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Que tal um drink ao pôr do sol em um hotel de luxo em Floripa?

É assim no bar Barca do hotel Casa Quatro Oito, que abriu as portas ao público com bartenders premiados

por Aline Torres, de Florianópolis, especial para Bom Gourmet Publicado em 28/12/2018 às 15h
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A Casa Quatro Oito é certamente um dos lugares mais luxuosos de Florianópolis. O hotel boutique, propriedade de Bianca Pereira, tem 700 metros quadrados e está construído num amplo terreno de 70 mil metros na Rua João Henrique Gonçalves, no Canto dos Araçás – bairro nobre e paradisíaco da Ilha e ponto de convergência entre a Mata Atlântica, seus abundantes tons de verde, e o azul cristalino da Lagoa da Conceição.

Foto: Cristina Souza/Coletivo Odara

A Casa tem apenas quatro suítes, para receber, no máximo, oito pessoas – vem daí o nome -, e oferece conforto e requinte aos seus hóspedes por diária de R$ 1,7 mil na alta temporada. Percebendo a curiosidade das pessoas em conhecer seu hotel boutique, Bianca decidiu abrir as portas ao público com o bar de coquetéis Barca, que com dois meses de vida já se tornou um dos lugares mais comentados da cidade.

O Barca funciona de terça a sábado, das 17h às 23h, e nas sextas rola um sonzinho com DJ – porém, sem a intenção de virar balada. A entrada só é liberada até as 21h30 e não é necessário fazer reservas. “A ideia é que as pessoas saiam do trabalho direto para cá, curtam o deslumbrante pôr do sol da Lagoa e possam voltar cedo para casa”, explicou a proprietária.

  • Balcão da coquetelaria. Foto: Paulinho Sefton
  • Tartar de berinjela. Foto: Paulinho Sefton
  • Drink Cheri. Foto: Linda Laranja Fotografia
  • Deck do bar. Foto: Cristina Souza/Coletivo Odara
  • Foto: Cristina Souza/Coletivo Odara
  • Foto: Paulinho Sefton
  • Foto: Paulinho Sefton
  • Foto: Paulinho Sefton
  • Foto: Cristina Souza/Coletivo Odara
  • Ocho Maneras. Foto: Linda Laranja Fotografia
  • Foto: Paulinho Sefton
  • Bartender Pedro Neto. Foto: Paulinho Sefton
  • Bartenders Tom Oliveira e Pedro Neto. Foto: divulgação.
  • Tom Oliveira prepara o drink Barca. Foto: Lucy Hallak.
  • Foto: Aline Torres

Os bartenders

Para fazer jus ao ambiente, a carta foi assinada por quatro prestigiados bartenders que criaram vinte drinks autorais, Felipe Palanowski, Waka Morishita, Tom Oliveira e Pedro Neto. Tom Oliveira e Pedro Neto, que são os únicos que trabalham no bar, foram escolhidos entre mais de 300 participantes para a semifinal do Bacardí Legacy, disputa entre 50 cidades brasileiras. Em dez anos, da maior competição de coquetéis do mundo, foi a primeira vez que dois bartenders da mesma casa foram juntos para semifinal.

Dos dez semifinalistas, três chegaram à final: Ariel Todeschini Da Motta, do bar .Gin, de Curitiba, com o drink Entrelazado; Michelly Rossi, do bar Fel, de São Paulo, com o drink Blackbird; e Tom Oliveira, com o Ocho Maneras. O campeão da etapa brasileira irá para a final Global em Amsterdã, na Holanda, em maio de 2019. E se juntará a outros 41 competidores de diferentes países em busca de um lugar na história da coquetelaria mundial. O campeonato desafia bartenders a criar um drink para figurar na lista de clássicos como  Mojito , Daiquirí e Old Cuban.

Tom é bartender há mais de uma década, começou sua trajetória no extinto Vegas Club, em São Paulo, e circulou por inúmeros bares paulistanos como The Edge, Lions, Alberta #3, Rock & Breja, Tex e Home SP. Esteve entre os três finalistas do Most Imaginative Bartender de Bombay Sapphire, de 2017, como o coquetel Oiapoque ao Chuí. E no ano passado, chegou em Florianópolis, passou pelo Santo Trago e Empório Capella, até ser contratado pelo Barca.

Quem tiver curiosidade pode experimentar o finalista Ocho Maneras, que leva Bacardí oito anos, vermute seco, licor St. Germain, bitter de laranja e tintura salina, custa R$ 32. Quem sentar próximo ao balcão poderá ouvir o bartender conduzir a narrativa de sua vida, enquanto o drink é apreciado. É uma experiência interessante.

Segundo Tom, o rum é o herói em busca do infinito, das causas impossíveis. O vermute a ansiedade do sonho, a boca seca, o ‘será que vou conseguir?’ O bitter de laranja é o amargor do percurso, das quedas necessárias durante a jornada. Já a solução salina remete à Ilha de Florianópolis, a água salgada que renova, ao paraíso conquistado. A última nota é floral, ofertada pelo licor St. Germain, produzido artesanalmente com flores de sabugueiro.

Tom Oliveira prepara o drink Barca. Foto: Aline Torres

Outro drink de sucesso, assinado por Tom, é o Barca. Rum com infusão de especiarias, suco de limão siciliano, xarope de canela, licor de café, Fernet, defumação de menta, eucalipto e especiarias, R$ 30.

Um diferencial é que eles produzem os vermutes, a maioria dos licores, e também não desperdiçam. Um bom exemplo é a laranja, usam o suco, a casca, o bagaço e as sementes. “Cada pedaço da fruta agrega na composição da identidade sensorial do coquetel”, explicou Pedro Neto, baiano de Salvador, que trocou a publicidade pela coquetelaria.

Dos drinks de Pedro, destaque para o Chéri, semifinalista do Bacardí Legacy. Um coquetel rosado, que parece inofensivo, com rum, purê de lichia, limão siliciano e campari, R$ 32.

O Barca ainda oferece um cardápio enxuto, mas saboroso, para petiscar. Vale experimentar o tartar de berinjela, R$ 30.

Quem for visitar a Casa Quatro Oito deve ir com tempo para desbravar o amplo lobby, fragmentado sutilmente em pequenos cenários, pelo artista múltiplo Felipe Morozini, assim como a arquitetura moderna, de linhas retas, de Marcia Barbiere, as peças ordinárias garimpadas, ao mesmo tempo, que as extraordinárias como as obras de Martin Parr, Albano Afonso, Nazareno, BFGF, Cassio Vasconcellos e o design de Enrico Franzolini e Jasper Morrison – sem perder de vista por sequer um segundo a grande obra-prima, a vista absurda para a Lagoa da Conceição.

Lembrete poderoso de que nenhum luxo supera a beleza natural!

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