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Negociação envolve empresas líderes do comércio mundial de grãos | IvanBueno/APPA
Negociação envolve empresas líderes do comércio mundial de grãos| Foto: IvanBueno/APPA

A Archer-Daniels-Midland Company (ADM) está em negociações avançadas para comprar a multinacional Bunge, num movimento que poderá significar o fim de uma empresa independente há 200 anos e deverá reconfigurar o ambiente financeiro que envolve a produção agrícola ao redor do mundo.

A Bunge, que tem valor de mercado de US$ 11,5 bilhões - e é a maior exportadora de grãos do Brasil - , pode chegar a um acordo com a ADM já nesta semana, segundo fontes ligadas às multinacionais americanas que pediram anonimato, devido ao sigilo da operação.

As negociações ainda estão em curso e correm risco de falhar, já que há outros players interessados em adquirir a Bunge. A ADM deve anunciar nesta terça-feira (06/02) os resultados alcançados no último ano.

A Bunge é a letra B do chamado grupo ABCD que domina o comércio agrícola mundial, ao lado da ADM, Cargill e Louis Dreyfus. Após vários anos de colheitas abundantes, os lucros das tradings diminuíram, levando os executivos do setor a pensar em fusões.

A possível venda da Bunge poderá virar um leilão entre gigantes, já que a Glencore fez uma sondagem no ano passado para fundir sua divisão agrícola às operações da Bunge. Apesar da Glencore raramente se envolver em batalhas por aquisições (a empresa tem entre seus sócios fundos de pensão do Canadá), sua divisão de commodities, liderada por Ivan Glasenberg, pode tentar atravessar o negócio da ADM fazendo uma oferta em dinheiro.

Valorização na Bolsa

As ações da Bunge subiram 4,3% e atingiram US$ 82,01 em Nova York no início do pregão desta segunda-feira, enquanto as ações da ADM valorizaram 0,6% e atingiram US$ 41,68. Tanto ADM, como Bunge e Glencore não quiseram comentar o assunto.

Uma eventual aquisição da Bunge terá repercussão para além do pequeno círculo global das traders agrícolas. As empresas fazem suas compras numa vasta área geográfica – desde a soja no Brasil até o trigo na Ucrânia – e fornecem matéria-prima para as maiores companhias alimentícias do mundo, como Nestlé e Kraft Heinz.

Uma fusão das duas gigantes da agricultura americana também atrairá a atenção de políticos ao longo do cinturão verde do Meio Oeste dos Estados Unidos.

A aquisição da Bunge pela ADM deverá enfrentar ainda obstáculos antitruste significativos nos EUA, no Brasil e na China. Para satisfazer as agências regulatórias, um acordo provavelmente exigirá a venda de ativos, como silos e fábricas na América do Norte, o que certamente despertaria o interesse de competidores.

A ADM, que tem valor de mercado de cerca de US$ 23 bilhões, teria feito uma primeira abordagem à Bunge poucos meses atrás. A sondagem ocorreu logo após a Glencore levantar a ideia de fusão com a Bunge. A companhia com sede na Suíça foi repelida e teve que assinar um acordo que a impede de fazer novas ofertas hostis (sem negociação prévia).

Com sede nos arredores de Nova York, a Bunge vem enfrentando turbulências há um ano e meio. Ela reduziu as projeções de lucro várias vezes após ver diminuírem as oportunidades comerciais por causa da superoferta de trigo, milho e soja. O diretor executivo da Bunge, Soren Schroder, disse em julho que a evidente capacidade ociosa apontava para a necessidade de verticalização no setor.

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