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App delivery
Plataforma pretende concorrer e reduzir taxas cobradas por aplicativos como iFood, Uber Eats e Rappi.| Foto: Bigstock

As redes de fast e casual food Outback, Bob’s, Giraffas e Pizza Hut tiveram a proposta de criar um aplicativo de delivery em conjunto aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O parecer, publicado no Diário Oficial desta quinta (15), permite sem restrições que as quatro bandeiras formem uma parceria (joint venture) para operar o serviço.

O pedido foi encaminhado ao Cade em dezembro de 2020 para evitar possíveis ações futuras por conta da concorrência, principalmente de aplicativos como iFood, Rappi e Uber Eats, que já operam no mercado e são usados pelas quatro redes.

Nos ofícios, as quatro marcas afirmam que vão criar uma plataforma chamada Quiq, para organizar em uma só ferramenta os pedidos de delivery e retirada de produtos no local (take away), com o objetivo de reduzir os custos de operação nos aplicativos – as taxas cobradas, que podem chegar a 30% de cada pedido, são alvo de fortes críticas de restaurantes parceiros.

“A operação consiste na possível criação de uma joint venture dedicada à criação e operação de uma plataforma de gestão tecnológica para condução mais eficiente das operações dos operadores relacionadas a pedidos de comida online”, explica o ato de concentração protocolado pelas empresas no Cade.

Ainda na justificativa, as empresas afirmam que a entrada delas no mercado de delivery não gera preocupações concorrenciais por conta da pulverização de plataformas que já operam no ecossistema. “As barreiras à entrada são baixas, o negócio é simples do ponto de vista operacional e existe uma grande e crescente demanda por alimentos prontos”, conclui.

Além das quatro bandeiras, também assinam a petição as administradoras CIATC Participações (ICI Brasserie, Bráz Trattoria, Astor, Pirajá, etc), Halipar (Griletto, Montana Grill, Jinjin e Croasonho), BFFC (Yoggi e KFC), Grupo Trigo (Spoleto e Koni Store) e Rei do Mate.

Apesar de se unirem para criar a plataforma, as marcas afirmam que continuarão operando de forma independente em suas atividades originais.

A expectativa é de que outras redes alimentícias entrem no projeto, entre elas a Domino’s Pizza que anunciou uma fusão com o Burger King Brasil na última semana.

Mercado crescente

A criação do Quiq, quando concretizada, será mais uma pitada de concorrência em um mercado que cresceu 81% ao longo da pandemia, segundo pesquisa publicada em abril pela VR Benefícios.

Outra pesquisa realizada pela consultoria Conversion aponta que, ao longo de 2020, as plataformas de delivery somaram 59,3% das buscas dos internautas, com a liderança do iFood (43,2%), seguida pelo Uber Eats e Rappi.

Na mesma época, o Magalu anunciou a compra de duas plataformas para se tornar também um player de peso no mercado. A gigante do varejo afirmou que quer chegar à liderança do segmento.

Já fazem parte do ecossistema do Magalu as plataformas ToNoLucro, GrandChef, AiQFome e PlusDelivery. Especialistas ouvidos pelo Bom Gourmet Negócios nos últimos meses são categóricos em afirmar que a conquista de novos consumidores vai ter que se dar por investimentos em campanhas de marketing e incentivos aos restaurantes.

Concorrência sem exclusividade

Em meados do mês passado, outro aplicativo de delivery, o 99Food, levou ao Cade um processo contestando os contratos de exclusividade firmados entre o iFood e restaurantes parceiros, para que evitem de aderir a outras plataformas. O mesmo foi feito pelo Rappi Brasil, Uber Eats e a própria Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

O iFood informou, na época, que as políticas comerciais praticadas são legítimas, pró-competitivas e que beneficiam os restaurantes e consumidores da plataforma. A empresa afirmou, ainda, que a investigação do Cade, que se posicionou contra o modelo de exclusividade, é vista com naturalidade pela empresa e que tem cooperado com a autoridade.

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