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Nos cálculos do IBGE, se a safra de 2016 se confirmar nesses níveis, ficará 2,8 milhões de toneladas abaixo da produção de 2014. | JONATHAN CAMPOS/GAZETA DO POVO
Nos cálculos do IBGE, se a safra de 2016 se confirmar nesses níveis, ficará 2,8 milhões de toneladas abaixo da produção de 2014.| Foto: JONATHAN CAMPOS/GAZETA DO POVO

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de junho estima uma safra de 191,8 milhões de toneladas em 2016, um recuo de 8,4% em relação à produção de 2015, de 209,4 milhões de toneladas, informou nesta quinta-feira, 7, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A nova projeção é ainda 2,1% menor do que o previsto em maio, com 4,0 milhões de toneladas a menos.

A estimativa da área a ser colhida pelos produtores agrícolas brasileiros em 2016 é de 57,6 milhões de hectares, uma queda de 0,1% em relação a 2015, quando foram colhidos 57,6 milhões de hectares de grãos, aponta o IBGE. Em relação à estimativa de maio, a área projetada recuou 0,3%. O arroz, o milho e a soja - os três principais produtos da safra nacional - respondem por 87,4% da área a ser colhida e 92,4% da estimativa da produção.

Na comparação com 2015, houve acréscimo de 2,8% na área prevista de soja e redução de 1,2% na de milho. A projeção da área de arroz teve redução de 9,4%. Quanto à produção, houve recuo de 0,6% na estimativa para a soja, de 12,2% para a de arroz e queda de 18,0% para a de milho, quando comparadas a 2015.

Se confirmada, a queda de 8,4% na safra de 2016 estimada pelo IBGE em junho será a maior desde 1996, quando a produção encolheu 13,3%. Em termos absolutos, a queda de 17,6 milhões de toneladas na passagem de 2015 para 2016, se confirmada, será a maior da série histórica iniciada em 1975, embora isso ocorra em parte porque o tamanho total da safra cresceu muito de lá para cá, como ponderou Alfredo Guedes, gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE.

Segundo Guedes, a estimativa no início do ano era de safra recorde em 2016, mas as projeções foram se desfazendo à medida que o clima piorava, sobretudo por causa da falta de chuvas no cerrado, principal responsável pela mudança para uma estimativa de queda. “No início do ano, previsão era ter safra recorde. Houve plantio, mas clima prejudicou a produtividade”, disse Guedes.

Nos cálculos do IBGE, se a safra de 2016 se confirmar nesses níveis, ficará 2,8 milhões de toneladas abaixo da produção de 2014, recuo de 1,5%. Na passagem de maio para junho, a estimativa para a produção de soja ficou 0,3% menor. Já a estimativa para a produção de milho ficou 4,6% menor do que a estimada em maio.

Com quase toda a produção de soja já colhida, a projeção de 96,6 milhões de toneladas deverá se alterar pouco. Essa produção é 0,6% inferior ante 2015. Já a segunda safra de milho continua afetada pelo clima. As quedas em relação a 2015 serão de 14,0% (primeira safra) e 20,1% (segunda safra).

Segundo Guedes, o milho foi mais prejudicadO do que a soja porque a produção na segunda safra ganhou relevância. A segunda safra já representa 64,1% da estimativa total de 70,1 milhões de toneladas. Como o clima foi menos favorável na época da segunda safra, o milho acabou mais prejudicado.

Conab

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) voltou a cortar o volume da safra de grãos 2015/16, que oficialmente terminou em junho. A produção brasileira deve alcançar 189,3 milhões de toneladas, uma queda de 8,9%, ou 18,5 milhões de toneladas menor que a anterior, que foi de 207,7 milhões de toneladas. Os números fazem parte do 10º levantamento da safra de grãos, divulgado nesta quinta-feira, 7, pela Conab. Em relação à pesquisa anterior (196,49 milhões de t), houve diminuição de 7,2 milhões de toneladas, ou 3,7%.

A área plantada manteve-se praticamente estável em comparação com o levantamento anterior e deve atingir 58,15 milhões de hectares, ou 0,4% a mais do que em 2014/15 (57,93 milhões de hectares).

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