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Chineses voltam a cortejar Trump e dão indícios de fechar menos negócios com o Brasil

Empresas da China estariam realizando cotações para compras antecipadas de soja nos Estados Unidos. Especialista diz que há prognósticos “mais secos” de negócios com o Brasil

SAUL LOEB/AFP Xi Jinping e Trump: jantar após o G20 | SAUL LOEB/AFP

Xi Jinping e Trump: jantar após o G20

  • The Washington Post

A China está de volta ao mercado norte-americano de soja, após Washington e Pequim planejarem novas discussões sobre a retomada comercial entre os países.

Nesta quarta (2), a maior empresa de alimentos da China, a Cofco Corp, realizou cotações de preços, segundo quatro fontes do mercado ligadas ao processo e que preferem não se identificar. A avaliação seria para envios em fevereiro e março, segundo três operadores de mercado. Com os boatos, o mercado de futuros de soja subiu 1,3% na Bolsa de Chicago e seguiu em valorização na quinta-feira (3).

E o Brasil com isso? 

Segundo uma das fontes ligadas ao mercado, a Cofco não fechou nenhuma compra por enquanto, e ainda não está claro se a estatal chinesa Sinograin engatilhou algum negócio. Nenhuma das duas companhias quis comentar o assunto. Enquanto os traders do mercado financeiro dizem não ter conhecimento sobre compras, a consultoria AgResource, de Chicago, estima que 1,5 milhão de toneladas já teria sido adquirida.

“Foi um bom início de 2019 para o mercado de grãos norte-americano, com possíveis compras antecipadas da safra dos Estados Unidos pelos chineses, e com prognósticos ‘mais secos’ de negócios para o Brasil “”, afirma Charlie Sernatinger, diretor global de mercado futuro de grãos da empresa de capitais ED&F Man Capital Markets.

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Os Estados Unidos é o principal concorrente do Brasil na produção e exportação de soja para o resto do mundo, e o Brasil vem enfrentando indícios de que a produção pode ser menor do que o projetado por entidades como a Conab.

O interesse renovado acontece quase no mesmo momento em que autoridades comerciais das duas maiores economias do mundo têm uma reunião marcada em Pequim na próxima semana, para a primeira negociação cara a cara desde que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping concordaram com um “cessar fogo” de 90 dias na Guerra Comercial, durante o encontro do G20 em Buenos Aires.

A sobretaxa da soja dos Estados Unidos - que até o momento só entra na China com tarifa de 25% - pode ser revista. “As conversas estão caminhando muito bem”, disse Trump nesta quarta.

Embarques já começaram

A última grande compra de soja da China aconteceu antes do Natal, de cerca de 1,2 milhão de toneladas, encomendadas para o final de agosto de 2019, segundo Departamento de Agricultura dos Estados. Antes houve uma compra de 1,56 milhões de toneladas, na primeira quinzena de dezembro. A Cofco confirmou que realizou duas compras compras, enquanto que a Sinograin realizou compra de lotes. Desta vez, não haverá uma confirmação oficial de vendas.

Um navio graneleiro da marca Spitha está em direção à China após realizar o embarque no terminal de grãos de Longview, em Washington, segundo dados do USDA.

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As compras da China serão embarcadas, provavelmente, nos portos do Pacífico e da costa do Golfo norte-americano, para entrega no final da primavera dos Estados Unidos ou no início do verão, afirma Dan Basse, presidente da AgResource. “Há uma abundância de grãos no mercado atualmente nos Estados Unidos”, afirma Basse. “Mas as compras agora estão sendo realizadas por companhias estatais, e os compradores privados só devem voltar quando as barreiras comerciais forem removidas”, completa.

Segundo os operadores comerciais, também há cotações sendo realizadas para outros grãos, como milho e sorgo.

“Verificamos indícios de que a China pode comprar milho dos Estados Unidos em janeiro, mas ainda precisamos ter novas confirmações, afirma Arlan Suderman, diretor econômico de commodities da INTL FCStone do estado do Missouri. “Há uma ampla gama de suprimentos, mas a balança se ajustará rapidamente se a China voltar ao mercado com compras significativas”.

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