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Mercado exterior

Brasil quer avançar nos estudos sobre a ionização de alimentos

  • PorCaio Castro Lima, especial para Expedição Logística
  • 22/12/2020 10:08
Muitos tipos de temperos e especiarias passam por ionização, o que aumenta a durabilidade do produto
Muitos tipos de temperos e especiarias passam por ionização, o que aumenta a durabilidade do produto| Foto:

A ionização (ou irradiação) de alimentos vem sendo estudada no Brasil e pode ajudar o país a crescer ainda mais sua exportação alimentícia.  O governo federal está conversando com entidades científicas e setores da indústria para usar essa tecnologia nuclear que tem como objetivo a eliminação de parasitas e o retardo do amadurecimento dos produtos, o que prolonga sua vida útil.

Quem está à frente das tratativas e conversas é o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). As análises começaram em outubro de 2019 com a publicação da resolução 16, que criou um grupo técnico para discutir o tema. Uma segunda fase deve começar em breve e prevê a assinatura de acordos bilaterais de estudos em que a irradiação é a pré-condição para exportar produtos.

Custo alto

Um outro obstáculo, além da desconfiança de alguns setores com a irradiação, é o custo alto para a instalação de uma unidade. No Brasil, há duas praticamente prontas: uma em Manaus e outra no Rio de Janeiro.

Para Murilo Freire, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o produtor só conseguirá ter acesso ao processo de maneira agregada, associando-se a uma cooperativa. “Com isso, o produtor pode se beneficiar da técnica para vender seu produto em uma janela de comercialização mais favorável”, analisou.

Brasil pronto

De acordo com o engenheiro civil e estudioso do assunto José Medeiros, que já fez apresentações sobre o tema na Associação Brasileira de Energia Nuclear, na FAO (Agência da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), na Agência Internacional de Energia Atômica e no Grupo Internacional de Irradiação de Alimentos, o começo desse processo de ionização deu-se no início da década de 1970.

“O Brasil, atualmente, não faz esse procedimento. A França faz com frango para o Oriente Médio, o Chile montou uma unidade, a Holanda e o Canadá têm, a Argentina faz estudos, e a China está mais adiantada. Temos, aqui, duas prontas para começar a operacionalizar”, disse Medeiros.

Irradiação não é radioativo

Antes de iniciar qualquer procedimento, é preciso, segundo os especialistas, desmistificar e explicar a diferente entre irradiação e radiação.

“Há uma diferença entre um corpo radiativo e um corpo irradiado. Como exemplo simples, temos a lâmpada, que é o que ilumina, e um corpo que é iluminado. São coisas diferentes”, explicou Medeiros.

Murilo Freire ressaltou que “irradiado não é radioativo e que a radiação passa e vai embora, como quando se vê televisão e não sente”. Ele afirmou que a técnica não altera as características sensoriais do alimento, garantindo segurança microbiológica. “Mas não é adequada para alimentos com alto teor de gordura, porque provoca oxidação. Então aquela gordurinha branquinha ficará marrom”, disse.

Redução de desperdício

A irradiação é uma boa opção na redução do desperdício e pode, segundo os estudiosos, controlar surtos de doenças causadas por alimentos contaminados, podendo também ajudar no aumento da exportação de mais produtos agropecuários.

A França está iniciando o processo de conservação de alimentos por irradiação ionizante em escala industrial. O produto é bombardeado com a radiação gama de um isótopo radioativo de cobalto ou de um feixe de elétrons. O sistema é inócuo e não altera as propriedades dos alimentos. Terá repercussões econômicas nas safras, nos custos, nas importações e exportações, nos tipos de embalagem, nas preferências do consumidor e na segurança sanitária.

Você já comeu

José Medeiros lembrou que, provável, o brasileiro já tenha consumido alimento irradiado e não tenha percebido. “Em condimentos e especiarias, por exemplo, a irradiação de alimentos é muito usada.”

O que é

A irradiação de alimentos é um processo de exposição do produto à radiação ionizante, o que para destruir microorganismosbactériasvírus ou insetos que existam nos alimentos. A ionização de alimentos danifica o DNA de organismos e tem a capacidade de repará-los.

A radiação ionizante atua direta (ionização) ou indiretamente (através da ação dosradicais livres formados durante o processo) nos microrganismos, mais precisamente na molécula de DNA e RNA, inibindo a sua reprodução e crescimento.

Assim os microrganismos ficam incapazes de continuar as atividades patogênicas. Insetos, por exemplo, não sobrevivem ou se tornam incapazes de reprodução. E as plantas ou frutos não conseguem continuar os processos de amadurecimento natural.

Legislação libera 

A FAO e a OMS (Organização Mundial da Saúde) já declararam que alimentos irradiados com até 10,0 kGy (kilogray - unidade de medida para quantidade de radiação absorvida) são incondicionalmente seguros. Atualmente, a irradiação de alimentos é permitida em mais de 50 países.

No Brasil, a legislação de irradiação de alimentos em vigor é a Resolução RDC nº 21, de 26 de janeiro de 2001 (BRASIL, 2001) que aprovou o Regulamento Técnico para Irradiação de Alimentos. Esse regulamento exige que os alimentos irradiados tenham rótulo informando sobre essa condição, para que o consumidor possa optar entre consumir o produto irradiado ou não.

Tipos de alimentos

Tubérculos: preservação por um (1) ano na sua embalagem normal: cebola, alho, batata, gengibre, etc. Não brotam nunca mais.

Carnes: preservação por meses em ambiente refrigerado: bovinos, suínos, aves e peixes.  Crescentemente mais macias (maturação).

Grãos: preservação infinita quando irradiados na embalagem plástica final: feijão, arroz, soja, etc. Não ficam velhos.

Frutas: preservação por dois (2) a seis (6) meses sem refrigeração: manga, banana, morangos, etc. Amadurecimento paralisado para sempre.

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