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Rio de Janeiro

Chuva na região serrana já é a maior tragédia climática da história do país

Número de mortos no Rio de Janeiro já ultrapassa 500. Total de vítimas ultrapassou o registrado em 1967, em Caraguatatuba. Dilma Rousseff visitou áreas atingidas

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Cenário de destruição em Teresópolis: carros atolados na lama foram destruídos por pedras que rolaram do morro |
Cenário de destruição em Teresópolis: carros atolados na lama foram destruídos por pedras que rolaram do morro
 
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A chuva na região serrana do Rio de Janeiro já é considerada a maior tragédia climática da história do país e e um dos dez maiores deslizamentos do mundo registrados desde 1900. O número de vítimas ultrapassou o registrado em 1967, na cidade de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo. Naquela tragédia, tida até então como a maior do Brasil, 436 pessoas morreram, segundo levantamento do portal G1. As chuvas na região Serrana do Rio deixaram 470 mortos desde terça-feira (11), segundo identificou o Instituto Médico Legal (IML).

Em Teresópolis, onde voltou a chover na manhã desta quinta-feira (13), a prefeitura informou que já são 223 mortos. Em Nova Friburgo, o número subiu para 225, segundo a prefeitura, e em Petrópolis, o número é de 39 óbitos, a maioria encontrada no Vale do Cuiabá, Distrito de Itaipava. Em Sumidouro já foram confirmadas 19 mortes, mas na região há previsão de mais mortos e o hospital já abriga vários feridos. No total, as prefeituras já totalizam 506 mortos.

Estes números ainda podem crescer drasticamente nos próximos dias. Em Teresópolis, a prefeitura não conseguiu chegar a três bairros muito castigados pelas chuvas. Há cidades completamente isoladas.

Enquanto isso, o número de desabrigados e desalojados na região serrana já chega a 13.930. Segundo o último balanço do governo do estado, Petrópolis tem 6.500 desabrigados ou desalojados, e 1.500 casas total ou parcialmente destruídas. Em Teresópolis, são 960 desalojados, e 1.280 desabrigados. Cerca de 900 moradores de Teresópolis já foram cadastrados na cidade para receber donativos. Em Nova Friburgo, 3.220 desalojados, e 1.970 desabrigados.

O atendimento às vítimas da enchente em Teresópolis é feito no ginásio Pedro Jahara e, segundo o secretário de Desenvolvimento Social de Teresópolis Rudimar Caberlon, um outro galpão na cidade e mais cinco igrejas também servirão de alojamento para desabrigados. O prefeito de Teresópolis, Mário Jorge, afirmou na noite desta quinta que vai precisar de pelo menos R$ 590 milhões para recuperar a cidade. "Temos cerca de R$ 5 milhões que dá para manter as equipes de resgate por três dias. A partir daí, vamos precisar da ajuda do governo federal e estadual. Para recuperar a cidades serão mais R$ 590 milhões", disse o gestor ao O Globo Online.

Em Petrópolis, 26 pessoas que estavam ilhadas nas localidades conhecidas como Alto Cavalos e Santa Rita, no Vale do Cuiabá foram resgatadas durante a noite. Os dois pontos eram considerados com maior grau de dificuldade de acesso para as equipes.

Os moradores estavam sem nenhum meio de comunicação. De acordo com informações da prefeitura do município, a Secretaria de Trabalho, Assistência Social e Cidadania (Setrac) já encaminhou alimentos, água, material higiênico, entre outros para o auxílio das vítimas.

Auxílio médico

Dois caminhões da Cruz Vermelha Internacional carregados com medicamentos chegaram à Teresópolis para dar auxílio aos desabrigados das chuvas. A médica responsável pela equipe de atendimento, Dra. Cláudia Miguel Coelho, disse a reportagem do O Globo Online que a maioria do casos é de pequenos traumatismos. A princípio, está sendo ministrada a vacina antitetânica em todas os desabrigados. O estádio Pedro Jahara, conhecido como Pedrão, não tem mais espaço para receber ninguém. As arquibancadas viraram depósito de donativos, que não param de chegar (confira no box ao lado como ajudar os atingidos pela chuva no Rio).

Depoimentos em meio à tragédia

Sem ter para onde ir, muitos sobreviventes andavam pelas ruas atrás de abrigo ou se refugiaram em casas de familiares ou locais disponibilizados pelas prefeituras.

"Houve um estrondo e a metade do meu barraco caiu. Tentei ir pra casa do vizinho, aí deu um estrondo no morro, eu fiquei apavorado, e quando vi a barreira me pegou e me jogou a 15 metros de distância, e ainda caiu uma árvore em cima de mim", disse à Reuters TV o aposentado Dejair Rosa da Rocha, de 76 anos.

Uma autoridade municipal de Teresópolis, que pediu anonimato, informou que um bairro inteiro da cidade foi soterrado pelo deslizamento de lama e pedras de uma encosta em consequência das fortes chuvas.

Algumas pessoas que conseguiram se refugiar num campo de futebol foram resgatadas nesta quinta por helicóptero, mas a prefeitura acredita que cerca de 150 casas no bairro de Campo Grande ficaram debaixo de terra.

