Restaurantes

Santa Catarina

Restaurantes com a cara de Floripa que ficam à beira das águas mansas da Baía Sul

Um dos trechos da rodovia Baldicero Filomeno é conhecido como Caminho das Ostras e há 20 restaurantes e lojinhas de artesanatos que funcionam nos históricos casarios coloridos

por Aline Torres, de Florianópolis, especial para Bom Gourmet Publicado em 27/11/2018 às 17h
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O Ribeirão da Ilha é uma das pérolas de Florianópolis. Um bairro à beira das águas mansas da Baía Sul onde a cultura nativa, chamada também de manezinha, é evidente em cada canto.

O centro histórico é um dos mais antigos núcleos da colonização açoriana do país. O povoado, na verdade, começou antes, em 1514, quando Juan Dias de Solis, fundador de Buenos Aires, deixou 21 marujos da região. Mas foi após quase dois séculos, em 1756, quando por ordem do rei de Portugal, sessenta famílias foram morar ali, que o distrito cresceu, prosperou e criou sua identidade.

O cenário é a expressão da arquitetura colonial portuguesa. As casas centenárias são feitas em alvenaria de pedra, cal e gordura de baleia. Um dos trechos da rodovia Baldicero Filomeno é conhecido como Caminho das Ostras e há cerca de vinte restaurantes e lojinhas de artesanatos que funcionam nos históricos casarios coloridos. No trajeto está a Praça da Freguesia – lugar de onde é possível avistar as inúmeras fazendas marinhas. O Ribeirão é o maior produtor de ostras do Brasil.

O distrito é certamente um dos mais bonitos de capital catarinense e é tão calmo que a impressão que dá é que não pertence ao nosso tempo, por isso os visitantes não devem ter pressa. O ideal é ir perto do horário do almoço, quando as gaivotas estão alvoraçadas e são ótimas modelos para as fotografias, e ficar até o pôr do sol.

CONFIRA 4 RESTAURANTES DO BAIRRO:

Porto do Contrato

O Porto funcionou até a década de 1940 como o centro econômico das negociações portuárias. Há 15 anos o local foi transformado em um restaurante, que preserva o esqueleto do monumento, as antigas colunas de pedra, e o nome.

  • Porto do Contrato
  • Ostrentação
  • shot de ostras
  • A igrejinha de Nossa Senhora da Lapa
  • Baía Sul de Ribeirão da Ilha
  • Porto do ContratoAmbiente interno do restaurante. Foto: Aline Torres
  • Construção histórica. Foto: Aline Torres
  • Estrutura original. Foto: Aline Torres
  • OstrentaçãoOstrentação. Foto: Aline Torres
  • shot de ostrasShot de ostras. Foto: Aline Torres
  • A igrejinha de Nossa Senhora da LapaA igrejinha de Nossa Senhora da Lapa. Foto: Aline Torres
  • Baía Sul de Ribeirão da IlhaBaía Sul de Ribeirão da Ilha. Foto: Aline Torres

O empreendimento dos sócios Sergio Luiz Gomes da Silva, 44 anos, Naline Elias Nicolau, 39 anos, e Gibran Elias Nicolau, 35 anos, tem sete salões, 210 lugares, e uma extensão de cem metros à beira-mar, o que permite que muitos dos clientes cheguem de jet ski ou lanchas. Também há dois decks, um deles para passeio, de onde é possível avistar um caminho de pedras sob o mar, que representa a divisão entre a praia da Nina e a do Porto do Contrato.

Para se jogar sem medo na cultura do Ribeirão a dica é provar a Ostretação, R$ 119. A entrada para duas pessoas oferece 16 sabores de ostras e dois shots de Bloody Mary com o molusco. Parece estranho, mas arrisque, é pela bebida que a degustação deve começar. São combinações interessantes o bacon, o sabayon e o vinagrete.

Outra entrada deliciosa é o camarão pistola crocante, servido na taça (R$ 119). Os pratos para dois que mais fazem sucesso é a Anchova Metida a Besta, assada e recheada com camarões e legumes, R$ 129, e o Polvo Coisa Linda, R$ 269. Uma sobremesa que vale experimentar é o Petit Gâteau de Bala Dalva, que tem gosto de coco queimado (R$ 24).

Serviço: De terça a sábado, das 12h às 23h; domingo das 12h às 17h – (48)3234-4454.

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Ostradamus

Jaime José de Barcelos era mecânico da comunidade. Em 1996 resolveu vender a oficina que tinha há 16 anos. Abriu na garagem de casa uma venda de sorvetes, caldo de cana e água de coco. No ano seguinte passou a vender também cachorros-quentes. Em 1998 ofereceu ostra ao bafo, que na época tinha um mercado insípido, e peixinho com molho de camarão da dona Norinha, sua mãe, hoje com 83 anos.

  • camarão do Ostradamus
  • camarão do OstradamusCamarão, queijo coalho e melado. Foto: Aline Torres
  • Foto: Aline Torres
  • Foto: Aline Torres
  • Foto: Aline Torres
  • Jaime com prato coleção Boa Lembrança. Foto: Aline Torres
  • Ostra com gengibre, mel e conhaque. Foto: Aline Torres
  • Foto: Aline Torres
  • Foto: Aline Torres

Desse jeito singelo, bem manezinho, é que surgiu um dos clássicos da cidade, o Ostradumus, um dos raros restaurantes no país a servir ostras depuradas, que ficam mais claras, bem mais suaves e são mais saudáveis, pois não há risco de contaminação.

A depuração é um processo de purificação do molusco. As ostras ficam imersas na água do mar filtrada por aproximadamente doze horas e são tratadas com luz ultravioleta, cloração e oxidação com baixa concentração de cloro. A tecnologia é exclusiva do Brasil e é uma parceria entre a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e o restaurante.

