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Rodrigo Constantino

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Precisamos falar menos de bullying e armas e mais de impunidade e responsabilidade individual

Um garoto sofria bullying na escola, era chamado de “fedorento”. Filho de policiais, ele pega uma arma e sai atirando, mata dois, e deixa outros tantos feridos. Uma das vítimas, sabemos agora com tristeza, ficou paraplégica. Mas qual o foco da maioria das reportagens sobre a tragédia? Os riscos do bullying e o perigo das armas.

Está tudo errado! É uma narrativa que, como sempre, retira a responsabilidade do indivíduo, transformando algoz em vítima e vítima em algoz, transferindo a culpa para um objeto inanimado, e justificando a barbárie. Ninguém precisa defender o bullying, ou nem mesmo condenar o desarmamento, para compreender o absurdo dessa prioridade da mídia.

Sim, um bullying excessivo e sistemático pode causar transtornos, ter efeitos nocivos na pessoa. Mas muita gente sofre e sofreu bullying na vida, pois o ser humano não é exatamente um “bom selvagem” como queria Rousseau. Basta ler O senhor das moscas para ter ideia de que a maldade está em nós, desde cedo, e não vai ser expurgada com campanhas pacifistas.

Por isso mesmo é preciso saber lidar com tais diversidades. Quantos não foram chamados de “tampinhas”, “quatro-olho”, “baleia” ou coisas do tipo? E quantos superaram, tornando-se adultos saudáveis, normais? Agora pergunto: quantos pegaram em armas – legais ou ilegais – e saíram matando inocentes a esmo? Pois é.

Colocar a culpa nas armas, ignorando que elas podem ser obtidas ilegalmente ou que existem outras formas de matar, ou focar apenas no bullying significa eximir o assassino de responsabilidade. E eis um dos principais problemas em nosso país, que tem 60 mil homicídios por ano!

Precisamos falar mais de responsabilidade individual e de impunidade, isso sim! Bullying não é uma desculpa para o assassínio. Leiam Theodore Dalrymple, médico britânico que trabalhou por anos em prisões. Lá está cheio de gente com histórias tristes, que sofreu coisa muito pior do que bullying, até mesmo abuso sexual na infância.

Mas isso justifica seus crimes? Então vamos abrir todas as prisões agora, soltar os assassinos? Dalrymple conclui justamente que o vitimismo impede esses indivíduos de assumir seus erros e, com isso, as rédeas de suas vidas, para poder mudar, melhorar. Ficar bancando sempre a vítima é o caminho mais fácil para permanecer no crime.

Temos dois adolescentes mortos. Uma menina de 14 anos paraplégica. E os jornalistas estão com peninha do responsável por isso, porque ele sofria bullying?! Fala sério! Isso é insensível com as verdadeiras vítimas nessa tragédia. Ser alvo de ataques verbais não é motivo para sair matando. Vivemos em tempos muito estranhos mesmo, em que a maturidade desapareceu, dando lugar a um mimimi insuportável. A sensibilidade dessa turma anda muito mal calibrada…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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