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Delivery

Restaurantes criam seus próprios apps e dão mais vantagens aos clientes

Estabelecimentos buscam a fidelização de usuários com promoções e descontos

por Guilherme Grandi, especial para Gazeta do Povo Publicado em 22/01/2018 às 10h
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De olho em um público que quer mais do que apenas o almoço ou o jantar entregue em casa, muitos restaurantes estão descobrindo que ter o próprio aplicativo pode ser mais vantajoso. A fidelização e os descontos são as armas que eles estão usando para convencer os internautas a usarem seus próprios apps. E não é para menos: uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), aponta que os pedidos de comida em casa bateram recorde em 2017, com 71% dos estabelecimentos operando pela internet.

Foto: Alexandre Mazzo/Gazeta do Povo

Por muito tempo, as pizzas dominaram o mercado de delivery. Foto: Alexandre Mazzo/Gazeta do Povo

Os aplicativos que funcionam como um marketplace facilitaram o hábito de pedir comida em casa, com diversos restaurantes disponíveis na palma da mão. Mas, o atendimento personalizado, as promoções e os programas de fidelidade acabaram ficando em segundo plano nestas novas tecnologias. Com isso, muitos estabelecimentos estão desenvolvendo seus próprios aplicativos. De acordo com Rodrigo Rosalin, diretor da empresa paulista Neemo, que cria aplicativos sob demanda, os estabelecimentos conseguem oferecer promoções e descontos pelas suas próprias plataformas. “No aniversário das pessoas, por exemplo, os restaurantes conseguem enviar uma notificação com uma promoção ou um programa de fidelidade, o que não é possível com os aplicativos que reúnem vários estabelecimentos”, conta.

A empresa dele desenvolve aplicações para restaurantes desde 2012, e nos últimos tempos viu um boom no mercado de delivery. Além das vantagens para os clientes, como promoções e descontos, Rosalin explica que o próprio restaurante também ganha com isso. “A desvantagem de se usar um aplicativo do tipo marketplace é que as comissões cobradas dos restaurantes costumam ser bastante altas, de 12% a 27% em cima de cada pedido”, diz. E para um restaurante que teve seu público fiel migrando para o delivery, o custo final pode ficar maior.

Foi isso que levou a rede curitibana Baggio Pizzeria & Focacceria a criar o próprio aplicativo em 2016. Além de diminuir os custos com as comissões, o sócio da rede, José Antônio Baggio, explica que foi uma forma de chegar mais perto dos consumidores. “Tínhamos o objetivo de oferecer mais praticidade para o cliente, que não precisa mais fazer o pedido por telefone, e assim desafogamos também nossas linhas telefônicas”, conta. Com isso, o cliente pode receber notificações de novidades, promoções e outros assuntos. Segundo ele, cadastrando-se no app, ele também pode fazer parte do programa de fidelidade com recompensas e ter acesso às promoções e descontos que as casas promovem”

Sushi e nigiri do King Temaki. Foto: Marcelo Krelling/divulgação

No King Temaki, os pedidos poderão ser feitos pelo WhatsApp. Foto: Marcelo Krelling/divulgação

Além da praticidade em pedir pelo smartphone, a tecnologia tem avançado até mesmo para as redes sociais. O restaurante japonês King Temaki, de Curitiba, está preparando uma nova versão de seu aplicativo integrado ao WhatsApp. Ele possui o próprio sistema desde 2013. Segundo Luciano Dall Agnol, sócio da rede, o sistema permitirá que as pessoas façam pedidos sem sair da rede social. “Acreditamos que o nosso cliente busca mais conveniência do que promoção, o que os marketplaces acabam invertendo no final”, explica.

Se as pizzarias e os restaurantes orientais viram um nicho a ser explorado, os outros estabelecimentos não perderam tempo. Já há aplicativos de comida italiana, como o do restaurante Perfetto, de churrasco, como o Churrasko da Hora, e de vilas gastronômicas, como o Ca’dore.

Robôs

Também há a expectativa de que, no futuro, a inteligência artificial vai ajudar os consumidores a escolherem o que comer. Rodrigo Rosalin, da Neemo, conta que já há um sistema de chatbot que responde a perguntas simples dos clientes, como horários de atendimento, tempo de entrega, entre outros dados básicos. Segundo ele, em um futuro próximo, o chatbot vai até mesmo sugerir pratos aos clientes, mas ainda não temos este tipo de demanda.

O Facebook é outro caminho que está sendo explorado pelos restaurantes. Isso porque alguns aplicativos permitem que o cardápio seja visível nas fanpages, com a possibilidade de fazer o pedido para entregar em casa. Allan Panossian, sócio da paulista Delivery Direto, que também desenvolve aplicativos sob demanda, explica que os sistemas integrados à rede social diminuem as etapas dos processos de compra, além de oferecer uma quantidade maior de potenciais clientes. “Um simples post pode servir de gatilho para os clientes entrarem na fanpage e realizarem o pedido na hora”, conta.

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