Na casa, vale experimentar a dúzia de ostras com gengibre, azeite de oliva, mel e conhaque, R$39, e a dúzia do Príncipe, ostras com abacaxi, geleia de pimenta, tiras de figo seco e lâminas de brie, R$ 45. São combinações muito interessantes. Outra entrada muito apreciada é camarão defumado, com base de melado e queijo grelhado, R$ 28.

Dos principais, destaque para o Arrombassi Istepô, lula, camarão, ostra, salteados ao oliva, gengibre, flambados na cachaça de sassafrás e anis, acompanhados de pimentões, cebola, pimenta dedo de moça, maça verde grelhada ao creme de aceto, figo seco, amêndoas tostadas e arroz com açafrão. É um delírio para o paladar e custa R$ 178. A porção generosa e dependendo da fome pode servir até quatro pessoas.

Outra dica é o Prato da Boa Lembrança, uma releitura do peixe com camarão da dona Norinha, fixado a uma lâmina de pão amanteigado, acompanhados por batatas laminadas com flor de sal e alecrim. O individual custa R$ 126,65, e o para dois R$ 195. O cliente que fizer essa escolha ganha o prato da coleção.

O Ostradamus é o único restaurante de Santa Catarina a fazer parte da Associação de Restaurantes da Boa Lembrança, fundada em 1994. Nos 7, 8 e 9 de outubro de 2019, os 98 restaurantes que fazem parte da Boa Lembrança participarão de um encontro em Florianópolis organizado por Jaime. Outra questão é que para apreciadores de vinho o Ostradamus é o lugar certo, a adega tem mais de quatro mil garrafas e 270 rótulos do mundo inteiro. Vale experimentar o esloveno Seven Numbers Furmint, um branco refrescante, produzido com uma uva rara, R$ 165.

Serviço: Terça a sábado das 12h às 23h; domingo das 12h às 16h – (48) 99990-5711.

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Tens Tempo

No dia 28 de outubro, o café foi reinaugurado em novo ambiente, um belíssimo casario histórico de 220 anos, a poucos passos do Ostradamus.

  • Canequinhas
  • Delícias portuguesas
  • Pão de amêndoas
  • Travesseiro de Sintra
  • CanequinhasCanequinhas do Café Tens Tempo. Foto: divulgação
  • Delícias portuguesasDelícias portuguesas. Foto: divulgação
  • Pão de amêndoasPão de amêndoas. Foto: divulgação
  • Travesseiro de SintraTravesseiro de Sintra. Foto: divulgação

O foco é a confeitaria portuguesa, receitas clássicas como Travesseiro de Sintra, massa folhada, creme de ovos moles e amêndoas tostadas (R$ 10); Brisas do Conde, nozes, creme de ovos e bolo de amêndoas coberto de chocolate (R$ 10); e a criação Barriga de Freira, amêndoas moídas, gema, açúcar, farinha sem glúten e farinha de rosca (R$ 10).

O Tens Tempo tem um cheirinho delicioso de espresso e de pão de amêndoas, que é feito na hora para os clientes que quiserem levar para casa. Também chama atenção a quantidade de canequinhas dependuradas no teto. É difícil sair sem levar uma, elas tem diversas estampas que remetem ao bairro ou à cultura açoriana.

Serviço: Terça a sábado das 12h às 20h; domingo das 12h às 17h – (48) 3238-2676.

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Restaurantes do Ecomuseu

O Ecomuseu foi criado em 1971 pelo pesquisador Nereu do Vale Pereira, um dos intelectuais mais importantes de Santa Catarina, e preconiza a preservação de um ecossistema, do modo de vida e da produção da comunidade. A integração é percebida tanto nas atividades, como a fabricação de farinha no engenho artesanal, quanto pela biodiversidade nativa. No terreno é possível encontrar a orquídea laelia purpurata, a flor símbolo da ilha de Santa Catarina.

  • Ostra com shimeji
  • Peixe nobre
  • Salmão grelhado
  • Ostra com shimejiOstra com shimeji. Foto: divulgação
  • Peixe nobrePeixe nobre. Foto: divulgação
  • Salmão grelhadoSalmão grelhado. Foto: divulgação

O casarão que abriga o ecomuseu é de 1793 e preserva preciosidades do sincretismo que formou a rica cultura catarinense, como um presépio confeccionado por uma escrava em
1813, com ramos de algodão, conchas, insetos e escamas de peixe, as imagens mesclam santos católicos, um cavaleiro de São José e o Rei Preto do candomblé. No acervo há mais de três mil peças. É um local para ir com tempo de sobra.

No restaurante os carros-chefes são as ostras com shimeji, marinadas no vinho branco, com queijo Grana Padano e cogumelos na manteiga, R$ 35 (seis unidades); o Peixe Nobre ao Molho do Museu, linguado grelhado na chapa, com molho de alho, cebola e alcaparras ao molho de vinho branco e manteiga, R$ 115, para duas pessoas; e o Salmão Grelhado Dox Kiridu, posta de salmão grelhada na chapa com molho a base de manteiga com vinho branco, leite de coco e pimenta rosa, R$ 130, para duas pessoas.

Uma dica importante é ficar atento ao calendário do restaurante, que tem horários diferentes para cada mês do ano e na baixa temporada não funciona.

Serviço: Novembro e dezembro – domingo, segunda, quarta e quinta das 11h às 17h; janeiro e fevereiro – quarta a segunda das 11h às 22h; março e abril – domingo, segunda, quarta e quinta das 11h às 17h; maio, junho, julho, agosto, setembro – fechado ao público – (48) 3237-8148.

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