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Representantes do agro brasileiro rechaçaram a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que produtores rurais “tinham que não só votar, mas se ajoelhar para mim [Lula]”. A frase foi dita durante comício em Florianópolis no último sábado (19).
Candidato à reeleição, Lula falava ao lado do candidato a governador de Santa Catarina apoiado pelo PT, Gelson Merísio (PSB).
“Acho que você [Merísio] deveria fazer uma reunião com o pessoal do agronegócio aqui, você e eles, sem nenhum papel na mão, e perguntar para eles por que eles não gostam de nós”, disse o presidente.
“O problema contra nós acho que é uma questão de pele. É porque sou nordestino, ou porque eu sou pobre. Porque, se dependesse de dinheiro do governo, eles deveriam não só votar, mas se ajoelhar para mim”, afirmou Lula, aplaudido pela plateia de apoiadores da campanha.
“Lula é quem deveria se ajoelhar ao agro”, afirma Faep
Para o presidente do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette, “a realidade é oposta”, e Lula é quem “deveria, diariamente, se ajoelhar para agradecer ao setor agropecuário por segurar a economia do país há tantos anos, gerando empregos, renda e impostos, que muitas vezes não são usados em prol da população”.
“A declaração do presidente Lula, de que o agronegócio deveria se ajoelhar a ele, é descabida e demonstra o total desconhecimento em relação à real situação do setor”, diz Meneguette.
“Hoje, a agropecuária passa por um dos piores momentos da história, muito em razão do descaso do governo federal e falta de políticas públicas eficientes, Plano Safra insuficiente, ausência de seguro rural, gasto desenfreado, aumento do déficit fiscal e juros nas alturas. Por outro lado, os nossos produtores rurais não têm acesso ao crédito e refinanciamento que tanto precisam”, afirma.
“Cúmulo da prepotência e da arrogância”, diz presidente da FPA
Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR) classificou a declaração como “o cúmulo da prepotência e da arrogância”.
“O agro está de joelhos, mas não está de joelhos para você, não, Lula”, diz o parlamentar em publicação nas redes sociais.
“O agro está de joelhos pelo que você [Lula] causou para o país: a gastança desenfreada, os juros nas alturas, o seguro rural que não existe desde 2025, o crédito agrícola que não chega a quem deve chegar, a renegociação das dívidas que você não deixou tramitar”, lista o parlamentar.
“Insumos caríssimos, o diesel mais caro desde maio, um déficit primário do país de R$ 64 bilhões, a dívida pública de mais de R$ 10 trilhões”, prossegue. “Você dizer que o produtor tem que te agradecer? Pelo contrário, você é o grande mal da agricultura brasileira.”
Ex-ministra da Agricultura classifica fala como “bravata”
A senadora e ex-ministra da Agricultura e Pecuária Tereza Cristina (PP-MS) também repudiou as falas de Lula, ainda no domingo (20).
“O presidente de um país é reconhecido como líder quando fala com sensatez e atua para melhorar a vida das pessoas. Isso não se faz com bravatas”, escreveu a senadora, compartilhando notícia sobre a declaração do petista.
“Os brasileiros de fé se ajoelham sim, mas diante de Deus. Os homens e mulheres do agro, que confiam, a cada nascer do sol, no milagre da colheita, vão continuar trabalhando duro para garantir o sagrado pão nosso de cada dia”, completou.
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