O feijão se tornou concorrente de peso ante a soja e o milho, que são as principais apostas da agricultura do Paraná entre a primavera e o verão. Com a expectativa de que a saca do feijão de cor atinja R$ 200, não existe páreo para a leguminosa, relata o produtor e agrônomo Jesse Ricardo Prestes, que atua nos Campos Gerais e Norte Pioneiro. Ele considera os custos e a previsão de preços para a colheita.

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Prestes calcula que o custo do feijão, avaliado em R$ 2,7 mil por hectare, é 2,5 vezes maior que o da soja e 1/3 acima do verificado no milho. Mesmo assim, a cotação de R$ 120 seria suficiente para compensar esse valor (custo total). A margem esperada, equivalente a 2/3 do investimento, é pelo menos o dobro maior que a prevista para as outras duas culturas. Ou seja, neste ano, quem domina essa cultura deve ganhar mais que os produtores de soja e milho, tanto em pequenas como em grandes áreas.

Os produtores deverão cobrir toda a área preparada para o feijão, que tradicionalmente é menor que a das outras culturas de verão. Se as previsões se confirmarem, o alimento passará a ter área que equivale a 45% da extensão dedicada ao milho, ante 35% registrados no ano passado.

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Os produtores dizem estar conscientes dos riscos dessa aposta. Jesse Prestes cultiva 200 hectares com a leguminosa em Castro e 70 hectares irrigados em Andirá. Mesmo estando entre os produtores mais estruturados, condiciona seu rendimento ao clima e à relação entre oferta e demanda.

"Vou plantar toda a área disponível para o feijão. Temos previsão de veranico em novembro e dezembro, quando a plantação vai estar crescendo. Se der quebra, o preço vai subir." Ele considera que não há garantia de preços altos. "Deve ter queda na cotação no auge da colheita, em janeiro."

Ainda há tempo suficiente para plantar, afirma o agrônomo do Instituto Emater Ednei Teixeira, que atua em Pruden­tópolis. "O produtor tenta antecipar, mas o prazo vai até 10 de outubro." Nesta época do ano passado, perto de 50% das lavouras estavam semeados em sua região. Atualmente, o índice está em 15% de uma área de 20 mil hectares. Conforme o Departa­mento de Economia Rural (Deral), o quadro é parecido em todo o estado.

Segundo Teixeira, o setor produz o máximo que pode, independente da previsão de demanda e de preço. Mesmo com possibilidade de seca, a expectativa é de que a produtividade suba 9% este ano, para 1,68 tonelada por hectare na média estadual, informa o Deral.