Além do alto preço do milho que eleva o custo de produção e dos baixos preços pagos aos suinocultores, outro grande problema no Paraná, especialmente dos produtores independentes, é a luta para reduzir a alíquota do ICMS do suíno vendido para fora do Estado de 12% para 6%, seguindo a mesma medida adotada por Santa Catarina, onde a redução foi assinada no início de março e vale por 60 dias. No Rio Grande do Sul, o imposto cobrado já é de 6% e os produtores esperam reduzir para 4%.
Para pressionar o Governo a reduzir a alíquota, a Associação Paranaense de Suinocultores (APS) imobilizou junto ao setor uma manifestação no dia 04 de abril na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A intenção é evitar uma guerra fiscal entre os maiores produtores de suíno do Brasil e proteger os produtores independentes do Paraná que sofrem com a concorrência de animais vindos dos outros estados.
“Estamos à beira do caos. Nunca vivemos uma situação como essa. O setor sabe das dificuldades para que o governo reduza impostos num momento delicado da economia. Porém, a parte mais sensível da cadeia produtiva, mais uma vez, é o suinocultor, em razão da alta do milho e do baixo preço do suíno. Vai ter quebradeira no setor que mais emprega na área rural. Se o governo não fizer algo agora, nesta questão do ICMS, mesmo que seja por um período determinado, não tem volta”, alerta o presidente da APS, Jacir Dariva.
“Estamos à beira do caos. Nunca vivemos uma situação como essa”
Segundo ele, o setor quer conversar com o Governo sem a necessidade de mobilização. “Para o produtor a redução do ICMS é um prejuízo a menos”, completa.
Milho
O crescente aumento dos preços do cereal no mercado interno combinado ao bom preço do dólar favoreceu as exportações e remunerou os produtores de grãos que investiram na cultura. Por outro lado, a disparada no preço da saca virou dor de cabeça para os produtores de carne suína, especialmente em um momento que a preço da carne suína está tão baixo. “A gente chegou a receber uma média de R$ 4,50/kg e hoje esse preço caiu a R$ 3. Caiu 50% enquanto o preço do milho aumentou de R$ 25 para R$ 50 . Para não ter prejuízo teríamos que comprar oito quilos de milho, mas com o preço da saca só adquirimos quatro. Para a conta fechar teríamos que receber entre R$ 4,50 e R$ 5/kg de suíno vivo”, explica Dariva.
Mas na opinião do produtor do oeste paranaense, Fernando Gavlik, não se pode atribuir a crise ao alto preço do milho. Para ele, o problema são os baixos preços pagos aos produtores pelo animal vivo. “No oeste, paga-se R$ 2,60/kg de suíno. Mas quando se compra um produto industrializado o valor chega a R$ 40. A margem é grande e quem paga a conta é o produtor. Hoje, para se ter uma ideia, meu prejuízo chega a R$ 20 mil por semana no suíno terminado. É desastroso”, comenta.
Gavlik afirma que o Governo precisa tomar algumas ações emergenciais para segurar o setor como uma política de preço mínimo para a carne suína e leilões para disponilizar mais milho no para os produtores .”Também é preciso criar um plano de contingência de produção e fazer com que os frigoríficos eliminem os atravessadores”.
Reação em cadeia
A atividade se tornou inviável para muitos produtores, especialmente os suinocultores independentes. Dariva afirma que até metade do ano, os 25% de produtores independentes e pequenas integrações devem ser reduzidos pela metade, deixando de circular no Estado quase 1 milhão de animais.
“As pessoas não falam, mas os frigoríficos também vão sentir o baque, principalmente os pequenos. A cada 100 fêmeas alojadas, eles usam durante o ciclo completo de duas a três pessoas, enquanto nas grandes integrações usa-se um funcionário a cada 300 fêmeas. Sem matéria-prima para abate, muitos terão que fechar as portas”, acrescente Dariva.
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