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Rodrigo Constantino

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Presidente do PT admite que havia "egoístas" no partido, e não eram os que enriqueceram como Dirceu!

Rui Falcão. Fonte: GLOBO

Rui Falcão. Fonte: GLOBO

A mentalidade revolucionária do PT funciona como a de todo socialista: em nome da “causa” pode tudo, inclusive desrespeitar todas as leis, a ética burguesa e a democracia, mas quem ousar ficar contra o partido se torna um inimigo mortal. É a visão totalitária e coletivista dos soviéticos.

Por isso que escândalo atrás de escândalo de corrupção envolvendo petistas nunca incomodou o PT, que tratava esses corruptos como “heróis injustiçados”. Estavam roubando para ajudar no projeto de perpetuação do partido no poder, o que era visto como louvável.

Quando alguns casos de enriquecimento pessoal vieram à tona, como o de José Dirceu, o milionário “consultor”, o afastamento ficou inevitável. Para muitos petistas, isso foi insuportável, não o “mensalão” ou o “petrolão”. Onde já se viu roubar para si, e não para o partido?

Diante do quadro, com o PT sangrando cada vez mais perante a opinião pública, alguns políticos abandonam o barco afundando. Alguns alegam que o motivo é essa “decepção” com os valores do partido, o que é uma piada depois de tanto escândalo.

E o que diz o presidente do PT? Em meio a uma debandada de políticos filiados ao PT, o presidente nacional do partido, Rui Falcão, afirmou nesta segunda-feira, em texto publicado na página da sigla na internet, que os que deixam o partido são movidos, na quase totalidade, “por projetos personalistas e/ou interesses eleitorais”.

Ou seja, ele está admitindo que o PT abrigava muitos “egoístas”, pessoas que colocavam seus próprios interesses acima daqueles do partido. Mas reparem: ele não está falando de Zé Dirceu e companhia, e sim dos que decidiram sair do partido depois de todos os escândalos!

Um petista fiel, leal, deveria ficar até o fim, afundar junto com os demais, em nome da causa. E para Falcão, os que permanecem no partido são “abnegados”, colocam os interesses partidários acima dos pessoais. Como Dirceu, quem sabe? Como o milionário Lula, talvez?

É tudo muito absurdo. O PT pode até ter atraído gente honesta, que sonhava com a “justiça social” no passado, de forma equivocada. Mas depois de tantas evidências de desvios de conduta, de falta de ética, de práticas nefastas, como alegar inocência em 2015?

Como acreditar em uma conversão repentina à ética burguesa após décadas de PT? Tem gente que viveu para o partido, que engoliu “mensalão” e “petrolão”, e de repente se torna crítico da falta de ética do partido. A pessoa pode sair do PT, mas será que o PT sai da pessoa?

O Partido dos Trabalhadores já perdeu os “abnegados” iludidos faz tempo. Sobraram ali só os egoístas mesmo, os que desejam preservar alguma teta estatal, algum cargo público qualquer, alguma verba de patrocínio cultural, de ONG ou para “movimento social”, ou o “imposto sindical”.

A diferença é que alguns perceberam que a farra pode estar prestes a acabar, e debandam para partidos como a Rede ou o PCdoB, em busca de um novo refúgio para seus interesses. Nisso, Rui Falcão está certo, claro. Só que os que ficam também pensam nos próprios interesses. Apenas calculam diferente, e ainda acham que há mais suco para espremer pelo PT.

Egoístas são sempre os outros. No pensamento totalitário do PT, quem continua fiel ao partido é “abnegado”, mesmo que deseje apenas manter uma teta estatal qualquer. E quem sai é inimigo, é interesseiro, é “coxinha”. Mas alguém consegue acreditar que ainda existe alguma alma honesta, abnegada e altruísta dentro de um “partido” como o PT?

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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