Receitas & Pratos

Carne de onça patrimônio cultural de Curitiba?

Proposta do vereador Hélio Wirbiski, que tramita na Câmara Municipal, considera a iguaria o único prato típico da cidade; veja a origem do prato e suas versões

por Keyse Moretto, especial para a Gazeta do Povo Publicado em 11/08/2016 às 20h
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Foto: Silmara Pawluzyk sm/Divulgação

Foto: Silmara Pawluzyk sm/Divulgação

Uma proposta de lei que tramita na Câmara Municipal de Curitiba quer declarar a carne de onça como patrimônio cultural de natureza imaterial da capital paranaense. O projeto foi protocolado pelo vereador Helio Wirbiski (PPS) no dia 3 de agosto e atualmente aguarda deliberação pela Comissão de Constituição e Justiça.

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Segundo o autor do projeto, a iguaria merece o título de patrimônio cultural imaterial, pois é a única receita realmente típica de Curitiba. “Em nenhuma outra cidade ela é servida como aqui: carne magra, sem nada de nervo ou gordura e sem tempero, colocada sobre fatia de broa preta, pimenta do reino, sal, azeite de oliva extra-virgem, cebola branca cortada bem fininha, cebolinha cortada bem fininha, mais sal, azeite de oliva e pimenta do reino”, descreve o texto. Para que a proposta se torne realidade, a lei deve ser aprovada por maioria simples pelos vereadores, mas no momento não há previsão para que isso aconteça.

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Mas o que vai mudar se o projeto for aprovado? Para Igor Baran, proprietário do BarBaran, um dos finalistas deste ano do Sabor Popular do Prêmio Bom Gourmet na categoria Carne de Onça, o efeito maior será no turismo, já que pessoas de fora vão querer experimentar o prato tradicional da cidade. “O curitibano já conhece. O turista é que ficará curioso e vai querer provar”, prevê o restaurateur.

Atualmente, o prato é servido em mais de cem bares de Curitiba e a receita é tão apreciada que o Prêmio Bom Gourmet elege a melhor Carne de Onça da cidade desde a sua primeira edição há sete anos (clique aqui para votar).

Origem do prato

A origem desse prato se perde nos tempos idos. Segundo Wirbiski, “desde a década de 1940, temos contato com a famosa carne de onça, quando o então diretor do clube de futebol Britânia, Cristiano Schmidt, servia uma bacia de carne crua acompanhada de fatias de broa para os jogadores de seu time”, explica o texto do vereador.

Já para Wlamir Branco, proprietário da Mercearia Fantinato, outro finalista do Prêmio Bom Gourmet na categoria Carne de Onça “a forma de preparo e os ingredientes da carne de onça servida no nosso restaurante são inspirados no prato servido pelo Clube Concórdia no final da década de 70”.

Curiosa e controversa também é a origem do nome. O texto do projeto menciona que, na década de 1940, o goleiro do time de futebol Britânia reclamou brincando para o o diretor do clube, Schmidt, que só servia “essa carne que nem onça come”. A expressão entrou na linguagem popular e a partir daquele momento os clientes começaram a pedir assim pelo prato, que caiu no gosto dos curitibanos e logo passou a fazer parte do cardápio de muitas casas.

Outra versão, dada por Marcelo Remza, do Jabuti Bar, casa que também compete na categoria Carne de Onça no Prêmio Bom Gourmet, é a de que o prato ganhou o nome engraçado por conta do “bafo de onça” que seus ingredientes deixariam na boca.

Mas se as versões sobre como surgiu o prato divergem, a carne de onça coloca todo mundo de acordo na hora de comer.

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As versões no mundo

Comer carne crua picadinha e temperada não é uma exclusividade curitibana. Pratos parecidos com a carne de onça são típicos de várias cozinhas do mundo e inclusive são encontrados em restaurantes de Curitiba.

Veja as diferenças, de acordo com a chef Andrea Vieira, da A Casa de Antonia.

Foto: Visual Hunt

Steak Tartare / Foto: Visual Hunt

Steak Tartare – Este prato, de origem francesa, atualmente é preparado com carne bovina e condimentos como mostarda, alcaparras, pepino em conserva, cebola, molho inglês e gema de ovo. Originalmente, a carne de cavalo era utilizada como base. Para acompanhar: fritas ou salada verde.

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Hackpeter / Foto: Visual Hunt

Hackpeter / Foto: Visual Hunt

Mett ou Hackepeter: De origem alemã, esta iguaria é normalmente servida com pão e leva carne de porco moída com sal, pimenta, alho, cebola e semente de erva doce.

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Filet Américain / Foto: Visual Hunt

Filet Américain / Foto: Visual Hunt

Filet Américain: Esta receita é muito parecida com a do Steak Tartare. A diferença é que neste prato belga há adição de maionese.

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Carne de Onça / Foto: Divulgação

Carne de Onça / Foto: Divulgação

Carne de Onça: Versão brasileira das receitas acima e muito difundida pelos imigrantes alemães no sul do Brasil, principalmente em Curitiba. Por aqui, a iguaria ganhou novos ingredientes como mostarda preta, conhaque, alho, páprica e cebolinha. Tradicionalmente a carne de onça é servida com broa úmida de centeio.

 

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