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“Vire-se e corra. Nada pode pará-las. Elas se alastram ao lado dos canais e rios. Acabe com elas. Precisamos destruí-las. Elas são invencíveis. Parecem imunes aos nossos herbicidas”. Esses são alguns dos versos da música “The Return of the Giant Hogweed”, faixa do terceiro disco de estúdio da banda britânica Genesis, de 1971.

Esse inimigo infiltrado é uma planta florida e exótica, introduzida há mais de 100 anos na Europa e nos Estados Unidos a partir do Sudoeste da Ásia, por motivos ornamentais. As “hogweed gigantes”, algo como Porcos Daninhos Gigantes, voltaram a causar preocupação nesta semana após aparecerem em regiões dos Estados Unidos onde ainda não haviam sido avistadas.

Durante semanas, Robert Emma ficou se perguntando que plantas eram aquelas crescendo ao lado de sua nova casa.

Elas formavam uma paisagem “intimidadora”, cerca de 40 arbustos com espinhos e folhas pontiagudas, de 1,5 m de largura. Eram altas, muito mais altas do que uma pessoa, e lançavam cachos de flores brancas por todos os lados.

“Se você visse essas plantas, certamente pensaria: é melhor não tocar nelas”, concluiu Robert, morador de Berryville, no estado americano da Virgínia.

O instinto de Robert estava certo. Após visita de um extensionista da universidade Virginia Tech, Robert soube que estava vivendo ao lado de um jardim de “hogweeds gigantes”, planta cuja seiva pode causar severas queimaduras e cegueira, e que, para ser removida, exige óculos e vestes de proteção, além de permissão especial para ser transportada de um lado para outro.

Trajado como um perito de criminalística, com óculos, macacão e luvas especiais, o extensionista Mark Sutphin arrancou um pedaço da planta e o levou para identificação no laboratório.

“Não se deve tocar nisso. Até para cortar, é preciso fazer com extremo cuidado”, alerta Sutphin.

Procurada e reconhecida

O jardim de Robert não é o único a receber os “visitantes” indesejados nas redondezas. No início de junho, outras “hogweed” foram encontradas por funcionários de Departamento de Transporte da Virgínia, que ao avistarem o canteiro exótico se lembraram de uma campanha de anos atrás que alertava sobre o perigo dessas plantas.

Plantas são altas e formam pequenos cachos de floresBigStock

“Agora que as encontramos novamente, precisamos estar alertas”, disse Ken Slack, porta-voz do Departamento de Transportes. “Precisamos ter certeza que as pessoas não vão cair em seus atrativos”.

Embora comum no estado de Nova York, que já gastou milhões lutando contra a planta, e em outros lugares no Nordeste, as hogweeds gigantes em Berryville e Frederick County são os primeiros a surgirem na Virgínia. Em Berryville as “flores” foram plantadas por um proprietário anterior, para efeito decorativo.

Segundo Jordan Metzgar, curador do Massey Herbarium, a hogweed gigante é nativa do sudoeste da Ásia e foi vista pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1917, tendo chegado ao país como planta ornamental.

Mas por que alguém plantaria isso? “Não consigo nem imaginar “, responde Metzgar.

Embora não haja razão para pensar que as hogweed gigantes se espalhem agressivamente em Richmond ou Washington, as autoridades querem mantê-las sob controle. Uma única planta produz 20 mil sementes, que podem se dispersar em curtas distâncias pelo vento. As sementes também ser levadas de um lugar para outro junto com o solo.

Algumas autoridades locais, no entanto, preferem não se arriscar e já soaram alarme sobre os perigos da exposição à planta. “As reações da pele variam, mas a seiva pode levar à fitofotodermatite, tornando a pele tão sensível à luz solar que podem ocorrer queimaduras sérias, apenas pela exposição à luz do dia “, diz um alerta do condado Isle of Wight, perto de Norfolk.

Planta foi introduzida no Ocidente por motivos ornamentaisBigStock

“Os sintomas incluem bolhas dolorosas, que depois enegrecem e podem deixar cicatrizes. Sua pele pode permanecer sensível à luz solar por muitos anos. E, se a seiva entrar em seus olhos, existe o potencial de causar cegueira “, diz o alerta. Pelo menos, tocar na seiva da hogweed gigante ainda não é tão ruim quanto tocar no sangue ácido dos monstros xenomorfos dos filmes “Alien”. Existe esperança.

“Se você ficar exposto a isso”, o melhor a fazer é lavar com bastante água e sabão e ficar longe do sol”, aconselha Metzgar. Já para quem se deparar com o enorme buquê branco da hogweed, a melhor opção talvez seja seguir o conselho da banda Genesis: “Não desperdice tempo. Elas estão chegando. Rápido, precisamos nos proteger e encontrar algum abrigo”.

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