“Nunca comi”

Por que cerca de 25 milhões de brasileiros nunca experimentaram este tipo de carne

Carne ovina nunca passou pela mesa de um em cada dez brasileiros. E o motivo não é o preço

Jonathan Campos/Gazeta do Povo Carne de cordeiro: consumo é maior na Região Sul, mas aposta de pesquisadores é no mercado do Sudeste | Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Carne de cordeiro: consumo é maior na Região Sul, mas aposta de pesquisadores é no mercado do Sudeste

  • Da redação Com assessoria Embrapa

Apesar de ter mais ferro que peixe e frango, alto teor de vitaminas, minerais e proteína de alta qualidade, a carne ovina nunca foi saboreada por 25 milhões de brasileiros, o que representa 12% dos consumidores do país, mostra pesquisa da Embrapa divulgada na última semana.

“Mesmo no Sul, onde há tradição na criação e consumo, a carne ovina é mais lembrada para os churrascos de fim de semana, para assar em momentos festivos, mas ela não está presente no cardápio durante a semana”, resume a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul Élen Nalério, coordenadora do projeto “Aproveitamento Integral da Carne Ovina (Aprovinos)”, que busca levar ao mercado novas opções de consumo dessa carne.

Carne de ovelha: consumo

Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), o consumo per capita brasileiro de carne de ovelha é de 400 gramas anuais, enquanto que o brasileiro come, em média, cerca de 44 quilos de carne de frango por ano, 35 quilos de carne bovina e 15 quilos de suína.

Conforme análise da Embrapa, 52 milhões de brasileiros, ou 25% da população nacional, dizem saborear com certa periodicidade carne de carneiro ou cordeiro: 17% pelo menos uma vez por mês, 7% uma vez por semana e apenas 1% diariamente. Ao todo, 27% comem esse tipo de carne algumas vezes por ano e 128 milhões (35% da população) dizem ter experimentado alguma vez na vida.

Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Hambúrguer de cordeiro do restaurante Ripas e Costelas, em Curitiba: derivados como o hambúrguer e até mesmo ‘ovebacon’ são novidades para incentivar o consumo de carne ovina

Engenheira de alimentos, Juliana Cunha de Andrade fez uma tese de doutorado sobre o tema “Percepção do consumidor brasileiro em relação à carne ovina e produtos derivados”. Ela descobriu que o motivo para o consumo ser menor que outras proteínas animais vão da pouca disponibilidade à falta de costume e inexistência de cortes para o dia a dia, como acontece com outras carnes.

“A falta de adequação da carne ovina a uma situação de consumo frequente foi identificada como a principal barreira, sendo considerado um produto para ocasiões específicas, em oposição às refeições diárias”, destaca a pesquisadora.

Novos mercados para carne ovina

Uma das conclusões da pesquisa mostra ainda que o número de homens que já experimentaram esse tipo de carne é maior que o de mulheres. Além disso, a proporção de pessoas da Região Sul do Brasil foi maior entre os classificados como consumo frequente. Contudo, a orientadora da tese, Rosires Deliza, pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, afirma que uma oportunidade está na região Sudeste, por ser mais populosa, apresentar maior poder de compra e acesso aos bens e serviços do País.

“Entre as estratégias identificadas para aumentar o consumo estão: campanhas de comunicação, degustação em grandes centros comerciais, desenvolvimento de novos produtos e viabilização do consumo em situações cotidianas”, indica Rosires Deliza.

Presunto, hambúrguer e bacon de ovelha

Entre esses novos produtos estão principalmente os derivados. Pesquisadores já mostraram que é possível criar a partir de ovelha: presuntos crus defumados e não defumados, copas, mortadelas, hambúrgueres e até bacon, já nominado de oveicon.

“O desenvolvimento de produtos, além de aumentar a vida de prateleira da carne in natura, pode ser uma ótima oportunidade para aumentar o consumo de carne ovina, a exemplo da carne suína, da qual 70% é consumida na forma de produtos derivados. Pelas nossas pesquisas, os consumidores entendem que seria interessante ter maior variabilidade de cortes ovinos e produtos derivados”, finaliza Juliana Cunha.

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