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Paraná foi o terceiro estado que mais investiu em armazéns nos últimos dois anos. Desde 2012, adicionou 1 milhão de toneladas  à sua capacidade de estocagem . | Marcelo Andrade / Gazeta do Povo
Paraná foi o terceiro estado que mais investiu em armazéns nos últimos dois anos. Desde 2012, adicionou 1 milhão de toneladas à sua capacidade de estocagem .| Foto: Marcelo Andrade / Gazeta do Povo

Lançado em 2013 com a promessa de reduzir o deficit de estocagem agrícola no país, o programa federal de incentivo à construção de armazéns deve perder fôlego neste ano. Com oferta de recursos mais enxuta e juros elevados, produtores estão adiando os investimentos, freando uma tendência que vinha sendo desenhada nos dois últimos anos: a armazenagem na fazenda.

Com crédito facilitado para investirem em silos próprios, seja individualmente ou em grupos ou condomínios, produtores de estados como Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso aproveitaram para expandir sua capacidade de estocagem para guardar a própria safra e, em muitos casos, até atender à demanda de produtores vizinhos.

Guardar a safra “em casa” ficou mais caro

Considerada um dos principais gargalos da infraestrutura no campo, a armazenagem de grãos ganhou novo impulso nos últimos anos com a implantação de um programa do governo federal que incentiva a construção e modernização de silos. Em dois anos, cerca de R$ 8 bilhões foram aplicados neste setor, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e

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Manter o armazém na propriedade tem custos altos, mas ainda assim é vantajoso, considera Paulo Berto­lini, diretor comercial da Gran Finale, empresa de Castro que fornece equipamentos e serviços agrícolas. “Quando o produtor entrega para uma unidade, perde poder de decisão, de negociação. E recebe menos do que se estiver com o produto nas mãos. Isso significa diferença de preço em balcão”, compara.

Foi o que fez o agricultor Acelino Bueno Netto. Há dois anos, ele investiu cerca de R$ 650 mil em silos na propriedade que mantém em Castro, nos Campos Gerais, onde cultiva 247 hectares de soja e trigo. Hoje, a fazenda Santo Antônio tem capacidade estática para acomodar 400 toneladas de grãos. “Há vantagens [na armazenagem própria] devido às altas taxas diárias de secagem e armazenamento cobradas pelas cooperativas. Também gera economia com frete, porque o grão seco pesa menos que o grão molhado”, explica.

Netto calcula que a estratégia lhe rendeu ganhos de 15% a 20% na comercialização. Ele lembra que, na época da colheita do trigo, em novembro de 2014, compradores da região ofereciam aos produtores R$ 500 pela tonelada do cereal. Guardando o produto até fevereiro, período de entressafra, ele conseguiu vender a sua produção a R$ 630/tonelada.

Balanço

Desde o início do programa que oferece crédito barato com prazo dilatado para a construção e modernização de silos, o Brasil ampliou em 7 milhões de toneladas a sua capacidade estática de armazenagem. Hoje, o país tem espaço para abrigar 149,5 milhões de toneladas de grãos, conforme a Compa­nhia Nacional de Abasteci­mento (Conab). Os maiores incrementos ocorreram em Mato Grosso (+2,5 milhões de toneladas, para 30,9 milhões) e Rio Grande do Sul (+ 2,2 milhões de toneladas, para 28,7 milhões).

Terceiro na lista, o Paraná adicionou 1 milhão de toneladas à sua capacidade de armazenagem, que agora é suficiente para acomodar 28,4 milhões de toneladas. Entre os municípios paranaenses com maior capacidade de armazenagem, a região dos Campos Gerais está em evidência. Pulmão logístico do Paraná, Ponta Grossa é a segunda colocada do estado, com 2,3 milhões de toneladas, perdendo apenas para Paranaguá.

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