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Novos empreendedores
Com todos os cuidados e apenas dois clientes por vez, Débora Sass passou de MEI a dona de uma confeitaria de rua em Curitiba.| Foto: divulgação/cortesia Débora Sass

O setor de serviços de alimentação foi responsável por uma em cada dez novas empresas abertas no Brasil ao longo de 2020, mesmo com o cenário de crise varrendo do mapa outras três em cada dez. É o que aponta o relatório mais recente do Indicador Nacional de Empresas, elaborado pela Serasa Experian e que atingiu o maior número da série histórica desde 2011.

Ao todo, o Brasil ganhou 3,39 milhões de novas empresas em 2020, com uma alta de 8,7% na comparação com o ano anterior. Dessas, 12,9% foram de novos negócios de alimentação (incluindo o varejo de alimentos), o equivalente a 437,5 mil, principalmente os tocados por microempreendedores individuais (MEIs).

Embora o indicador da Serasa Experian não detalhe especificamente quantos MEIs foram abertos no ramo da alimentação, no geral este segmento representou 74,9% dos novos negócios abertos no ano passado – as sociedades limitadas somaram 10,7% e as empresas individuais apenas 3,4%.

Para Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, o aumento da quantidade de novas empresas do segmento de alimentação mostra que, com tanta gente perdendo o emprego, o jeito foi colocar em prática os dotes culinários de fim de semana para pagar as contas.

“As empresas do ramo alimentício, que figuraram o topo da lista de novas empresas, além de fornecerem itens básicos e essenciais, possibilitam um investimento de baixo custo para começar um negócio”, explica.

Segundo ele, o alto número de MEIs é um dos fatores que comprova o empreendedorismo por necessidade, já que durante quase um ano de pandemia muitas pessoas que perderam seus empregos optaram por abrir um CNPJ e trabalhar com aquilo que já sabiam fazer ou em segmentos com baixo custo de aprendizagem.

Empreender por necessidade

Além do alto número de informais se formalizando como microempreendedores individuais, outros muitos MEIs cresceram tanto durante a pandemia que puderam progredir de tributação, como a confeiteira Débora Sass, que toca a Confeitaria di Dé, em Curitiba.

Ela migrou do MEI para o formato de micro empresa quando sentiu a necessidade de abrir uma loja fixa para receber os clientes. A doceria viu o movimento crescer ainda mais depois da formalização – e mesmo com os sucessivos decretos que fecharam a cidade neste meio tempo.

“Foi em meados de agosto do ano passado que eu percebi que os clientes queriam ter um espaço para ver os doces e ter pronta entrega. O faturamento duplicou, e já soma mais de 3,5 mil pedidos, sendo 80% deles pelo delivery”, conta.

É o mesmo caminho encontrado por Bruno Fagundes, que abriu a Bruno Bolos também durante a pandemia ao ver a demanda crescer a tal ponto de precisar de um espaço próprio.

“Eu entendi que era o momento de me tornar uma ‘empresa de verdade’, já que estava atendendo em média 300 a 350 bolos no mês. Foi ai que procurei uma casa comercial e com isso mudei o porte da empresa, pra que eu pudesse contratar mais funcionários pra atender a demanda de encomendas”, explica.

A necessidade de contratar mais funcionários para suprir a demanda de pedidos mesmo durante a pandemia fez a confeiteira Roberta Schwanke, também de Curitiba, a mudar o regime de operação de MEI para micro empresa, e hoje a equipe conta com oito pessoas.

“A demanda cresceu muito no ano passado e precisei contratar mais algumas pessoas para me ajudarem. Era para ser temporário, mas fui mantendo porque os negócios caminharam bem”, conta.

Criando sim, mas reinventando também

Cleber Genero, vice-presidente de PME’s e identidade digital da Serasa Experian, explica que a criação de tantas novas empresas – principalmente as micros e pequenas – não dispensa a necessidade de continuar se reinventando e observando ativamente o mercado. Para ele, o controle dos gastos neste momento é de extrema importância para todos os negócios.

“Em momentos de incertezas como esse, é fundamental estancar todo e qualquer vazamento de recursos. Rever fornecedores, prazos e juros de dívidas, reduzir o estoque e repensar o modelo de vendas são algumas maneiras. Lembre-se que uma negociação mal feita traz consigo uma maior probabilidade de inadimplência ou fraude e ainda pode fazer com que se percam ótimas oportunidade”, analisa em artigo publicado pela Serasa Experian.

Ele explica, ainda, que além de se pensar na economia de recursos, é fundamental também criar uma boa estratégia para aumentar a receita principalmente em datas comemorativas e períodos sazonais, como o Dia das Mães (que está chegando), dos Namorados, “férias escolares, dia dos pais, das crianças, Black Friday, Natal, Ano Novo, férias de verão e por aí vai”.

Por fim, Cleber Genero ressalta que quem precisa se reerguer deve começar já a reestruturar a empresa, desenvolvendo um planejamento financeiro realista, renovando o plano de negócios e buscando negociações mais precisas.

“É importante ainda o apoio aos pequenos e médios empreendedores em fases tão importantes à saúde financeira do empreendimento, como monitoramento do próprio CNPJ e da carteira de clientes e fornecedores, cobrança de inadimplentes e, se for o caso, renegociação de dívidas”, completa.

Ele encerra pedindo que outras empresas e a própria sociedade participem da recuperação das PMEs, “dando suporte ou consumindo do pequeno sempre que possível, para manter uma economia próspera e saudável para todos”.

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