a JBS, os sujeitos que ajudaram a afundar o país. Vão curtir os bilhões que ganharam ilegalmente em NY, com a bênção da PGR e do STF. Ganharam imunidade completa, que possivelmente se estende a compra do dólar um dia antes do estouro da moeda e das vendas das suas ações na JBS com informação privilegiada. Mais uma cusparada na cara dos brasileiros honestos. No Brasil, o crime compensa.

Carlos Andreazza também comentou sobre o absurdo do acordo:

Tratou-se pouco ainda da natureza do acordo firmado pelos irmãos campeões nacionais Batista. Mas é preciso e urgente debater se é aceitável que esses mafiosos – diante da coleção monumental de crimes que cometeram – não sejam sequer denunciados e possam mesmo, enquanto o Brasil derrete, viver, como nababos, fora do país. Não há precedentes – e não há o que possam ter contado que o justifique.

De fato, nada justifica esse acordo bizarro, que garante a impunidade daqueles que foram sócios de todo o esquema podre do PT no poder. É inaceitável. Talvez poucos estejam falando nisso porque a cota de propaganda das empresas do grupo era enorme. Basta folhear jornais e revistas para saber. Quem não lembra de Tony Ramos atestando a qualidade das carnes da Friboi? Quem não lembra de Fátima Bernardes como garota-propaganda da Seara?

Há muito dinheiro envolvido, mas vamos matar a ética por conta disso? Vamos mesmo permitir que nossos filhos e netos aprendam que, no Brasil, o crime compensa? Que pode roubar bilhões e depois entregar alguns políticos, pedir desculpas e tocar a vida fora do país, como um nababo? Sério?

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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