Ponta Grossa e Cafeara - Uma produtividade idêntica ou superior à da safra anterior. Algo em torno de 3,6 mil quilos de soja por hectare. A estimativa de rendimento é do produtor João Conrado Schmidt, que planta a oleaginosa em Ponta Grossa e Ipiranga, onde tecnologia e manejo fizeram a diferença no período de estiagem. Enquanto alguns municípios do Oeste e Sudoeste do Paraná perderam mais da metade da sua safra de soja, os Campos Gerais despontam verdadeiras ilhas de produção.

Schmitd também registrou perdas, mas numa pequena área, inferior a 50 hectares, onde plantou soja precoce. O resultado nos demais talhões, no entanto, deve compensar o fraco desempenho das primeiras cultivares, plantadas mais cedo e de ciclo mais curto. Entre os fatores que ajudaram a conter a quebra está o fato de a região plantar mais tarde e, no caso de Schmidt, o planejamento, com a adoção de variedades de ciclos diferentes e o escalonamento da época de plantio.

Na última semana do trabalho de campo no Paraná, a Expedição Safra da RPC visitou produtores, cooperativas e sindicatos dos Campos Gerais. Os dados ainda serão tabulados, mas a constatação prévia é de uma quebra regional entre 5% e 10% na soja. No milho, mais prejudicado, o número deve ficar próximo de 20%.

A segunda equipe da Expedição, que encerra hoje um roteiro pelo Norte e Norte Pioneiro, encontrou uma situação mais dividida, onde milho e soja tiveram perdas mais significativas. Na região, as quebras de 10% a 30% na soja e de até 50% no milho estimadas no início do ano estão em fase de reavaliação. Com as chuvas do último mês, houve variação grande nas lavouras de soja, pelo alto poder de recuperação da cultura. Lavouras da oleaginosa que enfrentaram 35 dias consecutivos de seca devem ter rendimento próximo ao obtido em safras anteriores. No milho, o quadro é mais preocupante, porque faltou chuva numa fase crítica da cultura.

O produtor Mário Henrique Pires, de Florestópolis (Norte), que até meados de novembro temia não colher nada, agora prevê 2,5 mil quilos por hectare. "As perdas na soja vão ficar entre 10% e 20%", conta aliviado, torcendo para que o clima continue favorável à cultura, ainda verde. As chuvas em excesso podem atrapalhar a soja no final do ciclo.

Mas há também regiões em que as perdas foram expressivas. Em Bandeirantes (Norte), Júlio Ohira, que planta 15 hectares de milho e usa a colheita para produzir alimento suíno, conta que vai colher 30% menos. Ele terá de comprar mais cereal e farelo de soja para misturar na ração animal.

Em Curiúva, entre o Norte Pioneiro e os Campos Gerais, João Bento Alves conta que esperava colher 3,1 mil quilos de soja e 9 mil quilos de milho por hectare, mas acredita que vai chegar a apenas 1,4 mil e 2,4 mil quilos respectivamente, com quebra de pouco mais de 50% nas duas culturas. A colheita começa daqui a duas semanas em sua propriedade.

Estados Unidos

Na próxima semana, um grupo de técnicos e jornalistas da Expedição Safra participa do Agricultural Outlook Forum, em Arlington, na Virgína, Estados Unidos (veja matéria ao lado). Na primeira quinzena de março, as equipes retomam a sondagem no Brasil, num roteiro por São Paulo, Minas Gerais e Goiás, no Sudeste do país.

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