"Pelo número de casas que havia lá, a estimativa de pessoas desaparecidas é grande. Podem ser até 300 pessoas. Agora não há nem condições de mexer lá, deve ter 3 metros de terra. Primeiro precisamos resgatar as pessoas que estão vivas", disse à Reuters a funcionária da prefeitura.

A moradora de Teresópolis, Rejane Bastos, diz ao O Globo Online que o estado é de calamidade na cidade. "Os números de mortos que estão sendo divulgados pela impresa ainda é baixo, infelizmente. Estou trabalhando como voluntária e posso dizer que dezenas de corpos estão em igrejas aguardando o reconhecimento. Orem pelo povo da região serrana, pois não dá para descrever o que aconteceu aqui. Eu e minha família estamos bem, embora sem água, internet, luz e telefone. Mas não tenho noção de quantos amigos perdemos", destacou.

Municípios isolados

Há cidades completamente isoladas. São José do Vale do Rio Preto, próximo a Teresópolis, está ilhada. Telefones não funcionam e a estrada de acesso está interrompida por quedas de barreira. Pelo menos 60 casas foram arrastadas pelas águas do rio Preto que corta a cidade. Ainda não há nem estimativas do número de mortos na cidade que ficou conhecida graças a uma música de Tom Jobim. Foi lá, às margens do rio Preto, onde passava longas temporadas, que Tom compôs "Águas de março". A casa do filho de Tom, Paulo Jobim, foi atingida pela enxurrada, mas não havia ninguém lá na hora da tragédia. Outras cidades atingidas, onde há milhares de desalojados, foram Bom Jardim, Areal e Sapucaia.

Resgate das vítimas

Cerca de 500 homens do Corpo de Bombeiros atuam nesta quinta-feira no resgate das vítimas. A equipe trabalhava com apoio de maquinaria pesada para remover barreiras em estradas de acessos a locais mais afastados, além de helicópteros para chegar às áreas cujo acesso por terra é impossível.

"O cenário ainda é de muita destruição, a situação é extremamente crítica, mas a gente tem que avançar, não podemos parar", disse o coronel José Paulo Miranda, chefe do Estado-Maior e subcomandante do Corpo de Bombeiros do Estado.

"Nós montamos um hospital de campanha em Teresópolis e a Marinha tem a previsão de montar um hospital de campanha em Friburgo. Mesmo assim, nós estamos remanejando médicos dos Bombeiros para aquela região. Hoje, o atendimento aos feridos é prioritário", acrescentou ele em entrevista à Reuters.

A Polícia Civil do Estado montou em Teresópolis e em Nova Friburgo uma força-tarefa para a identificação dos corpos, segundo Miranda. Em Teresópolis, com a capacidade do Instituto Médico Legal esgotada, uma igreja era usada para armazenar os cadáveres retirados dos escombros.

O Ministério da Justiça determinou o envio de 210 membros da Força Nacional de Segurança Pública para a região, entre policiais militares, bombeiros e peritos para ajudar na identificação dos corpos.

Dilma diz que governo federal ajudará no resgate e reconstrução

A presidente da República Dilma Rousseff falou na tarde desta quinta-feira (13) sobre os trabalhos de resgate e reconstrução nas áreas atingidas pela chuva na Região Serrana do Rio de Janeiro. “É de fato um momento muito dramático. As cenas são muito fortes. É visível o sofrimento das pessoas. O risco é muito grande”, disse Dilma.

Ao lado do governador Sérgio Cabral, ela afirmou que o governo federal vai trabalhar em conjunto com os governos estadual e municipais na reconstrução. “O governo federal vai estar aqui no estado do Rio de Janeiro solidário, operando com o governo estadual e com as prefeituras, no sentido de agora, resgatar, e depois reconstruir,” afirmou a presidente.

A presidente chegou por volta das 13h30 à Rua Luís Spinelli, no centro da cidade de Nova Friburgo. No local, um prédio desabou parcialmente e uma viatura do Corpo de Bombeiros foi soterrada. Ao todo, três bombeiros morreram no local.

Calçando galochas, Dilma percorreu a rua acompanhada do governador do Rio, Sérgio Cabral, do prefeito em exercício de Nova Friburgo, Demerval Neto (PMDB), e de alguns ministros. No trajeto, ela conversou com um morador.

"Vimos regiões em que as montanhas se dissolveram, sem presença do homem, sem nenhuma ocupação irregular, mas vimos também regiões em que a ocupação irregular do solo em áreas de risco provoca danos à vida", acrescentou.

o governador Sérgio Cabral (PMDB)vociferou contra os antecessores que permitiram a ocupação inadequada de encostas em todo o Estado. "Lamentavelmente, o que tivemos na região serrana foi um problema muito semelhante ao que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, que é a desgraça do populismo. Deixaram a ocupação de áreas acontecer como se fossem aliados dos mais pobres. A grande maioria atingida é de populares. Políticos oportunistas de plantão sempre se aproveitam para fazer defesa de ocupações irregulares", disse, em entrevista coletiva, ao lado da presidente Dilma Rousseff, com quem sobrevoou nesta quinta as áreas atingidas.

Confira os locais mais atingidos pela tragédia:

Visualizar Chuvas no Rio de Janeiro em um mapa maior

Veja na galeria as fotos da tragédia:

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