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O levantamento aponta que há um nível alto de endividamento no setor: 55% .| Foto: Bigstock.

Pesquisa da série Covid-19 realizada pela Associação Nacional de Restaurantes (ANR), em parceria com a consultoria Galunion, especializada no mercado food service, e com o Instituto Foodservice Brasil (IFB), mostra que a recuperação do setor pós-pandemia pode levar pelo menos mais dois anos. Segundo os dados, divulgados nesta terça-feira (28), 62% das empresas entre restaurantes, bares, cafés e lanchonetes ainda não recuperaram as vendas em relação à pré-pandemia, na comparação de julho de 2021 com julho de 2019.

A pesquisa, feita entre o dias 12 de agosto e 8 de setembro, contou com 800 empresas de diversos perfis - de redes a independentes - de todos os estados brasileiros, que representam 22.907 lojas, das quais 67% estão localizadas nas ruas e outras 22% em shoppings e centros comerciais. De acordo com a Galunion, é o maior estudo envolvendo a pandemia e o setor de food service feito no Brasil até hoje.

Segundo o levantamento, somente 13% dos estabelecimentos já conseguem faturar nos mesmos níveis de 2019. Outros 25% afirmaram que superaram a receita no mesmo período. O delivery, maneira encontrada para sobreviver à pandemia, representa 39% do total do faturamento das empresas; antes da crise do coronavírus esse porcentual era de 24%. E o modo de operação veio para ficar: 85% dos participantes da pesquisa afirmaram que manterão as entregas no retorno do funcionamento. Apenas 15% disseram que vão operar somente no modo presencial.

"Os resultados reforçam a importância de atuarmos de forma coesa, com todos os elos da cadeia de valor, focando na busca por soluções e iniciativas que apoiem o setor de Foodservice neste processo de retomada", ressalta o presidente do Instituto Foodservice Brasil (IFB), Ely Mizrahi.

Endividamento segue alto

A pesquisa aponta ainda que 55% dos bares, restaurantes, cafés e lanchonetes se declaram endividados. Desse total, 78% devem para bancos, 57% estão com impostos em atraso, 24% têm dívidas com fornecedores e 14% afirmam ter pendências trabalhistas. Do total de endividados, 48% afirmaram que devem levar mais de dois anos para pagar seus débitos e 63% disseram que vão aderir a planos de parcelamento, como o Refis e outros anunciados pelos governos (federal, estadual ou municipal).

Diretor-executivo da ARN, Fernando Blower acredita que a pesquisa aponta o início de um processo de recuperação, que será longo, e deve durar mais alguns anos. "Apesar da melhora no índice de endividamento, a grande maioria das empresas ainda sofre as consequências da pandemia e apenas agora, com o avanço da vacinação, a queda nos índices da covid e o retorno gradual dos clientes, começa a se reerguer. De nossa parte, seguimos em defesa dos interesses de todos o setor para a conquista de novos refis, crédito, queda de impostos e ICMS. Só assim conseguirmos acelerar a recuperação", frisa.

Inflação e desafios

Outro aspecto que dificulta ainda mais a vida do setor é a inflação, em alta no Brasil, e que atingiu em cheio alimentos e outros insumos essenciais, como o gás de cozinha. Um dos números do levantamento mostra que o setor ainda está receoso em novas apostas, por exemplo: 31% das empresas afirmaram que não lançaram produtos no cardápio.

"Esse dado, ao mesmo tempo, mostra um desafio e uma grande oportunidade frente às mudanças de comportamento do consumidor provocadas pela pandemia", diz a CEO da Galunion e responsável pela pesquisa, Simone Galante. De acordo com ela, a revisão e atualização do cardápio é uma estratégia chave para a perpetuação do negócio. "É o que acompanha os anseios do consumidor e mantém a competitividade, principalmente dentro dos marketplaces de delivery", ressalta a CEO.

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