O gerente geral da Hyundai Sevec, Fábio Zago, mostra o utilitário esportivo Santa Fé, que tem a opção da cor branca na versão top de linha | Antônio Costa/ Gazeta do Povo
O gerente geral da Hyundai Sevec, Fábio Zago, mostra o utilitário esportivo Santa Fé, que tem a opção da cor branca na versão top de linha| Foto: Antônio Costa/ Gazeta do Povo

O que a cor diz

Maria Sara de Lima Dias, professora do curso de Psicologia da Universidade Positivo, mostra que o comprador busca projetar no seu carro características de sua identidade, mas sempre dentro de um contexto de mercado.

Branco

Carros desta cor, tradicionalmente, são mais baratos. Isso é o que ainda acontece com os modelos populares. Então, pessoas que escolhem esta cor seriam mais econômicas.

Preto e Prata

Passam uma sensação de poder. As cores são personalizadas, revelam uma identidade. Isso é o que a mídia impõe, mas também repercute na subjetividade do sujeito a posse de um veículo nessas cores. Muitos compradores preferem comprar automóveis nas cores preta ou prata para facilitar a revenda, o que revela um perfil mais cauteloso.

Vermelho

É um bom exemplo de escolha das pessoas que desejam revelar um espírito aventureiro.

Cores menos convencionais

Nos últimos anos tem se popularizado a venda de modelos em cores como amarelo e verde, bem chamativas, que tendem a ser comprados por pessoas que desejam se destacar dentro do monocromatismo usual dos carros nas ruas brasileiras.

Impacto

Tendência fora da montadora

Os produtores de eventos Dado Dantas e Ilse Lambach confirmam a tendência do carro branco. Eles têm usado veículos dessa cor em suas produções. Na semana passada, para a inauguração da loja da Wingard Películas, por exemplo, eles usaram um Porsche Panamera na cor branca.

O dono da empresa, Anderson Rodrigues, conta que muitos motoristas estão procurando o envelopamento e a película branca está em alta. "Temos o branco brilhante, o branco fosco e a película de carbono branca", completa. Segundo ele, a Wingard estava adesivando um Hyundai Tucson e uma Land Rover na semana passada.

Dado Dantas e Ilse Lambach também comentam que não é só aqui no Brasil que os carros brancos estão em alta. Eles contam que acabaram de voltar de uma viagem e, nas duas locadoras de veículos em que estiveram, uma na Flórida e outra na Califórnia, alugaram o Hyundai Vera Cruz na cor branca.

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Quando a BMW colocou só carros brancos no seu estande no Salão do Automóvel de São Paulo, no ano passado, ela deu um recado para os consumidores: essa é a cor da mo­­da nos segmentos de luxo e esportivo. Recado prontamente entendido pelo mercado, mas não em todo o país. Lá em São Paulo não dá certo porque os táxis são brancos. Ninguém quer ser confundido. Mas por aqui a moda pegou.

A Hyundai, que só fabrica carros nas cores preto e prata, teve de se render ao branco, mas não em toda a linha. Fábio Zago, gerente geral da Hyundai Sevec, em Curitiba, diz que a cor só está disponível para o utilitário esportivo Santa Fé, na versão top de linha, e para o Veloster, que só deve chegar às lojas em setembro. O SUV custa R$ 135 mil, in­­cluídos os R$ 3 mil referentes à cor branca. Já o Veloster é oferecido em duas versões, uma sem e outra com teto so­­lar, por R$ 68,7 mil e R$ 70,5 mil respectivamente. Para ser branco, tem que de­­sembolsar R$ 5 mil a mais.

O diretor comercial da Nipon­sul, revenda Honda em Curitiba, Pedro Colares, afirma que a escolha pela cor branca não implica, necessariamente, alteração no preço. Mas como a procura tem sido maior que a oferta, em algumas situações o consumidor precisa esperar para receber o carro branco. Se for um modelo nacional, completa, a espera é de 30 dias, em média. Para os importados, o prazo varia de 45 a 60 dias.

E o consumidor tem respondido bem a essa provocação das marcas. Colares conta que o primeiro Honda CRV branco que chegou na Niponsul foi preparado pela manhã, colocado no show room à tarde e estava vendido no fim do dia.

Força

A gerente de marketing de automóveis da Mercedes-Benz, Glauci Toniato, lembra que a montadora vem trazendo carros na cor branca já há dois anos, mas que essa tendência ganhou força no ano passado. Segundo ela, a empresa oferece o branco em dois tons: o tradicional e o diamante, que tem um brilho diferente. Isso ampliou o uso da cor, explica Glauci. "O percentual de veículos na cor branca, que era de 3% a 5%, passou este ano para 10%", conta. É a terceira cor mais procurada, atrás das imbatíveis preto e prata, que ficam, cada uma, com 40% da preferência do consumidor.

Zago, da Hyundai Sevec, diz que essa procura pelo carro branco aumentou nos últimos quatro meses. Foi também nesse prazo que a gerente da Euro Import MINI Cooper, concessionária da marca em Curitiba, Cristiane Dala Valle, percebeu que a cor havia caído no gosto do consumidor. E olha que a variedade de cores é um dos grandes atrativos da marca. Preto e prata, campeões de venda, não fazem sucesso entre os admiradores do MINI Cooper.

"Nos últimos meses, se coloco no show room um carro branco e um de outra cor, vendo o branco primeiro", conta Cristiane. Por causa desse giro rápido, ela costuma ter muitas unidades em estoque, conseguindo, na maioria das vezes, atender o consumidor sem que ele tenha que esperar. E o preço do MINI Cooper branco é, em média, R$ 1 mil a menos do que o dos modelos em outras cores, diz Cristiane.

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