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Sustentabilidade

Consumo consciente depende de rastreamento da produção

Conhecimento da origem e do modo de fabricação dos produtos ainda é incipiente no Brasil; consumidores e indústrias devem agir visando à redução de impactos

Da produção têxtil chinesa ao despejo de químicos nos oceanos: unir as pontas do processo ajudará a criar o hábito do consumo consciente |
Da produção têxtil chinesa ao despejo de químicos nos oceanos: unir as pontas do processo ajudará a criar o hábito do consumo consciente
 
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O cinto que você está usando agora é produzido com couro de boi criado na Região Amazônica, em uma área em que a floresta foi derrubada para dar lugar a pasto? A resposta afirmativa é provável já que pouco se sabe sobre a origem dos produtos que chegam até o consumidor e os impactos ambientais causados por sua produção. Especia­­listas consultados pela Gazeta do Povo revelam que, enquanto não houver uma rastreabilidade de produtos, danos ambientais desnecessários continuarão acontecendo com o desconhecimento de todos. Tanto o consumidor quanto as indústrias têm a responsabilidade de mudar esse jogo.

O Greenpeace lançou a campanha Detox e, com 55 mil assinaturas de consumidores, conseguiu forçar empresas como Nike, Adidas e Puma a se comprometerem publicamente em investir para garantir menos impacto ambiental na fabricação de seus produtos. A campanha exige principalmente a diminuição no uso de produtos químicos. O modelo de produção têxtil na China – que é responsável por boa parte das roupas vendidas no mundo – foi pesquisado por um ano e revelou o despejo de agentes tóxicos em rios importantes do país. Mas o problema não ficaria restrito à água que cerca os chineses. O relatório Dirty Laundry (lavagem suja, em inglês) mostra que até em ursos polares foram encontradas substâncias utilizadas na fabricação de roupas. Elementos como Alkylphenol e PFCs, que causam problemas no sistema endocrinológico e reprodutor, estariam presentes na água. E seriam essas fábricas poluidoras que abasteceriam as grandes distribuidoras de roupas para o mundo. Para o Green­peace, essas empresas têm força suficiente para pressionar os fabricantes para que diminuam a poluição.

Venda global, produção

Impulsionado pela negociação em escala global e pela terceirização cada vez mais intensa da cadeia produtiva – em que uma empresa compra peças de outra especializada apenas na fabricação de uma parte do produto final, como um botão para uma calça, por exemplo –, é cada vez mais complicado controlar todo o processo e saber quais matérias-primas e meios produtivos foram utilizados pelas fábricas. A indústria têxtil está no foco por vários fatores: é muito poluidora, faz parte da vida de quase toda a população, se aproveita da lógica do mercado globalizado, produzindo bens em um lugar e distribuindo-os para o restante do mundo, e é impulsionada por empresas multinacionais.

Para tentar mostrar que estão mais comprometidas com o que oferecem ao consumidor, 30 gigantes do mercado se uniram no ano passado na chamada Coalizão da Sustentabilidade. Elas estão elaborando o “índice do vestuário sustentável”, que leva em consideração, principalmente, o uso racional da água, a energia gasta na produção, a destinação de resíduos, a emissão de gases e a aplicação de elementos químicos e tóxicos. Ainda em fase de desenvolvimento, não há previsão de quando esse indicador será visível na etiqueta das lojas de departamento e shoppings pelo Brasil afora.

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