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Quilômetro 166 da Rodovia do Xisto, em Contenda: acidente no local, dentro do trecho pedagiado, deixou dois mortos e 34 feridos há três meses |
Quilômetro 166 da Rodovia do Xisto, em Contenda: acidente no local, dentro do trecho pedagiado, deixou dois mortos e 34 feridos há três meses
Rodovia

BR-476 é novo “corredor da morte”

Números de acidentes no trecho Araucária-União da Vitória não são os maiores do estado, mas são comparáveis aos de rodovias muito mais movimentadas

Texto publicado na edição impressa de 23 de maio de 2009

BR-476 é novo “corredor da morte” Ampliar

A BR-476, no trecho entre Araucária e União da Vitória (que inclui a Rodovia do Xisto, até São Mateus do Sul), se tornou o novo “corredor da morte” do Paraná – a mesma designação que era atribuída à BR-376, entre São José dos Pinhais e a divisa com Santa Catarina, antes da duplicação. Segundo as estatísticas oficiais, 125 pessoas morreram e 1.040 ficaram feridas em 1.809 acidentes ocorridos de 2005 a 2008 no trecho. Em números absolutos, ela não é a campeã de vítimas, mas, com um fluxo de veículos menor que o das principais estradas de rodagem do estado, seus dados são assustadores.

No mesmo período, 123 pessoas morreram na BR-376 e outras 341 na BR-116, rodovias que apresentam um fluxo de veículo muito mais intenso. As mortes no trecho entre Araucária e União da Vitória são mais de um terço das ocorridas na BR-116 dentro do estado. A BR-476 teve trânsito médio diário de 5.020 veículos no ano passado (pedágio da Lapa), contra a média de 15 mil nas praças da BR-116 (10 mil em Fazenda Rio Grande e 20 mil na Régis Bittencourt, em Campina Grande do Sul) e 24 mil no posto de cobrança da BR-376 (veja quadro).

Para entender melhor o perigo do trecho Araucária-União da Vitória, é preciso viajar nos seus 189 quilômetros, dos quais 43 são administrados pela Concessionária Caminhos do Paraná, entre Araucária e a Lapa. A pista do pedágio é boa, bem sinalizada. Mas o usuário trafega quase sempre em estrada de pista simples e mão dupla; e, muitas vezes, a imprudência se torna a causa dos acidentes.

Situação precária

O divisor de águas está na Lapa, com o início da pista conservada pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), onde a viagem se torna uma aventura por causa dos buracos, da péssima conservação e dos problemas no acostamento – onde ele ainda existe. O Dnit mantém seis frentes de trabalho (quatro entre a Lapa e São Mateus do Sul e duas até União da Vitória), mas a situação ainda é muito ruim. A estrada, no entanto, tem um histórico de acidentes graves dentro e fora do pedágio.

Há três meses, duas pessoas morreram e 34 ficaram feridas num acidente envolvendo um ônibus da linha Lapa-Araucária e um caminhão de uma transportadora, no quilômetro 166, em Contenda, dentro do trecho pedagiado. Os veículos bateram de frente numa reta, porque um dos pneus do caminhão estourou numa ultrapassagem. O acidente matou o motorista e um passageiro do caminhão.

Fora do trecho de pedágio (que concentra 72% das mortes nos acidentes), um ônibus da empresa Real Expresso e Turismo, do grupo Reunidas, bateu de frente com um caminhão no mês passado. O acidente matou os dois motoristas, e oito passageiros sofreram ferimentos leves. A colisão que aconteceu no quilômetro 215 envolveu o ônibus que vinha de Santa Rosa (RS) e o caminhão viajava de São José dos Pinhais a Erechin (RS), com a carreta cheia de ração animal. A Reunidas informou que 20 ônibus do grupo circulam naquela rodovia por dia.

De acordo com Luiz Podzwato, superintendente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), a estrada precisa de uma boa recuperação geral e rápida, de terceira faixa nas subidas, consertos no acostamento e roçada do mato, além de manutenção contínua. “Há 5 anos, eles trocaram o asfalto entre São Mateus e União da Vitória, mas não fizeram a manutenção e estragou tudo de novo”, afirmou. Ele disse ainda que o trânsito já comporta a duplicação da estrada.

Já Lycurgo Coelho de Souza, gerente de tráfego e manutenção do grupo Reunidas, disse que “a estrada precisa ser duplicada pelo menos de Curitiba até a Lapa ou até São Mateus do Sul”.

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