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Ford Ka lidera lista de carros mais visados por criminosos; veja os dez modelos

Carros mais roubados no Brasil
Terceira e última geração do Ford Ka produzida no Brasil, lançada em 2014 e descontinuada em 2021 (Foto: Vauxford/Wikimedia Commons)

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Carros populares estão entre os principais alvos de criminosos no Brasil. No primeiro semestre de 2026, o Ford Ka liderou a lista dos dez modelos mais visados, segundo levantamento da Loovi Seguros. Veja o ranking completo dos carros mais roubados e furtados:

  1. Ford Ka
  2. Chevrolet Onix
  3. Volkswagen Gol
  4. Hyundai HB20
  5. Renault Sandero
  6. Fiat Argo
  7. Renault Logan
  8. Fiat Uno
  9. Fiat Palio
  10. Volkswagen Voyage

Por que carros populares são os mais visados

Segundo a Loovi, os criminosos escolhem esses modelos por razões econômicas: a grande quantidade desses veículos em circulação aumenta a demanda por peças de reposição e, consequentemente, pode torná-los mais atrativos para quadrilhas especializadas em desmanche e comércio ilegal de autopeças.

Veículos mais antigos ou descontinuados, como o Ford Ka, também podem despertar o interesse dos criminosos por causa da procura por peças de reposição. Com o encerramento da produção nacional da Ford, o comércio paralelo de autopeças passou a ter uma oportunidade adicional de exploração desse mercado, segundo a Loovi.

Roubos de veículos caem, mas furtos ganham espaço

A distribuição das ocorrências é desigual e também reflete o tamanho das frotas de cada estado. São Paulo lidera em números absolutos, com 112.358 registros em 2025, mais de um terço dos crimes do país, segundo dados coletados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Quando se considera a quantidade de veículos em circulação, porém, o cenário muda. O Rio de Janeiro apresenta a maior taxa, com 516,8 casos por 100 mil veículos.

Apesar da concentração das ocorrências em alguns estados, o número de furtos e roubos de veículos caiu nacionalmente. Em 2025, foram registrados 10,7% menos casos do que em 2024, quando foram contabilizadas 345.503 ocorrências. Na taxa por 100 mil veículos, a queda foi de 14,3%.

Os dados também mostram uma mudança no tipo de crime praticado. Enquanto a taxa de roubos, que envolvem violência ou grave ameaça, recuou 20,6% em 2025, os furtos tiveram redução de 10,6%.

Com isso, o furto passou a representar a maior parte das ocorrências: foram 203.949 casos, contra 104.491 roubos.

A diferença está no modo como os crimes são praticados. No roubo, o criminoso precisa abordar a vítima e utilizar violência ou ameaça, o que aumenta sua exposição. No furto, o veículo pode ser levado sem que o proprietário esteja presente.

Segundo o FBSP, o avanço de câmeras de monitoramento, o policiamento ostensivo e as tecnologias forenses aumentam o risco de identificação e prisão em flagrante nos roubos. Nesse cenário, os furtos de veículos estacionados podem representar uma alternativa menos arriscada para os criminosos.

Comércio digital dificulta fiscalização

A existência de uma rede capaz de absorver as peças e veículos roubados ou furtados é um dos fatores que permite que o crime continue sendo lucrativo. Por isso, o combate aos desmanches clandestinos é também uma forma de reduzir o mercado para os produtos roubados.

A regulação do setor de autopeças já produziu resultados. A aprovação da Lei dos Desmanches em São Paulo (Lei Estadual nº 15.276/2014), seguida da Lei Federal nº 12.977/2014, contribuiu para o fechamento de milhares de estabelecimentos clandestinos físicos e foi determinante para iniciar o decréscimo das taxas.

O avanço do comércio eletrônico, porém, criou um novo desafio para a fiscalização. Peças podem ser anunciadas e comercializadas em sites de vendas e redes sociais, tornando mais difícil aplicar ao ambiente digital os mesmos mecanismos utilizados para fiscalizar estabelecimentos físicos.

O FBSP alerta que, sem um monitoramento digital ativo, o avanço tecnológico pode enfraquecer parte dos resultados obtidos com a fiscalização tradicional dos desmanches. O desafio, portanto, passa a ser acompanhar também os canais virtuais utilizados para comercializar peças de origem ilícita.

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