Os moradores de Pitanga, no centro do mapa do Paraná, conseguem feijão de graça se tiverem como buscar o alimento na zona rural. Em protesto contra a queda nos preços, os agricultores estão doando a produção para a população. Eles justificam a decisão radical dizendo que o custo da lavoura chega ao dobro do valor que o mercado oferece por saca de 60 quilos.

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"Quando plantei, paguei R$ 300 a saca de semente. O governo prometia pagar o preço mínimo de R$ 80 na colheita, mas hoje nem mesmo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) quer comprar. Não sei o que fazer com tanto feijão, que começa a estragar nos próximos dias. Pelo visto, terei prejuízo de novo. Me oferecem R$ 40 por saca", diz o produtor Maurício Stipp.

A Conab informa estar programando leilões, mas antecipa que não vai comprar toda a produção excedente, porque também tem feijão de sobra. Só no Paraná, há cerca de 75 mil toneladas a serem distribuídas em programas sociais. O estado é o maior produtor no país.

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A dona de casa Iria Dias Disner saiu satisfeita da propriedade de Stipp. Ela ganhou 5 quilos de feijão. "No mercado, o preço está pela hora da morte. Pagar quase R$ 3 por quilo é um abuso", reclamou. O valor é o mesmo praticado em Curitiba. Um preço três vezes maior que a média paga ao produtor no estado, que ontem era de R$ 60 a saca (preto ou de cor), conforme o Departamento de Economia Rural (Deral).

O Instituto Brasileiro de Feijão (Ibrafe) informa que o preço triplica antes de o alimento chegar à mesa do consumidor porque, além do custo de distribuição, os supermercados praticam valores além de seus custos. "Essa margem está ficando com os supermercados", argumenta o presidente do Conselho Administrativo do Ibrafe, Marcelo Lüders. A reportagem entrou em contato com a Associação Paranaense de Supermercados (Apras), mas não obteve informações sobre como é calculado o preço do feijão.