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Com mais estrutura que a nova fronteira agrícola do Norte e do Nordeste do país, Minas Gerais faz campanha para atrair os agricultores do Paraná e do Rio Grande do Sul interessados em expandir suas lavouras. O estado do Sudeste quer que os produtores do Sul alavanquem a produção de grãos da região de Pirapora como fizeram no Centro-Oeste e nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia nas últimas décadas. Essa é a meta central do programa Pró-Noroeste de Minas, que inclui a "importação" de gaúchos e paranaenses.

Mais do que a fama nacional de colonizadores, os produtores paranaenses e gaúchos têm o conhecimento tecnológico que Minas considera necessário para transformar áreas de pastagem degradada e Cerrado em plantações de soja e milho. "Eles abriram o Centro-Oeste. Quem se manteve no Sul cultiva áreas de médio porte com tamanho parecido com o das terras disponíveis em Minas. Vai ser mais fácil vir para cá", argumenta o agrônomo Alexandre Lobo Machado, da Campo Consultoria e Agro­negócio, um dos articuladores do Pró-Noroeste.

A Expedição Safra Gazeta do Povo percorreu 700 quilômetros na região na fase de plantio e verificou que os dois apelos mais fortes são os preços das terras e a estrutura logística de exportação de Pirapora. Em relação ao clima, faltam chuvas nas regiões baixas, onde boa parte dos produtores investe em irrigação. Nas regiões altas, com mais de 1.400 milímetros por ano, as condições são boas à produção de grãos, relatam os produtores mineiros.

A região acredita que vai viver uma fase de efervescência, por contar com área estimada de 2,5 milhões de hectares disponíveis à agricultura – 3,8 vezes maior que a área atual, considerando 25 municípios. Trata-se de um oásis para a produção de grãos no coração do mapa brasileiro. Os 2,5 milhões de hectares equivalem a 55% da área de soja do Paraná neste verão. Existem áreas de Cerrado e pastagens degradadas à venda por menos de R$ 3 mil o hectare. Terras agrícolas saem por R$ 8 mil/ha, um terço do preço praticado em Cascavel e Guarapuava, no Paraná.

Pirapora ganhou, em 2009, novo terminal de embarque ferroviário para exportação pelo Porto de Vitória, no Espírito Santo. A 300 quilômetros dali, em municípios como Unaí, o preço da soja subiu R$ 1 por saca, relata o produtor Juliano Zan­canaro. A diferença atualmente é de R$ 45 para R$ 46 a saca, com desvantagem para quem exporta por Uberlândia.

Consultor do Pró-Noroeste de Minas, o agrônomo Alexandre Machado percorreu durante três semanas os dois estados do Sul divulgando o potencial mineiro. Agora, recebe grupos de produtores sulistas e técnicos interessados em avaliar a região. Quatro caravanas foram a Pirapora e visitaram fazendas produtivas.

O aumento da produção de grãos é que vai viabilizar a estrutura logística montada na re­­gião. A Vale e a Ferrovia Centro-Atlântica investiram R$ 300 milhões no corredor ferroviário de exportação. No ano passado, o terminal de Pirapora recebeu 700 mil toneladas de grãos (80% soja e o restante milho), mas a capacidade é para 2 milhões.

O Pró-Noroeste conta também com apoio da Federação da Agricultura e Pecuária (Faemg) e representa promessa de desenvolvimento para cidades que enfrentam problemas sociais como alta concentração de renda e baixa escolaridade, relata o secretário de Pla­ne­jamento de Pirapora, Dalton Figueiredo.

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